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sábado, 20 de maio de 2023

Históricos "Big Three" em Jogos 7 de Final de Conferência


Trio do Boston Celtics no Jogo 7 da Final de Conferência da Temporada 2021/22 igualou uma marca histórica de trio do Los Angeles Lakers da Temporada 1987/88, com pelo menos 20 pontos e 5 assistências cada um.

Jayson Tatum, Jaylen Brown e Marcus Smart garantiram mais de 20 pontos e 5 assistências para o Celtics no jogo 7 da final da Conferência Leste contra o Miami Heat, fechando a série em 4-3 e avançando para fazer a Final da NBA contra o Golden State Warriors.

Com o triunfo em plena Miami, o Boston Celtics ainda conseguiu ampliar outra marca histórica na mesma noite, passando a ter 5 vitórias e 4 derrotas em finais nas quais disputou o jogo 7 fora de casa, como visitante. Nenhuma outra franquia da NBA havia alcançado até então mais do que 2 vitórias longe de seus domínios em partidas decisivas nas finais de conferência.

Para fechar a série de grandes feitos, Ime Udoka se tornou o primeiro técnico na história da NBA a vencer um jogo 7 de Final de Conferência em seu primeiro ano como treinador principal de uma franquia. O Boston Celtics voltou a ser Campeão da Conferência Leste após 12 anos de jejum.



O "Big Three" da Final de 1988

Na Final da Conferência Oeste da Temporada 1987/88, Los Angeles Lakers e Dallas Mavericks chegaram ao Jogo 7 após o Lakers abrir a série com duas vitórias, por 113 x 98 e por 123 x 101, e ver os Mavericks reagirem com vitórias por 106 x 94 e por 118 x 104. Os mandantes estavam reinando, e assim se seguir, com vitória de Los Angeles por 119 x 102 e do Dallas por apertadíssimos 105 x 103, no jogo mais disputado da série.

O Jogo 7 foi em Los Angeles, em 4 de junho de 1988. O time do Dallas Mavericks teve um bom jogo coletivo naquela noite, com seis dos sete jogadores que estiveram em quadra pontuando em mais de dois dígitos. Mark Aguire foi o maior pontuador do Dallas, com 24 pontos, e contribuindo ainda com 5 assistências. Também brilharam os demais titulares, com Derek Harper e James Donaldson marcando 15 pontos cada um, sendo que Harper se destacou com 11 assistências e Donaldson com 14 rebotes. Rolando Blackman marcou 14 pontos, Sam Perking fez 13, tendo ainda Roy Tarpley emergido do banco para converter 18 pontos.

Mas aquele grande time do Dallas não foi capaz de parar o trio do Lakers formado por Magic Johnson, Byron Scott e James Worthy fazendo um jogo infernal do perímetro. E olha que o quinteto titular do LA Lakers ainda tinha a Kareem Abdul-Jabbar, que converteu 17 pontos, e A.C. Green, que marcou 14 pontos. Do banco, Michael Cooper ainda contribuiu com 8 pontos e Mychal Thompson com 5 pontos.

O diferencial para a festa de Los Angeles, no entanto, que venceu por 117 x 102, foram os 28 pontos, 7 assistências e 7 rebotes de James Worthy, os 24 pontos, 11 assistências e 9 rebotes de Magic Johnson, e os 21 pontos e 5 assistências de Byron Scott. Um trio que pela primeira vez combinava mais de 20 pontos e 5 assistências num Jogo 7 de Final de Conferência na história da NBA.

Combinados, Johnson, Worthy e Scott totalizaram 73 dos 117 pontos (62,4%) e 23 das 31 assistências (74,2%) da equipe.



O "Big Three" da Final de 2022

Diferentemente da Final da Conferência Oeste da Temporada 1987/88, a Final da Conferência Leste da Temporada 2021/22 foi comandada pelos visitantes e não pelo mandante. Boston Celtics e Miami Heat chegaram ao Jogo 7 após o Miami começar vencendo em casa por 118 x 107, mas perder a segunda em seu ginásio por 127 x 102. Na terceira partida, recuperou-se na quadra adversária e venceu por 109 x 103. Mas o Boston se impôs como mandante por 102 x 82 e voltou a igualar à série. Daí em diante só quem foi visitante venceu. Os Celtics fizeram 93 x 80 em Miami, e o Heat fez 111 x 103 em Boston.

O Jogo 7 foi em Miami, em 29 de maio de 2022. E foi um jogo dominado por um "Big Three". Do lado do Miami Heat, Jimmy Butler fez 35 pontos e pegou 9 rebotes, Bam Adebayo fez 25 pontos e pegou 11 rebotes, e Kyle Lowry fez 15 pontos e pegou 7 rebotes. Os demais jogadores pontuaram pouco: Victor Oladipo fez 9 pontos, Max Strus fez 8, Gabe Vincent fez 4, e P.J. Tucker saiu zerado. O trio Buttler, Adebayo e Lowry somaram 75 dos 96 pontos (78,1%) convertidos pelo Miami Heat.

Não deram conta de equilibrar forças com o "Big Three" do Boston Celtics, que garantiu a vitória por 100 x 96. De seu elenco, ainda saíram do banco para terem papéis importantes Grant Williams, que contribuiu com fundamentais 11 pontos, e Derrick White com outros 8. Dentre os titulares, Al Horford fez 5 pontos e Robert Williams marcou 2. Os comandantes da vitória foram Jayson Tatum, com 26 pontos, 10 rebotes e 6 assistências, Jaylen Brown com 24 pontos, 6 rebotes e 6 assistências, e Marcus Smart, com 24 pontos, 9 rebotes e 5 assistências. Tornaram-se o primeiro trio com ao menos 20 pontos e 5 assistências em um jogo 7 de final de conferência desde aquele histórico Lakers de 88.

