.

Mostrando postagens com marcador Oscar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oscar. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de julho de 2021

O histórico duelo Drazen Petrovic vs Oscar Schmidt em 1989


A Recopa Européia de Basquete de 1989 foi um momento épico e histórico pelo inesquecível confronto entre Oscar Schmidt e Drazen Petrovic. O brasileiro Oscar jogava pelo Snaidero Caserta, da Itália. O time nas oitavas passou pelo CSKA Sófia, da Bulgária, após vencer por 84 x 74 e por 103 x 80 (na soma dos dois jogos: 187 x 154). O Real Madrid, de Petrovic, passou pelo Glasgow Rangers, da Escócia. AS quartas de final foram jogadas em dois grupos de quatro clubes, com os dois primeiros de cada grupo avançando à semi-final. Caserta e Real Madrid caíram no mesmo grupo, que também tinha ao Hapoel Tel Aviv, de Israel, e ao Cholet, da França. O time de Madrid ficou em 1º lugar, com 5 vitórias e 1 derrota, e o time italiano ficou em 2º, com 3 vitórias e 3 derrotas. Na semi-final, o Real Madrid passou pelo Cibona Zagreb, da Iugoslávia, com duas vitórias por 97 x 91, e por 119 x 92. O Caserta enfrentou ao Zalgiris Kaunas, da União Soviética, perdendo o primeiro jogo por 86 x 84 e vencendo o segundo por 98 x 80 (na soma dos dois jogos: 182 x 166).

Clssificaram-se então para o duelo final. Duas matérias abaixo contam como foi...

Matéria publicada no site Trivela.com.br: "A lendária final entre Juve e Real Madrid que teve o brilho de Oscar Schmidt", escrita por Leandro Stein e publicada em 16 de fevereiro de 2018.

Em um país no qual a organização do basquete muitas vezes caminhou lado a lado com o futebol, algumas das maiores torcidas do Brasil tiveram o gosto de idolatrar Oscar Schmidt com as cores de seu clube (Flamengo, Corinthians, Palmeiras). O Mão Santa, como qualquer garoto brasileiro, gostava de chutar sua bola pelas ruas de Natal e até sonhou seguir a carreira pelos gramados. Entretanto, para a sorte do basquete nacional, seu destino foi outro e marcou a história da modalidade. As quadras ganharam o seu maior cestinha, que, por outras vias, pôde de brilhar por alguns dos gigantes do país.


Enquanto a carreira de Oscar quase sempre é exaltada por aquilo que viveu na Seleção Brasileira, vale lembrar que o craque também construiu uma trajetória excepcional por clubes. E não apenas no Brasil. Na mesma época em que a Itália desfrutava de seus anos dourados no futebol, com tantos astros internacionais povoando os estádios da Serie A, o Mão Santa protagonizou o mesmo efeito nas quadras. As décadas de 1970 e 1980 marcaram um período memorável para o basquete italiano, em que os times do país apareciam entre os melhores da Europa. O cestinha brasileiro era uma das estrelas internacionais que ajudaram a impulsionar este momento.

A passagem mais marcante de Oscar pelo basquete italiano aconteceu na JuveCaserta. Apesar do nome e das cores bianconeri, a equipe não tinha ligação direta com a Juventus do futebol. A escolha, de qualquer maneira, não tinha sido aleatória: seu fundador era tifoso fanático da Velha Senhora e fez a homenagem quando criou a agremiação, em 1951. No fim das contas, o tributo até poderia parecer um contrassenso, décadas depois. Afinal, Caserta fica na Campânia, sul da Itália, e boa parte dos seguidores desta Juve, na realidade, torcem também para o Napoli no futebol. Não à toa, entre os ilustres que costumavam visitar as quadras para assistir ao Mão Santa estava ninguém menos do que Diego Armando Maradona, em seu auge pelos celestes.


Ao contrário da Juventus homônima, a JuveCaserta não era tão bem sucedida na Serie A do basquete. Nos oito anos em que Oscar defendeu o clube, por mais que os bianconeri frequentassem os playoffs, não conquistaram o Scudetto. Foram duas vezes vice-campeões, derrotados nas finais pela poderosa Olimpia Milano – dos americanos Mike D’Antoni e Bob McAdoo. O único título de Oscar aconteceu em 1988, faturando a Copa Italia sobre a Varese. Por outro lado, individualmente, o brasileiro destoava. Em seis anos consecutivos ele terminou como cestinha do Campeonato Italiano, de 1984 a 1989. Magia que transformou o garoto Kobe Bryant – filho de Joe Bryant, que atuava na liga – em um de seus maiores fãs.

O ápice de Oscar na JuveCaserta aconteceu além das fronteiras. Por conta do título na Copa Itália, os bianconeri ganharam o direito de disputar a Recopa Europeia em 1988/89 – em campeonato de moldes parecidos com o que se via no futebol. Nas semifinais, os italianos eliminaram o fortíssimo Zalgiris Kaunas, do mito lituano Arvydas Sabonis. Já na decisão, o desafio da Juve era ninguém menos que o Real Madrid, potência do basquete espanhol. Aquela final costuma ser cultuada pelos fãs da modalidade como uma das maiores de todos os tempos. Inclusive, por aquilo que protagonizou Oscar no jogo disputado em Pireu, na Grécia.

Drazen x Oscar

Se a Snaidero JuveCaserta (chamada assim na época por questões de patrocínio) confiava em Oscar Schmidt, o Real Madrid também contava com o seu gênio: Drazen Petrovic, considerado um dos melhores da história do esporte. Meses antes, quando os merengues contrataram o iugoslavo junto ao Cibona Zagabria, também tentaram tirar o Mão Santa da Itália, mas ele preferiu reiterar seu vínculo com os bianconeri. Assim, os possíveis companheiros se tornaram adversários na decisão da Recopa. Fariam a diferença para as suas equipes.

Oscar foi magistral naquela partida. Anotou 44 pontos, com seis cestas de três, além de 16 lances livres convertidos em 17 arremessados. O problema é que Petrovic estava completamente impossível. Foram 62 pontos para o iugoslavo, com 12 cestas em 14 tentativas dentro do perímetro, além de oito bolas de três. Faltando 19 segundos, Oscar chegou a acertar uma cesta de três que empatou o jogo em 102 a 102. Acabaria forçando a prorrogação, com uma posse desperdiçada para cada lado no tempo restante. Petrovic cometeu um erro que quase colocou tudo a perder para os madridistas. Todavia, a JuveCaserta também não aproveitou os seis segundos que faltavam. No estouro do cronômetro, o armador Nando Gentile sofreu uma falta, mas os árbitros assinalaram que o relógio havia zerado no momento do contato.

