domingo, 22 de junho de 2014

Monte Líbano x Sírio - marca de uma era nos anos 1980



O Sirio tinha uma tradição enorme no basquete brasileiro. No anos 1960 e 1970 brilharam com a camisa do clube: Mosquito, Radvillas Gorauskas, Victor Mirshawka, Succar, Dodi e Menon. O Sirio havia sido campeão da Taça Brasil em 1968, 1970, 1972, 1978 e 1979; voltou a conquistar o título em 1983 e 1988. Ainda foi campeão da Copa dos Campeões Sul-Americanos em 1961, 1968, 1970, 1971, 1972, 1978, 1979 e 1984, e campeão da Taça Willian Jones (Mundial de Clubes) em 1979 jogando com Marcelo Vido, Marcel, Oscar Schmidt, Dodi e Marquinhos Abdalla, o time foi o úinico brasileiro a conseguir o feito de ser campeão mundial, treinado por Cláudio Mortari.


Já o Monte Líbano teve sua atividade no basquete nos anos 1980, quando foi campeão da Taça Brasil em 1982 e em 1984-85-86-87, e foi bi-campeão da Copa dos Campeões Sul-Americanos em 1985 e 1986.

O primeiro título azul e branco se deu em 1982, quando a equipe do Monte Líbano, treinada pelo lendário Amaury Pasos, e que tinha um elenco com João Carlos Marin, Cadum, o norte-americano Virginell Wallace, e André Stoffel e Israel Andrade como dupla de garrafão, superou o favoritismo do time vermelho e branco, que ainda conservava parte dos jogadores que haviam sido campeões mundiais em 1979. O time do Sirio era formado pelos irmãos Maury e Marcel de Souza, por José Saiani, e por dois monstros da história do basquete brasileiro, Oscar Schmidt e Marquinhos Abdalla.

Sirio 1982: Marquinhos, Oscar, Maury, Marcel e Saiani

Em 1983 foi o Sirio quem ficou o troféu máximo do basquete brasileiro, a equipe do técnico Cláudio Mortari era formada por Maury, pelo norte-americano Raymond Towsend, Paulinho Villas-Boas, Marquinhos Abdalla e pelo argentino Germán Filloy, contratado ao Atenas de Córdoba.

Depois foi o Monte Líbano quem dominou absoluto o basquete brasileiro entre 1984 e 1987. Começou a série a partir do momento que tirou os irmãos Maury e Marcel dos rivais. O time tinha: Maury, Cadum, Pedro Paraguay, André Stoffel, Pipoka e Israel. No primeiro título, o ala Marcel jogava ao lado do irmão Maury, depois ele foi para a Europa. Foi substituído pelo norte-americano John Bailey. No último ano da sequência, 1987, a posição era ocupada por Paulinho Villas-Boas, contratado pelo Monte Líbano ao rival Sirio, onde era a estrela do time. Nesta equipe de 87 despontava também o pivô Gérson Victalino e Wálter Roese.

Edvar Simões, técnico do Monte Líbano

Campeão da Taça Brasil de 1984-85, o Monte Líbano iniciou sua sequência de domínio no basquete brasileiro. A Taça Brasil de 1985-86 foi decidida por um quadrangular entre Monte Líbano, Sirio, Corinthians e Francana. O Monte Líbano, do técnico Edvar Simões, era liderado pelo jovem armador Maury, irmão do já consagrado Marcel, e por um trio de pivôs: Pipoka, André e Israel. No Sirio, brilhavam os jovens Paulinho Villas-Boas e Rolando. No Corinthians, elenco mais caro, destacava-se o norte-americano Rocky Smith. E em Franca começava a despontar o jovem Chuí. O time de Edvar Simões venceu seus três adversários e sagrou-se mais uma vez campeão, deixando o Corinthians com o vice.


No fim do mesmo ano, o tri-campeonato, desta vez com a Francana como vice-campeã. A fase final foi, mais uma vez, um quadrangular entre Monte Líbano, Sirio, Corinthians e Francana. Os comandados de Edvar venceram seu quarto título nacional, o terceiro consecutivo. Em 1987 a única vez em que o Monte Líbano foi campeão tendo ao Sirio vice.


Juntos, Sirio e Monte Líbano venceram todos os campeonatos nacionais disputados entre 1982 e 1989. Foram sete títulos consecutivos da dupla de rivais, com 5 títulos da camisa azul e branca e 2 da camisa vermelha e branca.

Pipoka, pivô do Monte Líbano

O basquete brasileiro se restringia nestes dias dos anos 1980 ao estado de São Paulo. A Taça Brasil foi sempre decidida no Ginásio do Ibirapuera. Em meio à gravíssima crise econômica vivida pelo Brasil, os clubes do Rio de Janeiro deixavam o basquete cada vez mais a segundo plano, priorizando o futebol. Nos outros estados o basquete minguava. Sobrava São Paulo, onde a única camisa de futebol no basquete naquele momento era a do Corinthians. O Palmeiras, de grandes tradições entre os anos 1950 e 1970, havia abandonado o basquete. Clubes como Sirio, Monte Líbano e Francana eram o alicerce de sobrevivência, mas não tinham a mesma capacidade de atrair recursos que os tradicionais clubes de futebol. Em 1988, não houve recursos para se fazer a Taça Brasil, no fim do ano, uma solução paliativa, com um torneio entre dezembro de 88 e fevereiro de 89. A fase final foi um hexagonal reunindo Monte Líbano, Sirio, Francana, Rio Claro, Pirelli e Flamengo.

O Monte Líbano já tinha perdido a base que dominou o basquete brasileiro dos anos 1980. Desta vez foi o Sirio o campeão. O time alvi-rubro, treinado por Dodi e que jogava com Chuí, Victor Enning, Ernest Patterson, Luís Felipe Azevedo e Marquinhos Abdalla, venceu Pirelli (109 x 92) e Franca (106 x 101), perdeu de Rio Claro (102 x 114), e depois venceu Monte Líbano (86 x 75) e Flamengo (108 x 107). O último título na história de uma das mais tradicionais agremiações da história do basquete brasileiro.

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