Combinados, Tatum, Brown e Smart totalizaram 74 dos 100 pontos (74,0%) e 17 das 22 assistências (77,3%) da equipe. Ou seja, foram ainda mais dominantes juntos do que Magic Johnson, James Worthy e Byron Scott tinham sido em 1988.




sábado, 10 de fevereiro de 2018

Os históricos duelos entre os Lakers e os Globetrotters

O Minneapolis Lakers e o Harlem Globetrotters eram dois times em rota de colisão. Uma equipe já tinha cerca de 20 anos de existência, a outra era recém formada e tinha menos de um ano. Mas no inverno de 1948, os dois eram considerados os dois melhores times de basquete dos Estados Unidos da América. Um só de jogadores brancos, outro só de jogadores negros.

O time de Abe Saperstein se chamava Harlem Globetrotters, o que soava sem sentido para uma equipe de Chicago. Mas o proprietário, Saperstein, tinha várias idéias na cabeça quando escolheu este nome. Ele era obsessionado por Nova Iorque, a ponto de ter um escritório alugado montado no Empire State Building tão somente para ter um endereço na cidade de Nova Iorque, o coração econômico da América. O “Harlem” era parte desta conexão com Nova Iorque, mas indicava mais do que isto, especialmente numa equipe que só tinha jogadores negros. O Harlem era o bairro símbolo da cultura negra da cidade de Nova Iorque. O nome “Globetrotters” denotava os viajantes pelo mundo, o sonho que Saperstein carregava para aquela equipe.

Quando eles entraram em quadra pela primeira vez para uma partida de basquete, em Hinckley, Illinois, em janeiro de 1927, eles eram apenas cinco jogadores de basquete a mais no país, que viajavam dentro do carro de Saperstein de uma cidade pequena para outra pelo Meio-Oeste dos EUA. Saperstein gerenciava e treinava os Globetrotters, além de entrar em quadra quando necessário para substituir algum dos cinco rapazes que houvesse se lesionado.

Durante alguns anos viajando, os Globetrotters encontraram meios para relaxar entre uma partida e outra brincando com a bola de basquete, desenvolveram técnicas que lhe permitiram aprimorar o entretenimento que davam ao público, manuseando a bola com as mãos de formas novas e inusitadas. Mas diferentemente do que se transforam anos depois, durante os Anos 1930 e 1940 eles eram uma equipe competitiva de basquete, que jogava para ganhar, a competitividade vinha na frente, e o entretenimento vinha depois.

Em 1939, eles foram convidados para jogar o “World’s Professional Basketball Championship” (Campeonato Mundial de Basquete Profissional), um torneio organizado pelo jornal Chicago Herald. Eles perderam na final para outro quinteto exclusivamente formado por jogadores negros, o New York Rens, mas os Trotters voltaram no ano seguinte para desta vez faturar o troféu e se tornar os Campeões Mundiais de Basquete Profissional.

Reece "Goose" Tatum

Quase uma década depois, em 1948, o colunista esportivo Arch Ward, um venerado nome do Chicago Tribune, escreveu que “os Trotters ainda são o melhor time de basquete do mundo”. Mas desta vez, no entanto, havia um outro grupo que se dizia o melhor time de basquete do mundo, e ele fazia parte de uma conjuntura na qual ainda não eram aceitos jogadores negros.

O Minneapolis Lakers tinha sido formado havia menos de um ano, após Ben Berger e Morris Chalfen financiarem a criação do Detroit Gems, equipe que ingressou na Liga Nacional de Basquete (National Basketball League - NBL). O Gems entrou em colapso logo, pois venceu apenas quatro dos quarenta e quatro jogos de sua primeira temporada, e deste fracasso nasceu uma dinastia no basquete, pois Berger e Chalfen decidiram mudar de cidade e recriar o projeto em Minneapolis. Ali nascia o Lakers.

Reconstruindo a franquia do zero, o Lakers contratou Don “Swede” Carlson e Tony Jaros, respectivamente estrelas das equipes da Universidade de Minnesota e da Minneapolis Edison High School. Logo em seguida, contratou Jim Pollard, estrela da equipe da Universidade de Stanford.

Durante sua primeira temporada, aconteceu um fato que alavancou a franquia em definitivo. A Liga Profissional de Basquete da América (Professional Basketball League of America) quebrou. Decidiu-se fazer um Draft envolvendo os jogadores desta liga que passaram a estar sem equipe. A disputa era para adquirir o principal jogador do Chicago American Gears, equipe mais forte da outra liga, todos desejavam o pivô George Mikan. O Lakers, por ter tido o pior desempenho no ano anterior, quando ainda era Detroit Gems, ganhou o direito de fazer a primeira escolha deste Draft e a usou para selecionar Mikan. Com ele, o Lakers se tornou um time imparável.

George Mikan

Este era o cenário quando Abe Saperstein e o gerente geral do Lakers, Max Winter, acordaram um jogo a ser disputado no Chicago Stadium em 19 de fevereiro de 1948. Nas palavras de Max Winter: “este será um dos mais memoráveis jogos de basquete de todos os tempos".

O jogo entre os Lakers e os Globetrotters seriam a partida preliminar de um jogo da Basketball Association of America (BAA) entre Chicago Stags e New York Knicks. O ginásio recebeu um público recorde de 17.823 expectadores para a rodada dupla. E o recorde não foi batido para se ver Stags vs Knicks, mas sim para ver Globetrotters vs Lakers.

Chicago era uma cidade com profundas divisões raciais. A teoria prevalecente era a de que os negros eram preguiçosos e desajeitados, e sem inteligência suficiente para jogar um jogo coletivo tão complicado e de estratégia como o basquete.

O Lakers tinha dois nomes que fazem parte do Hall da Fama do basquete, Mikan e Jim Pollard, e a equipe tinha uma vantagem sobre os Trotters, tinham vários jogadores mais altos que o pivô dos Globetrotters, Reece “Goose” Tatum. A estrela dos Globetrotters, no entanto, era Marques Haynes, que era considerado o maior manuseador de uma bola de basquete com as mãos no mundo, tamanha sua habilidade para fazer acrobacias com uma bola, girando-a nos dedos, trocando de mão com enorme velocidade. Fechavam o quinteto dos Trotters: Ermer Robinson, Wilbert King e Louis “Babe” Pressley. A equipe de Saperstein tinha melhorado muito ao longo dos anos. Ao final de 1940, os Globetrotters foram assumindo e batendo qualquer um que encaravam, ganharam fama e as multidões foram ficando cada vez maiores. Em 1948 Saperstein ostentava que sua equipe havia vencido mais de 100 jogos seguidos.