Na prorrogação, quatro jogadores titulares dos bianconeri (incluindo Oscar e o próprio Nando Gentile) acabaram excluídos por ultrapassarem o limite de faltas, assim como dois merengues. Com o caminho livre, ficou mais fácil para Petrovic determinar o título do Real Madrid. O iugoslavo somou 11 pontos no período extra, determinando a vitória por 117 a 113. Entretanto, os questionamentos sobre a arbitragem pairaram entre os torcedores da Juve.

Petrovic deixou o Real Madrid já na temporada seguinte, juntando-se ao Portland Trail Blazers. Oscar, por sua vez, permaneceu na JuveCaserta por mais um ano, antes de se transferir à Pallacanestro Pavia. O Mão Santa ficou na Itália até 1993, antes de uma rápida passagem pelo Valladolid. Depois, voltaria ao Brasil, para encerrar a sua carreira atuando por Corinthians e Flamengo. Uma trajetória respeitabilíssima.


A história também foi contada pelo site argentino Basquet Plus, em publicação de 18 de janeiro de 2020:

A única temporada de Drazen Petrovic no Real Madrid deixaria momentos inesquecíveis. O melhor jogador fora da NBA naquele momento na maior equipe a contexto internacional. O yin e o yang, duas almas gêmeas moldadas com as mãos de um talentoso artesão. Nessa campanha houve um jogo que reteve todo o foco. Um enfrentamento entre duas potências do basquete em um ótimo momento. Um era do Leste da Europa e o outro era um brasileiro que todos conheciam pelo nome Oscar Schmidt.

O sul-americano jogava para o Snaidero de Caserta e o europeu para o conjunto merengue. O cenário era a final da Recopa de 1989 e o ringue estava montado. Não cabia um alfinete no ginásio e desde o primeiro minuto, ambos roubaram o show. De um lado o iugoslavo atacava a partir dos espaços que criava na defesa adversária, e do outro Oscar castigava com seus arremessos polidos pelos treinamentos diários nos quais tentava mais de 1.000 tiros.

Estes 45 minutos foram um espetáculo que curava todos os males e fazia qualquer um esquecer suas  dores. Petrovic terminou com 62 pontos, não tendo errado nenhum arremesso de dois pontos nem no 2º tempo nem na prorrogação. Pelo outro lado, Oscar converteu 44 arremessos (seis de três pontos) que não foram suficientes para freiar o furacão genial de Sibenik, aquele que no final do encontro sorriria com o troféu após o triunfo por 117 x 113.


A atuação de Petrovic seria uma das melhores da história e a do jogador sul-americano também não ficava muito atrás, mas tudo ficou relegado ao enfrentamento destas duas lendas, que depois tomaram caminhos muito distintos. Oscar Schmidt seguiria jogando um tempo mais na Europa, e Drazen, lamentavelmente, faleceria num acidente automobilístico no dia 7 de junho de 1993, justo quando a NBA começava a descobrir seu talento e a amá-lo.


Ficha do jogo:
14/03/1989 - Real Madrid 117 x 113 JuveCaserta
Parciais: 60 x 57 / 42 x 45 (102 x 102) / 15 x 11 (117 x 113)
Real Madrid: Drazen Petrovic (62), José "Chechu" Biryukov (20), Josep "Pep" Cargol (4), Fernando Romay (4) e Fernando Martin (11). Téc: Lolo Sainz. Banco: José Luis Llorente (0), Johnny Rogers (14) e Antonio Martin (2).
JuveCaserta: Vincenzo Esposito (2), Nando Gentile (34), Oscar Schmidt (44), Sandro Dell'Agnello (18) e Georgi Glushkov (13). Téc: Franco Marcelletti. Banco: Franco Boselli (2), Fulvio Polsello (0), Giuseppe Vitiello (0), Giacomantonio Tufano (0) e Massimilano Rizzo (0).


No time merengue, Drazen Petrovic jogou 45 minutos, José "Chechu" Biryukov jogou 41, o ídolo espanhol Fernando Martin jogou 40 minutos e Pep Cargol jogou 29 minutos. Estes quatro foram os que mais atuaram. Dentre os demais, Fernando Romay jogou 23 minutos, Antonio Martin jogou 22 e o norte-americano Johnny Rogers jogou 21. Também esteve em quadra o armador José Luis Llorente, mas este jogou apenas 4 minutos.
No time italiano, Oscar Schmidt jogou 44 minutos e fez 44 pontos, o búlgaro Georgi Glushkov jogou 43, Nando Gentile jogou 42 e Sandro Dell'Agnello também jogou 42 minutos. Estes tendo sido os que mais atuaram. Os minutos restantes foram divididos entre Vincenzo Esposito, com 19 minutos, Franco Boselli com 15, Fulvio Polsello com 12, Massimilano Rizzo com 5, Giuseppe Vitiello com 2 e Giacomantonio Tufano que jogou 1 minuto.



sábado, 5 de janeiro de 2019

Histórico do Brasil nas Olimpíadas até os Jogos de 2012

Três medalhas de bronze, 8 vezes entre os 5 melhores e muita história: Brasil carrega bom retrospecto Jogos Olímpicos e chega ao Rio 2016 com bela tradição na camisa

O Brasil tem muita história no basquete. E quanta história. Quando o assunto é Olimpíada, trata-se de uma tradição de 68 anos, que teve início em em Berlin, 1936, e foi até 2012, ano da última edição dos Jogos, em Londres. Neste período, foram 14 participações, oito classificações entre os cinco melhores e três medalhas, todas de bronze (1948, 1960 e 1964). Por isso, o site da LNB preparou um resumo sobre cada época da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos e das fases que a modalidade da bola laranja viveu no país.

1936 – O início

No primeiro torneio de basquete da história dos Jogos Olímpicos, em 1936, quando o basquete foi incrivelmente disputado em um campo, com grama e tudo, a Seleção Brasileira não teve boa participação e ficou na última colocação (9º), com campanha de duas vitórias e três derrotas. Depois disso, teve início uma fase dourada do basquete nacional.

1948 – A primeira medalha

Em 1948, no México, veio a primeira medalha. Desta vez dentro de quadra e com a participação de 23 seleções, o Brasil venceu sete das oito partidas que disputou, terminou na terceira colocação e conquistou sua primeira medalha na história, um honroso bronze, liderado por Algodão, Alfredo da Motta e Nilton Pacheco e comandado por Moacyr Daiuto – Veja mais detalhes na série #BrasilÉHistória.