Marques Haynes

Mikan e Goose Tatum tomaram seus lugares no círculo central, agachando-se para saltar na disputa da bola inicial que seria lançada ao ar. Os fãs já estavam prontos para rir, pois sabiam que Tatum começava os jogos com uma piada, puxando para baixo as calças do pivô adversário. Em vez disso, o jogo começou como qualquer outro, era um sinal claro de que os Globetrotters encaravam com muita seriedade aquele jogo e aquele adversário.

Os Lakers começaram impondo uma vantagem de 13 x 4, mas o jogo foi logo empatado em 15 x 15. No intervalo, o Lakers estava a frente por 32 x 23. Mikan, com 18 pontos até então, mandava no jogo. Saperstein conhecia muito bem sua equipe, ele dobrou a marcação sobre Mikan no segundo tempo, e forçou sua equipe a fazer um jogo mais físico. Surtiu efeito. Mikan fez apenas 6 pontos em toda a segunda metade do jogo.

Os Globetrotters voltaram a empatar o jogo em 38 x 38. E daí para frente as equipes se alternavam na liderança, ora um dois pontos a frente, ora o outro. O jogo foi ficando cada vez mais físico. Faltando um minuto e meio, Mikan cobrou lances-livres e empatou o jogo em 59 x 59. Era hora de Marques Haynes mostrar seus talentos mágicos na habilidade de driblar, abrindo espaços para o resto da equipe encontrar uma boa posição para pontuar.

Faltando 2 segundos, Haynes encontrou Robinson perto do meio da quadra, ele deu um drible e saltou bem alto, disparando um tiro certeiro. Robinson ficou parado como uma estátua, seu braço direito no ar, a bola estava prestes a encontrar a rede do aro. O alarme tocou com a bola no ar, avisando o fim do tempo de jogo, a bola nem tocou o aro, cesta! O jogo acabou: 61 x 59. A partir dali, uma certeza: era hora de se repensar o que os jogadores negros poderiam fazer em uma quadra de basquete. Em 19 de fevereiro de 1948, o Harlem Globetrotters vencia o melhor time de jogadores brancos do país: 61 x 59.

Trotters vs Lakers

Depois deste jogo, os Lakers foram campeões da Liga Nacional de Basquete (National Basketball League - NBL) e do Campeonato Mundial de Basquete Profissional (World’s Professional Basketball Tournament), que teve naquele ano sua última edição. Na temporada seguinte, o Minneapolis Lakers passou para Associação de Basquete da América (Basketball Association of America - BAA, antecessora da NBA) juntos a três outras equipes da NBL.

Houve então um acordo para uma revanche contra os Harlem Globetrotters, Saperstein e Winter marcaram duas partidas próximas ao final da temporada 1948-49. Os Lakers reclamavam que o tiro que definiu a vitória dos Trotters no primeiro confronto havia saído das mãos de Robinson depois que o alarme de fim de jogo havia soado.

O público lotou o Chicago Stadium para a revanche, com 20.046 presentes, batendo o recorde que havia sido alcançado no primeiro duelo, e desta vez sem rodada dupla. Porém, os Lakers foram desfalcados de dois importantes jogadores, Jim Pollard e Don "Swede" Carlson estavam fora da partida contra os Globetrotters. O primeiro tempo foi mais uma vez dominado pelo Lakers, que foi para o intervalo com uma vantagem de 6 pontos. No segundo tempo, mais uma vez, os Trotters viraram para vencer por 49 x 45, regidos pelas sessões de dribles desconcertantes dados por Marques Haynes. Duas vitórias em dois jogos, os Globetrotters mudavam paradigmas vigentes no basquete e na sociedade.

Duas semanas depois, o Minneapolis Auditorium recebeu um público recorde de 10.122 expectadores, os Lakers jogaram completos, e desta vez mandaram no jogo, impondo uma confortável vitória por 68 x 53, quinze pontos de vantagem, sobre os Globetrotters. Desta vez, quem reinou com dribles desconcertantes, encantando o público, foi Don Forman. Foi a vez dos Lakers mostrarem aos Globetrotters que também jogavam um basquete de altíssimo nível.


O sucesso de público nos primeiros confrontos forçou os empresários a marcarem novos confrontos entre os Lakers e os Globetrotters nos anos seguintes. Mas os confrontos seguintes já foram sob uma nova conjuntura, que desfalcou a formação original do Harlem Globetrotters. Durante o verão de 1949, a Liga Nacional de Basquete (National Basketball League - NBL) e a Associação de Basquete da América (Basketball Association of America - BAA) se fundiram e formaram a NBA, a sigla em inglês para Associação Nacional de Basquete (National Basketball Association). A partir daí, e impactados pelas vitórias dos Trotters sobre os Lakers, um fato de extrema significância: a liga passou a aceitar jogadores negros. O Boston Celtics escolheu no Draft a Chuck Cooper, uma das estrelas do Harlem Globetrotters, abrindo a liga para jogadores de todas as raças. Na sequência, antes do início da temporada, o pivô dos Trotters, Nat “Sweetwater” Clifton, assinou com o New York Knicks.

O Minneapolis Lakers já não tinha mais a Mikan e a Pollard, ainda tiveram dificuldades diante de um Globetrotters que já estava mais concentrado em prover entretenimento e menos em jogar um basquete competitivo. Dois duelos em 1950, um em 1951 e mais um em 1952, e quatro vitórias dos Lakers sobre os Trotters.

Em janeiro de 1958, para atender aos saudosistas, os times se enfrentaram pela última vez. Os Lakers estavam mais debilitados e tinham tido seu recorde negativo de derrotas na NBA, por sua vez os Globetrotters tinham perdido suas estrelas para equipes da NBA e estavam totalmente imersos em malabarismos dentro da quadra. Neste cenário, foi um jogo muito mais de espetáculo, ao estilo Jogo das Estrelas, do que uma partida séria de basquetebol. As duas equipes não se preocuparam em nada com a defesa, bateram o recorde de pontuação da época e o Minneapolis Lakers venceu ao Harlem Globetrotters por 111 x 100.

LAKERS vs. GLOBETROTTERS

19 de fevereiro de 1948, Chicago Stadium: Globetrotters 61 x 59 Lakers
Trotters: Wilbert King (12), Marques Haynes (15), Babe Pressley (8), Ermer Robinson (17) e Reece Tatum (9).
Banco: Ted Strong (0), Ducky Moore (0), Vertes Ziegler (0) e Sam Wheeler (0).
Lakers: Herm Schaefer (5), Tony Jaros (2), Jim Pollard (18), Don Carlson (3) e George Mikan (24).
Banco: Johnny Jorgensen (1), Donald Smith (0), Jack Dwan (2) e Paul Napolitano (4).

28 de fevereiro de 1949, Chicago Stadium: Globetrotters 49 x 45 Lakers
Trotters: Marques Haynes (11), Babe Pressley (7), Ermer Robinson (6), Reece Tatum (14) e Nat Clifton (11).
Banco: Duke Cumberland (0), Ducky Moore (0), Sam Wheeler (0) e Sammy Gee (0).
Lakers: Herm Schaefer (6), Donnie Forman (6), Tony Jaros (2), Arnie Ferrin (7) e George Mikan (19).
Banco: Johnny Jorgensen (2), Ed Kachan (0), Jack Dwan (3) e Earl Gardner (0).

14 de março de 1949, Minneapolis Auditorium: Lakers 68 x 53 Globetrotters
Trotters: Marques Haynes (13), Babe Pressley (7), Ermer Robinson (2), Reece Tatum (13) e Nat Clifton (14).
Banco: Duke Cumberland (2), Sam Wheeler (2) e Sammy Gee (0).
Lakers: Herm Schaefer (11), Tony Jaros (0), Jim Pollard (9), Don Carlson (8) e George Mikan (32).
Banco: Johnny Jorgensen (0), Donnie Forman (0), Jack Dwan (0), Arnie Ferrin (8) e Earl Gardner (0).

21 de fevereiro de 1950, Chicago Stadium: Lakers 76 x 60 Globetrotters
Trotters: Marques Haynes (16), Babe Pressley (8), Ermer Robinson (7), Reece Tatum (4) e Nat Clifton (9).
Banco: Clarence Wilson (3), Johnny Wilson (2), Rookie Brown (2), Robert Crowe (8) e Bobby Milton (1).
Lakers: Slater Martin (4), Jim Pollard (12), Don Carlson (4), Vern Mikkelsen (13) e George Mikan (36).
Banco: Bob Harrison (4), Herm Schaefer (0), Tony Jaros (0), Billy Hassett (0), Arnie Ferrin (2) e Bud Grant (1).

20 de março de 1950, St. Paul Auditorium: Lakers 69 x 54 Globetrotters
Trotters: Marques Haynes (23), Babe Pressley (2), Ermer Robinson (2), Reece Tatum (1) e Nat Clifton (10).
Banco: Clarence Wilson (6), Thomas Sealy (0), Johnny Wilson (0), Rookie Brown (0), Bobby Milton (2) e Duke Cumberland (8).
Lakers: Slater Martin (5), Jim Pollard (16), Don Carlson (0), Vern Mikkelsen (18) e George Mikan (21).
Banco: Bob Harrison (0), Herm Schaefer (0), Tony Jaros (0), Billy Hassett (3), Arnie Ferrin (6) e Bud Grant (0).

23 de fevereiro de 1951, Chicago Stadium: Lakers 72 x 68 Globetrotters
Trotters: Marques Haynes (12), Babe Pressley (6), Ermer Robinson (18), Pop Gates (9) e Rookie Brown (11).
Banco: Clarence Wilson (4), Zach Clayton (4), Bobby Milton (1), Duke Cumberland (2) e Josh Grider (1).
Lakers: Slater Martin (10), Jim Pollard (5), Tony Jaros (3), Arnie Ferrin (3) e George Mikan (47).
Banco: Bob Harrison (3), Kevin O'Shea (1) e Bud Grant (0).

2 de janeiro de 1952, Chicago Stadium: Lakers 84 x 60 Globetrotters
Trotters: Marques Haynes (6), Babe Pressley (10), Sam Wheeler (11), Ermer Robinson (12) e Reece Tatum (13).
Banco: Clarence Wilson (6), Bobby Milton (1), Josh Grider (0), Showboat Hall (0) e Rookie Brown (1).
Lakers: Slater Martin (17), Whitey Skoog (5), Jim Pollard (6), Vern Mikkelsen (25) e George Mikan (25).
Banco: Bob Harrison (0), Joe Hutton (4), Howie Schultz (0) e Lew Hitch (2).

3 de janeiro de 1958, Chicago Stadium: Lakers 111 x 100 Globetrotters
Trotters: Charles Hoxie (17), Tex Harrison (13), Williams (8), J.C. Gipson (14) e Andy Johnson (37).
Banco: Clarence Wilson (2), Honey Taylor (0), Ermer Robinson (0), Thomas Spencer (4) e Roman Turmon (5) 
Lakers: Bob Leonard (12), Rod Hundley (7), Vern Mikkelsen (8), Jim Krebs (22) e Larry Foust (30).
Banco: Dick Garmaker (6), Walter Devlin (1), Art Spoelstra (1), Ed Fleming (15) e Dick Schnittker (9).



Veja também aqui: Os Harlem Globetrotters e a popularização mundial do basquete


sábado, 16 de julho de 2016

LA Lakers: de franquia mais galáctica da NBA às temporadas pífias



Lakers, talvez a franquia mais tradicional da NBA, certamente a que mais abrigou estrelas, ainda que muitas delas só tenham vindo a vestir o azul-amarelo já veteranos, em fim de carreira. O Los Angeles Lakers foi a franquia da NBA que mais se esforçou em montar super-elencos.