1960 – Bronze de novo

Depois duas edições ficando em sexto (1952 e 1956), a Seleção voltou a subir no pódio e colocar uma medalha no peito em 1960, em Roma. Com Amaury Pasos, Wlamir Marques e sob o comando do lendário técnico Togo Renan Soares, o “Kanela”, o esquadrão verde-amarelo terminou a competição em terceiro e deu ao basquete brasileiro sua segunda medalha olímpica – outro bronze – Veja mais detalhes na série #BrasilÉHistória.

1964 – Feito repetido

Essa geração de Kanela, Amaury e Wlamir, junto de Rosa Branca, Ubiratan, Mosquito e Cia, também alcançou o incrível feito de se sagrar bicampeã mundial (1959 e 1963). Em 1964, esta equipe voltou a faturar uma medalha olímpica na edição seguinte dos Jogos, em Tóquio. Esta fase foi histórica para o basquete brasileiro, a mais vitoriosa de todos os tempos, e foi chamada de “Anos Dourados” – Veja mais detalhes na série #BrasilÉHistória.

1968 – Fim da “Era Kanela”

Na Olimpíada seguinte, em 1968, na Cidade do México, a Seleção contou com um desfalque crucial – Amaury Pasos, que deu seu último passo como jogador no Mundial do ano anterior (1967), no qual o Brasil ficou com a medalha de bronze. Sem um de seus principais jogadores, a equipe verde-amarela ficou na quarta posição, sem medalha, e a Era de Togo Renan Soares, o “Kanela”, chegou ao fim. – Veja mais detalhes na série #BrasilÉHistória.

1972 – Nova fase

Depois do fim da Era Kanela, sem Amaury e Wlamir, o Brasil passou por uma reformulação, impulsionada pelo surgimento de novos craques, como Marquinhos Abdalla, Radvilas, Adilson e Dodi. Contando também com os já “experientes” Hélio Rubens, Menon, Edvar Simões, Ubiratan e Rosa Branca, a Seleção sofreu com os tropeços e terminou os Jogos Olímpicos de 1972, em Munique, na sétima colocação.

1976 – Tropeço

Já em 1976, o Brasil ficou de fora da Olimpíada pela primeira vez na história. Ao não se classificar na eliminatória das Américas, o time verde-amarelo foi ao Pré-Olímpico Mundial e, mesmo após bater Israel, Islândia, Tchecoslováquia e Finlândia, perdeu para México e Espanha na fase final do torneio e não obteve a combinação de resultados que o colocaria nos Jogos e ficou de fora da edição de Montreal.

1980 – Nova safra

Mas as coisas mudaram em 1980.  Sob o comando do lendário Ary Vidal, a Seleção voltou às cabeças ao contar com uma safra de verdadeiros craques, como Cadum, Marcelo Vido, Marcel e Oscar Schmidt. Em Moscou, a Seleção chegou até a fase semifinal, venceu Cuba e Itália, mas perdeu para Espanha e a campeã Iugoslávia, este de maneira dramática, e terminou em quinto – Veja mais detalhes na série #BrasilÉHistória.

Oscar Schmidt, por sua vez, foi o quinto cestinha desta edição dos Jogos, com média de 24,1 pontos por jogo – o primeiro foi Ian Davis (AUS), com 29,3 de média. Na Olimpíada de 1984, quando o Brasil não passou da primeira fase e ficou na nona colocação, o “Mão Santa” repetiu a média de 24,1 e ficou na terceira posição do ranking. Já nas três edições seguintes (1988, 1992, 1996), terminou como cestinha com as seguintes médias: 42,3 ppj, 24,8 ppj e 27,4 ppj.

1988 – Por pouco

Dissecando as respectivas edições, começaremos por 1988, em Seul, Coréia do Sul. Depois de conquistar o histórico e épico Pan de 1987 em Indianápolis, a Seleção Brasileira chegou com moral nos Jogos Olímpicos de 88. Na primeira fase, a Seleção classificou-se na terceira colocação de seu grupo. Dos cinco jogos que fez, a equipe registrou mais de 100 pontos em quatro jogos, o que mostrava a potência do ataque verde-amarelo.

Já nas quartas de final, a adversária foi ninguém menos que a União Soviética, campeã daquela edição. A derrota suada para o time da lenda Arvydas Sabonis nas quartas, 110 a 105, jogou o Brasil para a disputa de 5º ao 8º lugar. Na disputa, venceu Porto Rico na “semifinal” (104 a 86) e Canadá na “final” (106 a 90) e ficou com o quinto lugar dos Jogos Olímpicos de Seul 1988.

1992 – De novo em 5º

Em seguida, na Olimpíada de 1992, em Barcelona, o Brasil terminou a fase de grupos da terceira colocação da chave A, com derrotas apenas para o épico “Dream Team” dos Estados Unidos, de Jordan, Magic Johnson e Cia, e para a Croácia, de Drazen Petrovic, Tony Kukoc e Dino Raja. Os dois foram finalistas desta edição.

Assim como na edição anterior, a Seleção caiu nas quartas de final para a agora Lituânia, novamente de Arvydas Sabonis, com derrota, por 114 a 96. Outro resultado idêntico a 1988, o Brasil venceu Porto Rico na “semi” da disputa de 5º a 8º e repetiu o quinto lugar na Olimpíada ao ganhar da Austrália na “decisão”, pelo placar de 90 a 80.

1996 – Fim de uma Era

A partir dessa época o basquete brasileiro já passava por um processo de decadência, com diversos clubes fechando suas portas e uma “crise” sendo instalada. Na Olimpíada de 1996, em Atlanta, a Seleção tinha Oscar Schmidt em sua última aparição, Demétrius Ferracciú, Rogério Klafhke, Josuel, Pipoka, Ratto, e outros. Na primeira fase, o Brasil venceu dois jogos, contra Coreia do Sul e Porto Rico, e conseguiu a classificação suada na quarta colocação.

No entanto, a eliminação nas quartas de final foi não foi evitada pela terceira edição consecutiva das Olimpíadas para os brasileiros. Diante dos Estados Unidos, a Seleção foi derrotada (98 a 75) e deu adeus à sua última participação nos Jogos das próximas duas décadas na sexta colocação. +Veja mais detalhes desta edição dos Jogos na série #BrasilÉHistória

É certo que o responsável por despachar o Brasil em 96 não era “aquele” Dream Team de 92, mas o time norte-americano formado por Charles Barkley, Scottie Pippen, Penny Hardaway, Reggie Miller, John Stockton, Karl Malone, Hakeem Olajuwon, Shaquille O’Neal, David Robinson, Grant Hill, Mich Richmond e Gary Payton também foi imbatível e ficou com o ouro.