A história de títulos da franquia mudou a partir da conquista em 1980. Até ali, haviam sido 5 títulos como Minneapolis Lakers, nas temporadas 1948-49, 1949-50, 1951-52, 1952-53 e 1953-54. Depois da mudança para Los Angeles, havia conquistado um único título, na temporada 1971-72, uma equipe cujo quinteto titular era formado por Gail Goodrich, Jerry West, Jim McMillian, Happy Hairston e Wilt Chamberlain, com Pat Riley como sexto jogador.

Elencos por temporada a partir do título da Final da NBA em 1980.

1979-1980: 60-22, 4-1, 4-1 e 4-2 - Campeão
Magic Johnson, Norm Nixon, Jamaal Wilkes, Jim Chones e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Paul Westhead
Michael Cooper, Ron Boone, Kenny Carr, Spencer Haywood e Mark Landsberger

1980-1981: 54-28 e 1-2
Magic Johnson, Norm Nixon, Jamaal Wilkes, Jim Chones e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Paul Westhead
Michael Cooper, Eddie Jordan, Butch Carter, Mark Landsberger e Jim Brewer

1981-1982: 57-25, 4-0, 4-0 e 4-2 - Campeão
Magic Johnson, Norm Nixon, Jamaal Wilkes, Bob McAdoo e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Paul Westhead, depois Pat Riley
Michael Cooper, Clay Johnson, Mark Landsberger, Kurt Rambis e Jim Brewer

1982-1983: 58-24, 4-1, 4-2 e 0-4
Magic Johnson, Norm Nixon, Jamaal Wilkes, Kurt Rambis e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Pat Riley
Michael Cooper, Steve Mix, James Worthy, Mark Landsberger e Bob McAdoo

1983-1984: 54-28, 3-0, 4-1, 4-2 e 3-4
Magic Johnson, Michael Cooper, James Worthy, Bob McAdoo e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Pat Riley
Byron Scott, Mike McGee, Jamaal Wilkes, Kurt Rambis e Swen Nater

1984-1985: 62-20, 3-0, 4-1, 4-1 e 4-2 - Campeão
Magic Johnson, Byron Scott, James Worthy, Bob McAdoo e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Pat Riley
Michael Cooper, Mike McGee, Larry Springs, Kurt Rambis e Mitch Kupchak

1985-1986: 62-20, 3-0, 4-2 e 1-4
Magic Johnson, Byron Scott, James Worthy, Maurice Lucas e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Pat Riley
Michael Cooper, A.C. Green, Kurt Rambis, Mitch Kupchak e Petur Gudmundsson
* Petur Gudmundsson nasceu na Islândia

1986-1987: 65-17, 3-0, 4-1, 4-0 e 4-2 - Campeão
Magic Johnson, Byron Scott, James Worthy, A.C. Green e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Pat Riley
Michael Cooper, Wes Matthews, Adrian Branch, Kurt Rambis e Mychal Thompson

1987-1988: 62-20, 3-0, 4-3, 4-3 e 4-3 - Bi-campeão
Magic Johnson, Byron Scott, James Worthy, A.C. Green e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Pat Riley
Michael Cooper, Tony Campbell, Kurt Rambis, Mychal Thompson e Mike Smrek

1988-1989: 57-25, 3-0, 4-0, 4-0 e 0-4
Magic Johnson, Byron Scott, James Worthy, A.C. Green e Kareem Abdul-Jabbar
Téc: Pat Riley
Michael Cooper, David Rivers, Tony Campbell, Orlando Woolridge e Mychal Thompson

1989-1990: 63-19, 3-1 e 1-4
Magic Johnson, Byron Scott, James Worthy, A.C. Green e Mychal Thompson
Téc: Pat Riley
Michael Cooper, Larry Drew, Jay Vincent, Orlando Woolridge e Vlade Divac
* Vlade Divac nasceu na Sérvia (então Iugoslávia)

1990-1991: 58-24, 3-0, 4-1, 4-2 e 1-4
Magic Johnson, Byron Scott, James Worthy, Sam Perkins e Vlade Divac
Téc: Mike Dunleavy
Terry Teagle, Larry Drew, Elden Campbell, A.C. Green e Mychal Thompson

1991-1992: 43-39 e 1-3
Sedale Threatt, Byron Scott, James Worthy, A.C. Green e Vlade Divac
Téc: Mike Dunleavy
Tony Smith, Rory Sparrow, Terry Teagle, Sam Perkins e Elden Campbell

1992-1993: 39-43 e 2-3
Sedale Threatt, Byron Scott, James Worthy, A.C. Green e Vlade Divac
Téc: Randy Pfund
Tony Smith, Duane Cooper, Anthony Peeler, Sam Perkins e Elden Campbell

1993-1994: 33-49
Sedale Threatt, Nick Van Exel, George Lynch, Elden Campbell e Vlade Divac  
Téc: Randy Pfund, substituído nos últimos 16 jogos por Magic Johnson
Tony Smith, Doug Christie, Anthony Peeler, James Worthy e Kurt Rambis 

1994-1995: 48-34, 3-1 e 2-4
Nick Van Exel, Cedric Ceballos, Anthony Peeler, Elden Campbell e Vlade Divac 
Téc: Del Harris
Tony Smith, Eddie Jones, George Lynch, Anthony Miller e Sam Bowie

1995-1996: 53-29 e 1-3
Nick Van Exel, Cedric Ceballos, Eddie Jones, Elden Campbell e Vlade Divac 
Téc: Del Harris
Magic Johnson, Sedale Threatt, Anthony Peeler, George Lynch e Derek Strong

1996-1997: 56-26, 3-1 e 1-4
Nick Van Exel, Eddie Jones, Robert Horry, Elden Campbell e Shaquille O'Neal 
Téc: Del Harris
Byron Scott, Kobe Bryant, Jerome Kersey, Sean Rooks e Travis Knight

1997-1998: 61-21, 3-1, 4-1 e 0-4
Nick Van Exel, Eddie Jones, Rick Fox, Robert Horry e Shaquille O'Neal 
Téc: Del Harris
Derek Fisher, Kobe Bryant, Jon Berry, Corie Blount e Elden Campbell

1998-1999: 31-19, 3-1 e 0-4
Derek Fisher, Kobe Bryant, Rick Fox, Robert Horry e Shaquille O'Neal 
Téc: Del Harris, depois Kurt Rambis
Derek Harper, Tyronn Lue, Glen Rice, J.R. Reid e Sean Rooks

1999-2000: 67-15, 3-2, 4-1, 4-3 e 4-2 - Campeão
Ron Harper, Kobe Bryant, Glen Rice, Robert Horry e Shaquille O'Neal 
Téc: Phil Jackson
Derek Fisher, Brian Shaw, Rick Fox, A.C. Green e John Salley

2000-2001: 56-26, 3-0, 4-0, 4-0 e 4-1 - Bi-Campeão
Derek Fisher, Kobe Bryant, Rick Fox, Horace Grant e Shaquille O'Neal 
Téc: Phil Jackson
Ron Harper, Tyronn Lue, Brian Shaw, Robert Horry e Mark Madsen

2001-2002: 58-24, 3-0, 4-1, 4-3 e 4-0 - Tri-Campeão
Derek Fisher, Kobe Bryant, Rick Fox, Robert Horry e Shaquille O'Neal 
Téc: Phil Jackson
Lindsey Hunter, Brian Shaw, Devean George, Samaki Walker e Stanislav Medvedenko
* Stanislav Medvedenko nasceu na Ucrânia

2002-2003: 50-32, 4-2 e 2-4
Derek Fisher, Kobe Bryant, Devean George, Robert Horry e Shaquille O'Neal 
Téc: Phil Jackson
Jannero Pargo, Brian Shaw, Rick Fox, Stanislav Medvedenko e Mark Madsen

2003-2004: 56-26, 4-1, 4-2, 4-2 e 1-4
Derek Fisher, Gary Payton, Kobe Bryant, Karl Malone e Shaquille O'Neal 
Téc: Phil Jackson
Kareem Rush, Luke Walton, Rick Fox, Devean George e Stanislav Medvedenko

2004-2005: 34-48
Chucky Atkins, Kobe Bryant, Caron Butler, Lamar Odom e Chris Mihm
Téc: Rudy Tomjanovich, depois Frank Hamblen
Tierre Brown, Jumaine Jones, Luke Walton, Stanislav Medvedenko e Brian Grant

2005-2006: 45-37 e 3-4
Smush Parker, Kobe Bryant, Devean George, Lamar Odom e Kwame Brown
Téc: Phil Jackson
Sasha Vujacic, Luke Walton, Brian Cook, Chris Mihm e Andrew Bynum
* Sasha Vujacic nasceu na Eslovênia.

2006-2007: 42-40 e 1-4
Smush Parker, Kobe Bryant, Luke Walton, Lamar Odom e Andrew Bynum
Téc: Phil Jackson
Jordan Farmar, Maurice Evans, Brian Cook, Ronny Turiaf e Kwame Brown

2007-2008: 57-25, 4-0, 4-2, 4-1 e 2-4
Derek Fisher, Kobe Bryant, Lamar Odom, Vladimir Radmanovic e Pau Gasol 
Téc: Phil Jackson
Jordan Farmar, Sasha Vujacic, Luke Walton, Ronny Turiaf e Andrew Bynum
* Pau Gasol nasceu na Espanha. Vladimir Radmanovic nasceu na Bósnia. Sasha Vujacic nasceu na Eslovênia. 

2008-2009: 65-17, 4-1, 4-3, 4-2 e 4-1 - Campeão
Derek Fisher, Kobe Bryant, Trevor Ariza, Lamar Odom e Pau Gasol 
Téc: Phil Jackson
Jordan Farmar, Sasha Vujacic, Shannon Brown, Luke Walton e Andrew Bynum

2009-2010: 57-25, 4-2, 4-0, 4-2 e 4-3 - Bi-Campeão
Derek Fisher, Kobe Bryant, Lamar Odom, Ron Artest e Pau Gasol 
Téc: Phil Jackson
Jordan Farmar, Sasha Vujacic, Shannon Brown, Luke Walton e Andrew Bynum

2010-2011: 57-25, 4-2 e 0-4
Derek Fisher, Kobe Bryant, Ron Artest, Pau Gasol e Andrew Bynum
Téc: Phil Jackson
Shannon Brown, Matt Barnes, Steve Blake, Lamar Odom e Derrick Caracter

2011-2012: 41-25, 4-3 e 1-4
Ramon Sessions, Kobe Bryant, Steve Blake, Pau Gasol e Andrew Bynum
Téc: Mike Brown
Devin Ebanks, Matt Barnes, Ron Artest, Josh McRoberts e Jordan Hill

2012-2013: 45-37 e 0-4
Steve Nash, Kobe Bryant, Ron Artest, Pau Gasol e Dwight Howard
Téc: Mike Brown, depois Mike D'Antoni
Chris Duhon, Steve Blake, Jodie Meeks, Antawn Jamison e Earl Clark

2013-2014: 27-55
Kendall Marshall, Nick Young, Jodie Meeks, Wesley Johnson e Pau Gasol 
Téc: Mike D'Antoni
Jordan Farmar, Steve Blake, Ryan Kelly, Jordan Hill e Robert Sacre
Lesionados: Steve Nash e Kobe Bryant

2014-2015: 21-61 
Jeremy Lin, Kobe Bryant, Wesley Johnson, Jordan Hill e Carlos Boozer
Téc: Byron Scott
Jordan Clarkson, Wayne Ellington, Ryan Kelly, Ed Davis e Robert Sacre

2015-2016: 17-65 
D'Angelo Russell, Jordan Clarkson, Kobe Bryant, Julius Randle e Roy Hibbert
Téc: Byron Scott
Marcelinho Huertas, Lou Williams, Nick Young, Larry Nance Jr. e Brandon Bass

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Temporada 2000-01: LA Lakers fez a série play-off mais dominante da história da NBA

Quando uma equipe tem uma quadra de ataque tão dominante na NBA como aqueles Lakers do começo do século XXI, que combinava a genialidade e explosão jovial do Kobe Bryant à fortíssima presença física do gigante e dominante no garrafão Shaquile O'Neal, então este time está em uma ótima posição para conquistar o anel. Aquela equipe tinha toda uma genialidade ofensiva combinada a um eficiente sistema defensivo arquitetado por Phil Jackson, um líder capaz de administrar conflitos de super-egos, como era naquele Lakers, no qual Kobe e Shaq viviam às turras, sob constantes problemas de relacionamento.