Meados dos anos 2000 – A crise

Depois do fim da trajetória nos Jogos de 1996, o basquete brasileiro passou por um período de crise no final da década de 90 e meados dos anos 2000. Durante este período, a Seleção amargou maus desempenhos nos Mundiais de 1998, 2002 e 2006 (10º, 8º e 17º lugares, respectivamente), além de nenhuma classificação às Olimpíadas. Entre outros acontecimentos, a modalidade da bola laranja ficou com uma imagem bastante negativa.

2008 – A volta por cima

Visando melhorar a imagem do basquete e colocá-lo no lugar que ele merece, os clubes se uniram e, em 2008, fundaram a Liga Nacional de Basquete (LNB), responsável pela criação do principal campeonato nacional do país na modalidade, o Novo Basquete Brasil (NBB), que depois de oito temporadas trouxe diversos ganhos ao esporte da bola laranja em solo brasileiro, dentre eles a volta do Brasil às Olimpíadas.

2011 – O retorno

Sob o comando do argentino Rubén Magnano e com sete atletas que atuavam no NBB CAIXA, a Seleção Brasileira se agigantou em solo argentino em 2011, ficou com o vice-campeonato do Pré-Olímpico de Mar Del Plata e conquistou a tão sonhada vaga nos Jogos Londres 2012, o que colocou fim ao incômodo jejum de 16 sem ir a uma Olimpíada, mais um reflexo da nova fase que a modalidade da bola laranja vive nos tempos atuais.

2012 – Belo papel

Em Londres 2012, o Brasil entrou com força máxima e colocou em quadra nada menos que seis atletas do NBB CAIXA (Alex, Marquinhos, Marcelinho, Guilherme Giovannoni, Larry Taylor e Caio Torres). Na primeira fase, ganhou da Austrália (75 a 71), Grã-Bretanha (67 a 62), China (98 a 52) e Espanha (88 a 82), e sofreu uma fatídica derrota para a Rússia, no último segundo, por 75 a 74. Desta forma, a Seleção ficou na segunda posição do Grupo B e foi às quartas de final.

O adversário era ninguém menos que a Argentina, que conseguiu uma classificação na terceira colocação do Grupo A, com derrotas para Estados Unidos e França, e vitórias sobre Lituânia, Nigéria e Tunísia. Na partida, o Brasil não conseguiu parar Scola, Ginobili, Delfino e Cia. e caiu para seu maior rival, pelo placar de 81 a 77, e foi eliminado dos Jogos Londres 2012. Como teve a melhor campanha entre os eliminados nas quartas, a equipe de Magnano terminou os Jogos em quinto.



Confira as colocações da Seleção Brasileira em todas os Jogos Olímpicos na história:

1936 – Berlim (Alemanha) – 9º

1948 – Londres (Inglaterra) – 3º (Bronze)

1952 – Helsinki (Finlândia) – 6º

1956 – Melbourne (Austrália) – 6º

1960 – Roma (Itália) – 3º (Bronze)

1964 – Tóquio (Japão) – 3º (Bronze)

1968 – Cidade do México (México) – 4º

1972 – Munique (Alemanha) – 7º

1976 – Montreal (Canadá) – não se classificou

1980 – Moscou (União Soviética) – 5º

1984 – Los Angeles (Estados Unidos) – 9º

1988 – Seul (Coréia do Sul) – 5º

1992 – Barcelona (Espanha) – 5º

1996 – Atlanta (Estados Unidos) – 6º

2000 – Sidney (Austrália) – não se classificou

2004 – Atenas (Grécia) – não se classificou

2008 – Pequim (China) – não se classificou

2012 – Londres (Inglaterra) – 5º


Fonte: Liga Nacional de Basquete

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

As Olimpíadas da Era Oscar Schmidt para o basquete brasileiro


#BrasilÉHistória – 1980

Após o fim da Era Kanela, o Brasil encarou um sétimo lugar em 72, ficou fora das Olimpíadas em 76, e, renovado, retornou ao torneio olímpico em território soviético, em 80, na quinta colocação.

Com o fim da Era Kanela - sem Amaury Pasos e Wlamir Marques - a Seleção Brasileira de Basquete sofreu com as reformulações de uma ótima safra e passou tempos complicados no auge do período ditatorial que o Brasil vivia. Com novos atletas, a equipe nacional retorna aos Jogos Olímpicos de Moscou e, em quinto lugar, ressurge no cenário mundial do esporte.

Após a quarta colocação em 1968, o elenco verde e amarelo nas Olimpíadas de 1972 foi treinado por Pedroca, do Clube de Bagres, em Franca. A Seleção era formada por Hélio Rubens, Edvar Simões, Mosquito, Menon, Adilson, Dodi, Marquinhos Abdalla e Bira. No começo, o conjunto brasileiro conseguiu boas vitórias, inclusive diante da Tchecoslaváquia, por 83 a 82, todavia sofreu três derrotas seguidas e acabou na sétima colocação da competição.

Em 1976, o Brasil não se classificou pela primeira qualificatória das Américas. Então, partiu para a segunda tentativa, e na fase preliminar bateu a Israel, Islândia, Tchecoslováquia, Finlândia, e perdeu para a Iugoslávia. A equipe brasileira foi para a fase final acumulando uma vitória e uma derrota da última etapa. Porém, após perder para México e Espanha, a Seleção precisava de uma combinação de resultados e, mesmo ganhando da Espanha, não se classificou para as Olimpíadas de Montreal no Canadá.

Após este fracasso, Ary Vidal colocou a Seleção nos trilhos novamente, ao vencer o Campeonato Sul-Americano e alcançar a terceira posição no Mundial de 1978. Ao deixar a equipe brasileira, o técnico Cláudio Mortari, ex-treinador do Sírio, assumiu a posição no Pré-Olímpico de 1980. Os Estados Unidos da América boicotaram o torneio na União Soviética, pois viviam um momento de tensão política - a Guerra Civil - e com este impacto geopolítico e ideológico, o Brasil se beneficiou e assim rumou às terras ‘socialistas’ lideradas por Brezhnev.

Nas Olimpíadas de Verão em Moscou (1980) o regulamento foi novamente mudado. Doze equipes se classificaram e foram divididas em três grupos, ficando quatro seleções em cada um deles. Seis se classificavam para um grupo único na fase final. Portanto, dois times se classificavam por conjunto. A Seleção Brasileira foi sorteada para o Grupo A, composto por União Soviética, Tchecoslováquia e Índia.