O Los Angeles Lakers 2000-2001 combinava um ataque monstruoso e uma defesa temível, e ainda tinha um banco experiente. A soma de todos estes fatores levou à maior campanha de Pós-temporada (play-offs) que a NBA já viu, foram as séries mais dominantes que a liga profissional viu uma equipe fazer. E depois de ter terminado a temporada regular como 2º lugar da Conferência Oeste (56 v. e 26 d.) atrás do San Antonio Spurs (58 v. e 24 d.). Nas quartas de final da Conferência Oeste, o Lakers tinha pela frente ao Portland Trail Blazers, equipe com a 7ª melhor campanha do Oeste na Fase Regular.

O time do Trail Blazers era comandado pelo experiente treinador Mike Dunleavy. Na armação tinha Steve Smith e Damon Stoudamire; nas alas tinha Bonzi Wells e toda a experiência de Scottie Pippen, e para o jogo de garrafão tinha Rasheed Wallace, o lituano Arvydas Sabonis e Dale Davis. O Lakers se impôs nos dois primeiros jogos, no Staples Center, em Los Angeles, com vitórias por 106 x 93 e 106 x 88. Fechou a série "melhor de cinco" em Portland, com uma vitória por 99 x 86. Série fechada em 3 x 0.

Kobe serve Shaq, Lakers domina Trail Blazers

Na semi-final da Conferência, o adversário foi o Sacramento Kings, série "melhor de sete jogos". Os Kings tinham feito a 3ª melhor campanha do Oeste, tinham a armação de Doug Christie e Jason Williams, dois excelentes alas, o experiente Chris Webber, membro do Dream Team de 1992, e o croata, especialista em arremessos de três pontos, Predrag "Peja" Stojakovic; no garrafão o sérvio Vlade Divac e Scot Pollard, treinados por Rick Adelman, um técnico de muitos play-offs. Os Lakers se impuseram no Staples Center: 108 x 105 e 96 x 90. Em Sacramento, venceram fácil por 103 x 81, e fecharam em 4 x 0 com uma vitória por 119 x 113. Shaquile O'Neal foi o rei do garrafão e o diferencial na série.

Stojakovic e seu potente tiro da linha dos três pontos

Chris Webber era um ala quase imparável, Doug Christie era um dos melhores defensores da NBA, Peja um artífice na linha de três, e Vlade Divac era um pivô experiente e astuto, que carregava a experiência de ter jogado no Lakers ao lado de Magic Johnson no começo da década de 1990. Todos esperavam uma série dura, mas os Lakers impuseram sua segunda varrida consecutiva. O próximo adversário, na final da Conferência Oeste, era o San Antonio Spurs, das "Torres Gêmeas" David Robinson e Tim Duncan.

Kobe Bryant superando a marcação de Vlade Divac

Os Lakers tinham varrido os Blazers e os Kings, Shaquille O'Neal estava em seu auge de sua carreira, mas certamente, eles não deveriam ter a mesma facilidade diante dos Spurs, ainda mais porque a vantagem de mando de quadra era da turma de San Antonio.

A equipe do treinador Gregg Popovich combinava juventude e experiência. Os armadores eram Derik Anderson, Antonio Daniels e Avery Johnson, além do experiente Steve Kerr, nas alas estavam Danny Ferry e Sean Elliott, e o garrafão tinha os lendários Tim Duncan e David Robinson. Um grande time!

Mas o Los Angeles Lakers não tomou conhecimento, vencendo os dois primeiros jogos em pleno estado do Texas: 104 x 90 e 88 x 81. Incrível! Sean Elliott tentou com todas as suas forças, mas Kobe Bryant esteve imparável. Nesta série, em especial, Kobe mostrou o seu melhor, toda sua genialidade. Pá de cal no Staples Center: 111 x 72 e 111 x 82. Fechamento com chave de ouro! Três varridas: 3 x 0, 4 x 0 e 4 x 0. Lakers Campeão do Oeste!

As Torres Gêmeas não foram capazes de parar Shaq 

Agora era a vez de jogar a Final da NBA, contra Allen Iverson e o Philadelphia 76ers. Outra varrida? Haviam sido até ali 11 jogos de playoffs e 11 vitórias, surpreendente, irreal e sem rodeios, absolutamente e simplesmente dominante! Allen Iverson havia sido escolhido como MVP da temporada. Mas não era só isto, tinha muito mais: Larry Brown havia sido escolhido o melhor técnico da temporada, o pivô congolês Dikembe Mutombo, Jogador Defensivo da temporada, e Aaron McKie, escolhido o melhor sexto jogador. Seria isto tudo suficiente para que os Sixers mudassem aquele história?

O time de Larry Brown tinha Eric Snow, Aaron McKie e Allen Iverson na armação, George Lynch e Tyrone Hill como alas, e uma forte dupla de pivôs formada por Theo Ratliff e Dikembe Mutombo

Os 76ers logo mostraram seu cartão de visitas no jogo 1 da série, vencendo por 107 x 101 dentro de Los Angeles, na prorrogação, após um 94 x 94 no tempo normal. Mesmo com os 44 pontos e 20 rebotes de Shaq, quem foi dominante foi Allen Iverson, com incríveis 48 pontos.

Kobe Bryant tentando parar Allen Iverson 

No jogo 2, o Lakers fez 98 x 89. A série seguia para três jogos na Filadélfia. Oportunidade para Iverson e os Sixers conquistarem o anel? Mas não foi o que se viu. Shaquille O'Neal foi muito superior a Dikembe Mutombo, tornando-se a peça-chave de superioridade do Lakers, Kobe Bryant se impôs sobre Iverson, Rick Fox, Ron Harper e Derek Fisher, todos eles executaram exemplarmente a tática desenhada por Phil Jackson. Três vitórias do Lakers: 96 x 91, 100 x 86 e 108 x 96.

Kobe se impôs sobre Iverson e o Lakers acabou Campeão 

Kobe e Shaq foram geniais e diferenciais, mas o LA Lakers fez a série de play-offs mais dominante da história da NBA porque Phil Jackson montou um time equilibrado, forte, dominante e com um foco que só pode ser comparado ao de poucas equipes da história da NBA.

O time do Lakers tinha Brian Shaw e Kobe Bryant como armadores titulares, com o veterano Ron Harper e o jovem Derek Fischer no banco. Os alas titulares eram Rick Fox e o experiente Horace Grant, que assim como Ron Harper, já havia sido campeão junto a Phil Jackson no Chicago Bulls, e no banco tinha Robert Horry. E o "cincão", um "cincaço", era Shaquile O'Neal. Um time para a história!


Levou 16 anos para que uma equipe conseguisse igualar uma campanha tão dominante como esta na Pós-Temporada. O Golden State Warriors da temporada 2016-17, com Stephen Curry, Kevin Durant, Klay Thompson e Dreymond Green, igualou o desempenho, quando fez 4 x 0 no Portland Trail Blazers, 4 x 0 no Utah Jazz, 4 x 0 no San Antonio Spurs e 4 x 1 no Cleveland Cavaliers.


Veja também: Phil Jackson e os Onze Anéis

E veja aqui: LA Lakers, de franquia mais galáctica da NBA às temporadas pífias


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Lições de Phil Jackson: Onze Anéis




Abaixo, alguns trechos extraídos do livro:

O espírito vencedor precisa se preocupar com cada detalhe para obter a alta performance. Ditado norte-americano:

Por falta de um prego perdeu-se a ferradura
Por falta de uma ferradura perdeu-se um cavalo 
Por falta de um cavalo perdeu-se um cavaleiro
Por falta de um cavaleiro perdeu-se a mensagem
Por falta de uma mensagem perdeu-se a batalha 
Por falta de uma batalha perdeu-se o reino
E tudo por falta de um prego na ferradura  


"(...) me ocorreu que seria útil para os jogadores um curso sobre o basquete solidário, mas dessa vez com a perspectiva de Buda. Aproveitei então as sessões de treino e expus como o pensamento de Buda se aplicava ao basquete. Acho que a princípio perdi alguns jogadores, mas pelo menos isto acabou atenuando a pressão mental pela aproximação da pós-temporada.

Em poucas palavras, de acordo com Buda, a vida é sofrimento, e a principal causa disso é o desejo de que as coisas sejam diferentes do que realmente são. O que acontece em dado momento deixa de ocorrer no momento seguinte. E sempre sofremos quando tentamos prolongar o prazer ou rejeitar a dor. De uma perspectiva positiva, Buda também prescreveu uma forma prática para eliminar o desejo e a infelicidade através do chamado Nobre Caminho Óctuplo, cujas etapas consistem em visão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, estilo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta e concentração correta.

Os ensinamentos a seguir poderiam ajudar a explicar o que se deve tentar fazer como um time de basquete:

1. VISÃO CORRETA: olhar para o jogo como um todo e trabalhar em conjunto como uma equipe, como os cinco dedos da mão.

2. PENSAMENTO CORRETO: se ver a si mesmo como parte de um sistema, e não como o único integrante de uma banda. Isso também implica entrar em cada jogo com a intenção de se envolver intimamente com o que ocorre com toda a equipe, simplesmente porque se está estreitamente ligado a todos que a integram.

3. FALA CORRETA: aqui existem dois componentes. O primeiro diz respeito a falar positivamente para si mesmo e não se perder sem rumo nas falas de revide durante os jogos ("Odeio esse juiz"; "Vou dar um troco naquele safado"). O segundo diz respeito a controlar o que se fala quando se está conversando com os outros, especialmente os companheiros de equipe, e estar concentrado para sempre dar um retorno positivo a eles.

4. AÇÃO CORRETA: fazer movimentos apropriados ao que acontece na quadra, sem exibições repetidas e sem ações que perturbem a harmonia da equipe.

5. ESTILO DE VIDA CORRETO: respeito pelo trabalho e empreendê-lo a favor da comunidade e não apenas para lustrar o próprio ego. Seja humilde. Lembre-se de que está ganhando uma quantidade absurda de dinheiro para fazer algo realmente simples. E divertido.

6. ESFORÇO CORRETO: implica ser solidário e empregar a quantidade suficiente de energia para fazer o trabalho. Não há substitutos para raça, se você não tem raça, vai para o banco de reservas.

7. ATENÇÃO PLENA CORRETA: chegar a todos os jogos com uma compreensão clara do plano ofensivo e do que se espera do adversário. Implica ainda jogar com precisão, fazer os movimentos certos nos momentos certos, e manter a consciência desperta durante o jogo todo, quer se esteja na quadra ou no banco.

8. CONCENTRAÇÃO CORRETA: concentrar-se apenas no que se faz a cada momento, sem se obcecar com os erros cometidos anteriormente ou com o que poderá acontecer de ruim".


Geralmente as equipes campeãs cometem o erro de tentar repetir a fórmula vencedora. Mas isto raramente funciona, porque na temporada seguinte os adversários já estudaram todos os vídeos e já descobriram como combater as jogadas do time vencedor. A chave para a manutenção do sucesso é continuar evoluindo como equipe. Ganhar tem a ver com a busca do desconhecido e a criação do novo.