Neste grupo da morte, o Brasil começou bem ao bater a difícil equipe da Tchecoslováquia, porém, logo depois a União Soviética - de Belov, Myshkin e Tkatchenko - que vinha com um favoritismo absurdo, principalmente por jogar em casa, conseguiu outra vitória no grupo diante do Brasil. No último desafio, a equipe verde e amarela bateu a Índia e se classificou.

Confira os resultados dos jogos da Seleção Brasileira na primeira fase:

Brasil 72 x 70 Tchecoslováquia – Marcel 18 pontos e 11 rebotes, Oscar Schmidt 23 pontos e nove rebotes
Brasil 88 x 101 URSS – Belov e Oscar Schmidt 25 pontos
Brasil 137 x 64 Índia – Oscar Schmidt 26 pontos e 13 rebotes, Marquinhos Abdalla 22 pontos e 12 rebotes

No Grupo B, a Iugoslávia - prata na Olimpíada anterior e melhor ataque da competição - e a Espanha desbancaram a Polônia e Senegal da competição. Como primeiros colocados, foram para a fase final no grupo único. No Grupo C, Itália e Cuba foram à fase final após baterem a Austrália e a Suécia. Portanto, as seis equipes mais bem colocadas formaram um grupo único e levaram os resultados diretos entre si para a fase seguinte, e fizeram mais quatro partidas que definiriam os classificados para a disputa do primeiro lugar e do bronze.

Como o Brasil já havia perdido para o país sede, já começava a fase semi-final com uma derrota. Seu primeiro adversário foi a seleção de Cuba e, com dificuldade, o Brasil venceu de forma emblemática. Depois desta partida, o Brasil encarou a Espanha, no dia 26 julho, e o resultado não foi o esperado. Ainda assim, no dia seguinte, a equipe se redimiu do apagão e bateu a difícil seleção italiana. No último confronto desta fase, a Seleção Brasileira enfrentou a Iugoslávia - invicta, melhor defesa e a melhor equipe da competição - e, novamente de forma icônica, perdeu por um ponto (Oscar Schmidt nunca deixou de falar desta bola nos segundos finais).

Confira os resultados das semi-finais:

Brasil 94 x 93 Cuba – Oscar Schmidt 24 pontos e Marquinhos Abdalla 22 pontos
Brasil 81 x 110 Espanha – Huguesis (ESP) 33 pontos e Marquinhos Abdalla 17 pontos
Brasil 90 x 77 Itália – Oscar Schmidt 33 pontos e Marquinhos Abdalla 20 pontos
Brasil 95 x 96 Iugoslávia – Dalipagic (IUG) 26 pontos e Oscar Schmidt 22 pontos

Nesta competição, Oscar Schmidt foi o cestinha da Seleção (24,1 pontos por jogo), seguido por Marquinhos Abdalla (17,6 ppj), Marcel (17,1 ppj) e Milton Setrini, o Carioquinha (14,9 ppj). O torneio foi inaugural para Oscar Schmidt e para Marcel, dois dos mais completos jogadores que já passaram pela Seleção Brasileira. Esta foi a última Olimpíada para a qual João Carlos Saiani, André Stoffel, Gilson e Wagner da Silva foram convocados. No final, um quinto lugar. A equipe brasileira disputou uma sequência de seis edições seguidas de Olimpíadas, tendo em quatro delas terminado na mesma quinta posição.

O otimismo voltou a rondar o país e contagiou até o antigo técnico bi-campeão mundial, Kanela. Em entrevista à revista Placar (ed. 827, de 31/mar/86) ele afirmou: “nunca vi tanto craque. Depois dos bicampeões apareceram alguns bons jogadores, mas nenhum da capacidade de Amaury, Wlamir, Ubiratan, Menon e Waldemar. Hoje em dia, porém, vejo que estão surgindo jogadores com potencial que me fazem lembrar aquele time. (…) Gérson e Pipoka são geniais (…) temos Marcel que é um gênio como foram Wlamir e Amaury, e Oscar, que aprendeu a encestar quando estava ainda na barriga da mãe (…) Maury, irmão do Marcel, também é um monstro“, declarou Togo.



#BrasilÉhistória – 1996

Após a renovação da "Era Pós-Kanela", a Seleção Brasileira comandada por Oscar, Marcel e Pipoka teve seu fim em Atlanta, em 1996, novamente nas quartas de final.

Em 1984, a Seleção Brasileira caiu na primeira fase, mas logo após este resultado se reergueu como potencia mundial ao vencer os Estados Unidos no icônico Pan-Americano de 1987. Após o incrível resultado, o Brasil caiu nas quartas de finais três vezes seguidas e aquela geração teve seu fim nas Olimpíadas de 1996 na sexta colocação.

Na década de 80, a equipe brasileira sofreu altos e baixos em pouco tempo. Após o fracasso em Los Angeles, a Seleção obteve um grande acréscimo em seu plantel, com a adição de Pipoka, Paulinho Villas-Boas e Rolando, atletas que conquistaram o bronze no Mundial sub-19 em 1983. Já em 1987, em pleno Pan-Americano de 1987, nos Estados Unidos, a Seleção Brasileira foi a primeira equipe a conquistar uma vitória em território norte-americano. Com 46 pontos de Oscar, a vitória na final do torneio aconteceu por 120 a 115, e a conquista do ouro pelo elenco verde e amarelo foi um marco.

Depois deste incrível desempenho da Seleção, em 1988, Oscar e Marcel já despontavam no cenário mundial e tinham grande função dentro da equipe. Nesta década o basquete brasileiro também passou a ser bastante exportado e vários jogadores trocaram as equipes brasileiras por campeonatos europeus. Nas Olimpíadas da Coreia a equipe verde e amarela, comandada pelo técnico Ary Vidal, tinha como principal arma o “Mão Santa”, que iniciou sua série de competições como cestinhas nesta Olimpíada.

A equipe começou bem no Grupo A, bateu a Canadá, China, Egito, mas perdeu para os EUA e para a Espanha, num jogo decisivo em que Oscar anotou 55 pontos (maior pontuação individual na história das Olimpíadas). Precisava ter vencido este jogo para não encontrar a URSS na fase seguinte. Todavia, o algoz novamente apareceu e a Seleção Brasileira caiu mais uma vez nas quartas de final. Mais tarde venceu Porto Rico e Canadá, ficando na quinta colocação da competição.

Confira os jogos do Brasil nas Olimpíadas de 1988:

Grupo B
Brasil 125 x 109 Canadá
Brasil 130 x 108 China
Brasil 87 x 102 EUA
Brasil 138 x 85 Egito
Brasil 110 x 118 Espanha

Fase Final
Brasil 105 x 110 URSS
Brasil 104 x 86 Porto Rico
Brasil 106 x 90 Canadá – 5º Lugar

Neste torneio, Oscar Schmidt selou sua história no basquete mundial. Em oito jogos, o “Mão Santa” anotou 338 pontos (acumulou uma média de 42,3 pontos por partida em Seul), fez apenas três jogos com menos de 40 pontos e se tornou o maior cestinha da história das Olimpíadas. Seu aproveitamento dentro de quadra ainda superava os 56% e sua marca de 55 pontos foi imortalizada.

Em 1992, após outra troca de treinador, a Seleção Brasileira voltou a alcançar a quinta colocação do torneio. Com uma derrota para Espanha, por um ponto, sendo a única equipe a perder para o time espanhol naquela competição, o Brasil se classificou em terceiro e na outra chave pegou a Lituânia, ex-União Soviética. Novamente, o Brasil foi eliminado do torneio, alcançando mais um quinto lugar após vencer a Porto Rico e Austrália.

Confira os jogos do Brasil nas Olimpíadas de 1992:

Grupo A
Brasil 76 x 93 Croácia
Brasil 100 x 101 Espanha
Brasil 76 x 66 Angola
Brasil 83 x 127 EUA
Brasil 85 x 76 Alemanha

Fase Final
Brasil 96 x 114 Lituânia
Brasil 86 x 84 Porto Rico
Brasil 90 x 80 Austrália – 5º Lugar

Esta foi a última olimpíada em que Marcel participou. Aos 35 anos, o atleta anotou dois jogos com 12 ou mais pontos na competição e deu adeus a equipe. Uma reformulação foi feita para os anos seguintes, até Oscar ficou um tempo fora do elenco. Até que Ary Vidal, voltando a Seleção em 1995, retornou a convocar Oscar. Em Atlanta, a equipe titular tinha: Ratto, Fernando Minucci, Rogério Klafke, Oscar Schmidt e Josuel.

O mesmo formato foi mantido e as equipes foram divididas em dois grupos compostos por seis nações distintas. No Grupo B, o Brasil se reunia com a Iugoslávia (que havia ficado fora por um tempo do cenário mundial por causa de sua guerra civil), Austrália, Grécia, Porto Rico e Coréia do Sul.

Na primeira partida, o Brasil obteve uma boa vitória diante de Porto Rico, mas logo em seguida a equipe verde e amarela caiu para a Grécia, em um jogo muito disputado. Nos dois jogos seguintes, a Seleção Brasileira não teve chances contra Iugoslávia e Austrália, mas no último confronto conseguiu bater a Coréia do Sul, classificando-se na quarta colocação.

Confira os jogos do Brasil na primeira fase:

Grupo B
Brasil 101 x 98 Porto Rico
Brasil 87 x 89 Grécia
Brasil 101 x 109 Austrália
Brasil 82 x 101 Iugoslávia
Brasil 127 x 97 Coreia do Sul

Do outro lado, o Grupo A, continha Estados Unidos, Lituânia, China, Croácia, Angola e Argentina. Com facilidade e unanimidade, os EUA passaram na primeira posição e enfrentaram a equipe canarinho nas quartas de final da competição. A a equipe verde e amarela perdeu por 98 a 75, e foi brigar pelo quinto lugar. Venceu a Croácia por 80 a 74, mas perdeu para a Grécia por 91 a 72, ficando na sexta colocação.

A conjuntura mundial dificultou a situação para o Brasil. A União Soviética se dividiu e duas grandes potências no basquete foram criadas: a Lituânia e a Rússia. Isso aconteceu também na Iugoslávia, que formou a Sérvia e a Croácia. Além disso, Grécia e Argentina formavam outras potências emergentes no basquete mundial.

Esta foi a última Olimpíada de Oscar Schmidt, que terminou como cestinha novamente, e de todos aqueles que estavam no time. Nenhum jogador repetiu o feito pois não conseguiram a classificação. A renovação aconteceu mais tarde e o técnico Ary Vidal saiu da equipe, abrindo espaço novamente para a volta de Hélio Rubens.



Fonte: Liga Nacional de Basquete

quarta-feira, 6 de março de 2013

Seleção Brasileira de 1991 a 1999

História da Seleção Brasileira de Basquete Masculino
Brazilian Male Basketball Team's History
Historia de la Seleción Brasileña de Baloncesto

Depois do 5º lugar no Mundial de 1990, em Buenos Aires, a Seleção Brasileira mudou de mão mais uma vez, saiu Hélio Rubens e entrou José Medalha.

O trabalho começou com resultados preocupantes, depois de ser vice-campeão sul-americano, ficou com o 5º lugar nos Jogos Pan-Americanos de 1991, em Havana, Cuba. O time sentiu a ausência de seu principal jogador, pois Oscar não pode disputar os torneios por conta de uma lesão. O time de Medalha jogou com Maury, Marcel, Paulinho Villas-Bôas, Pipoka e Josuel como titulares, Guerrinha, Fernando Minucci, Gérson Victalino e Rolando Ferreira estavam na reserva. O Brasil venceu Uruguai, Canadá, México, Porto Rico, Argentina e Venezuela, mas acabou eliminado nas Quartas de Final do Pan 91 para Cuba (92 x 96).

Em 1992, o Brasil ficou em 3º lugar no Pré-Olímpico, disputado em Portland, nos EUA, classificando-se para os Jogos de Barcelona. Venceu Porto Rico (95 x 72), Venezuela (128 x 81), México (90 x 87), Uruguai (139 x 93). Perdeu as semi-finais para a Venezuela, do jogador da NBA Carl Herrera, por 91 x 100, e na decisão de 3º lugar, que definia a vaga, venceu novamente Porto Rico (apertadíssimos 93 x 91).

Oscar e Marcel: maiores pontuadores da história do basquete brasileiro

Os comandados de José Medalha nos Jogos Olímpicos de Barcelona eram Maury, Marcel, Oscar, Gérson e Pipoka como titulares, com Guerrinha, Cadum, Fernando Minucci, Paulinho Villas-Bôas, Israel, Josuel e Rolando no banco. A campanha brasileira nas Olimpíadas de 1992 começou com derrotas por 76 x 93 para a Croácia e por 100 x 101 para a Espanha, depois vitória por 76 x 66 em Angola, e mais duas derrotas: 83 x 127 para os EUA (o Dream Team de Michael Jordan, Magic Johnson e cia.) e por 96 x 114 para a Lituânia. Para fechar, vitórias por 86 x 84 em Porto Rico e por 90 x 80 sobre a Austrália para garantir mais um 5º lugar para a Seleção Brasileira.

Depois de três competições seguidas sem conseguir estar presente entre os 4 primeiros colocados (Olimpíadas 88, Mundial 90 e Olimpíadas 92), a Confederação Brasileira decidiu mexer novamente no comando, tendo trocado José Medalha por Ênio Vecchi. A missão agora era fazer a transição da geração de Oscar, Marcel e Israel para uma nova safra. Ênio Vecchi chegava com o respaldo de seu trabalho nas divisões de base da Seleção. Mas a nova geração era essencialmente de Franca: Chuí (Marco Aurélio Pegolo), Demétrius Ferracciú, Fernando Minucci, Rogério Klafke e Janjão (Joélcio Joerke) foram as apostas de renovação.

Em 1993, no Pré-Mundial, o time jogou com Maury, Chuí, Fernando Minucci, Pipoka e Josuel como quinteto titular; Ratto (André Luís Fonseca), Demétrius, Rogério, Rolando e Janjão eram os reservas, Luís Fernando e Carlos Henrique Nascimento (Olívia) também faziam parte do grupo. O Brasil se classificou, mas com um resultado nada bom: 4º lugar. O time venceu República Dominicana, Panamá e Cuba, mas perdeu para Venezuela, Porto Rico e Argentina. Era o prenúncio do péssimo resultado que estava por vir.

No Mundial de 1994, em Toronto, no Canadá, o Brasil ficou em 11º lugar, com uma péssima campanha. Com Maury, Paulinho Villas-Bôas, Rogério Klafke, Pipoka e Josuel como titulares, e Ratto, Márcio Azevedo, Fernando Minucci, Rolando Ferreira, Janjão e Olívia. Nos 7 primeiros jogos do Mundial, o Brasil conseguiu 6 derrotas, tendo perdido até para Angola. Perdeu por 93 x 97 para a China, por 67 x 73 para a Espanha, por 68 x 111 para os EUA, venceu por 82 x 76 a Cuba, e perdeu por 76 x 96 para a Alemanha, por 78 x 79 para Angola e por 85 x 90 para a Espanha. Na decisão de 11º lugar, venceu a Alemanha por 93 x 71. Um péssimo resultado, catastrófico! Falha total na condução da renovação do time.

Para apagar o incêndio, Ary Vidal foi novamente convocado para comandar a Seleção. E com ele o Brasil conseguiu classificar-se para as Olimpíadas de Atlanta, em 1996. Aquela seria a última participação olímpica do Brasil no basquete masculino nos 16 anos seguintes.

O trabalho dele começou em 1995 no Pan-Americano de Mar del Plata (Medalha de Bronze) e no Pré-Olímpico de Neuquén, também na Argentina (3º lugar). Ary Vidal trouxe Oscar Schmidt de volta à Seleção, e fez poucos ajustes nas peças de renovação que vinham sendo utilizadas, convocou o armador Alberto e o pivô Gema (ambos do Flamengo), e João Batista (ex-Flamengo, que estava no Corinthians de Santa Cruz, do Rio Grande do Sul). O time no Pan jogou com Chuí, Fernando Minucci, Rogério Klafke, Luís Felipe e Josuel. O time venceu Porto Rico (102 x 88), EUA (101 x 98), Uruguai (107 x 83) e México (125 x 75). Depois perdeu para Argentina (75 x 95) e EUA (85 x 89). No Pré-Olímpico, o time foi Maury, Fernando Minucci, Oscar Schimdt, Israel e Josuel. Ratto, Caio Cazziolato, Márcio Azevedo, Rogério Klafke e Pipoka estavam no banco. Apesar da derrota na estréia para o Uruguai (81 x 84), o time venceu Bahamas, Venezuela e conseguiu a vitória por 83 x 78 sobre a Argentina. Venceu Canadá e Cuba, mas ainda perdeu para República Dominicana (98 x 100), Canadá (99 x 104), Porto Rico (83 x 89) e Argentina (82 x 87). Na última partida, uma vitória por 97 x 79 sobre o Canadá garantiu a classificação para os Jogos de Atlanta.


Em 1996, nas Olimpíadas, o Brasil, com Ratto, Fernando Minucci, Rogério Klafke, Oscar Schmidt e Josuel como titulares, fez a seguinte campanha: vitória por 101 x 98 sobre Porto Rico, derrotas por 87 x 89 para a Grécia, por 101 x 109 para a Austrália e por 82 x 101 para a Iugoslávia, vitória fácil por 127 x 97 na Coréia do Sul, uma grande vitória por 80 x 74 sobre a Croácia, uma derrota esperada por 75 x 98 para os EUA (time que era chamado de Dream Team 3), e nova derrota para a Grécia (72 x 91). O Brasil terminou num honroso 6º lugar. Eis a pontuação do time brasileiro nas Olimpíadas 96: Ratto (43 pts), Fernando Minucci (73), Rogério Klafke (83), Oscar Schimdt (219) e Josuel (83). Demétrius (24), Caio Cazziolato (41), Olívia (31), Pipoka (51) e Janjão (50). Suplentes: Caio Silveira (4) e Tonico (23).

O Brasil definitivamente estava em outro patamar no basquete mundial, abaixo do que havia estado no passado. A conjuntura era mais difícil, é verdade, pois a política havia dividido a Iugoslávia em duas equipes fortes (Sérvia e Croácia), e a União Soviética em outras duas (Rússia e Lituânia). Ademais, países como Grécia e Argentina haviam fortalecido muito seus basquetes. Se antes fazia parte do quarteto de ponta a nível mundial (junto, mas ligeiramente atrás, de EUA, URSS e Iugoslávia), agora a briga era entre a 5ª e a 8ª posição. Sem conseguir evoluir taticamente seu jogo, aposição do Brasil estava prestes a ficar ainda pior. Ary Vidal voltava a se despedir da Seleção, e como em todas suas outras passagens, o resultado piorou depois de sua saída. A partir de 1997 o novo treinador do basquete masculino brasileiro seria o técnico de Franca, Hélio Rubens.

A carreira dos principais nomes que emergiram durante os Anos 1990:
Rogério Klafke: 1990: Sogipa (RS), 1991: Monte Líbano (SP), 1992: Clube Ipê, Jales (SP), 1993-98: Franca (SP), 1998-02 Vasco da Gama (RJ), 2002-03 Universo Ajax (GO), 2004-05 Uberlândia (MG), 2005-12 Franca (SP) e 2012-13 Basquete Cearense (CE)
Josuel: 1990-91 Pirelli (SP), 1992-93 Franca (SP), 1993-95 Rio Claro (SP), 1995 Corinthians de Santa Cruz (RS), 1996 Dharma Yara, de Franca (SP), 1996-97 COC/Ribeirão Preto (SP), 1998 Mackenzie (SP), 1999-02 Flamengo (RJ), 2002 Bauru (SP), 2003 Vasco da Gama (RJ), 2003-04 Corinthians/Mogi (SP), 2004-07 Telemar (RJ) e 2008-11 Pinheiros (SP)

Rogério e Josuel: esperanças da nova geração que chegava nos Anos 1990

Em 1997, o trabalho de Hélio Rubens começou com um modestíssimo 4º lugar no Sul-Americano, com uma "Seleção B", que tinha Ratto, Demétrius, Caio Cazziolato, Rogério Klafke, Alexey, Vanderlei Mazzuchini, Olívia, Gema e Brasília. A seguir no Pré-Mundial, conseguiu um 3º lugar após vencer México, Uruguai, Cuba, Venezuela e Canadá, e perder para EUA e Porto Rico, contra a Argentina, uma vitória e uma derrota. O time titular do Brasil tinha: Demétrius, Caio Cazziolato, Rogério Klafke, Alexey e Josuel. No banco: Ratto, Vanderlei Mazzuchini, Olívia, Sandro Varejão e Janjão.

Já no Mundial de 98, na Grécia, o time titular de Hélio Rubens jogava com Demétrius Ferracciú, Chuí, Rogério Klafke, Pipoka e Josuel. No banco estavam Ratto, Helinho (filho de Hélio Rubens), Caio Cazziolato, Sandro Varejão e Janjão, além do jovem Marcelinho Machado, debutando na Seleção. A base do time era, em essência, um time dos jogadores de Franca, juntando diferentes gerações que jogaram entre 90 e 98 por lá, seis jogadores dos doze escolhidos por Hélio Rubens: Chuí, Helinho, Demétrius, Rogério, Sandro Varejão e Janjão. O time brasileiro perdeu por 59 x 83 para os EUA, venceu por 76 x 73 à Coréia do Sul, perdeu por 62 x 66 para a Lituânia, por 63 x 73 para a Espanha e por 63 x 75 para a Austrália, venceu por 76 x 64 a Porto Rico, e perdeu por 75 x 79 para a Austrália. Terminou em 10º lugar, repetindo a pavorosa campanha do Mundial de 94.

O discurso de Hélio Rubens e da CBB era de paciência, que a renovação precisava de tempo para mostrar seus frutos. E em 1999, os resultados iniciais deram a impressão de que poderia ser assim, o jovem time comandado por Hélio Rubens foi Campeão Sul-Americano (em cima da "Argentina B") e faturou a Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá. Os 11 convocados por Hélio Rubens que conquistaram este Ouro eram: Helinho (Vasco da Gama), Demétrius Ferracciú (Vasco da Gama), Rogério Klafke (Vasco da Gama), Sandro Varejão (Vasco da Gama), Aylton Tesch (Vasco da Gama), Ratto (Flamengo), Caio Cazziolato (Flamengo), Josuel (Flamengo), Marcelinho Machado (Botafogo), Vanderlei Mazzuchini (Bauru - SP), Michel Nascimento (Bauru - SP) e Luiz Fernando de Souza (Minas Tênis Clube). A campanha brasileira teve 102 x 72 na República Dominicana, 71 x 73 para os Estados Unidos, 86 x 72 em Cuba, 95 x 85 em Porto Rico, e 95 x 78 sobre os Estados Unidos na final. Eis a pontuação do time brasileiro: Helinho (43 pts), Caio Cazziolato (56), Vanderlei Mazzuchini (60), Rogério Klafke (68) e Josuel (56). Ratto (17), Demétrius (35), Marcelinho Machado (34), Sandro Varejão (38), Aylton (34) e Michel (4).

Mas o ano de 1999 não teria salvação com a eliminação no Pré-Olímpico, em San Juan, Porto Rico. O time brasileiro, comandado por Hélio Rubens, jogou com Demétrius, Vanderlei Mazzuchini, Rogério Klafke, Sandro Varejão e Josuel como titulares; Ratto, Helinho, Caio Cazziolato, Marcelinho Machado, Luiz Fernando, Michel e Aylton formavam o banco. A campanha do Brasil teve vitórias sobre a República Dominicana e o Uruguai, de resto, só derrotas, por 68 x 91 para a Venezuela, por 88 x 96 para o Panamá, por 75 x 95 para o Canadá, por 73 x 90 para os EUA e por 77 x 79 para a Argentina. O Brasil terminou em 6º lugar e ficou fora dos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Seleção Brasileira de 1981 a 1990

História da Seleção Brasileira de Basquete Masculino
Brazilian Male Basketball Team's History
Historia de la Seleción Brasileña de Baloncesto

O otimismo voltou a rondar o país e a crise no basquete passou. O sentimento em torno à situação do basquete brasileiro parecia já ser outro nos anos 80. Kanela, em entrevista à revista Placar (ed. 827, de 31/mar/86) dizia "nunca vi tanto craque". Alongava-se: "depois dos bicampeões apareceram alguns bons jogadores, mas nenhum da capacidade de Amaury, Wlamir, Ubiratan, Menon e Waldemar. Hoje em dia, porém, vejo que estão surgindo jogadores com potencial que me fazem lembrar aquele time. (...) Gérson e Pipoka são geniais (...) temos Marcel que é um gênio como foram Wlamir e Amaury, e Oscar, que aprendeu a encestar quando estava ainda na barriga da mãe (...) Maury, irmão do Marcel, é também um monstro".

Depois de ter conseguido voltar às Olimpíadas, em 1980, o ciclo seguinte no comando da Seleção Brasileira foi conduzido por uma comissão de treinadores, liderados por Edvar Simões e José Medalha, co-treinadores da Seleção. Mas no Mundial de 1982, na Colômbia, o resultado voltou a ficar muito aquém dos obtidos nos tempos áureos de Amaury e Wlamir, um 8º lugar. A seleção jogou com Nilo Guimarães, Marcel, Oscar, Adilson e Marquinhos como quinteto titular; Maury, Marcelo Vido, Carioquinha, Cadum, Gilson Trindade e Israel estavam no banco de reservas. Logo na estréia, derrota para a Austrália por 73 x 75. Depois o time perdeu para a União Soviética (92 x 99), venceu China, Uruguai e Tchecoslováquia, mas antes de voltar para casa ainda conseguiu a façanha de perder para o Panamá (85 x 86). Nos Jogos Pan-Americanos de 1983, em Caracas, na Venezuela, o time ficou a Medalha de Prata, tendo os EUA conquistado o Ouro.

O pivô Istael em ação pelo Brasil

Ao mesmo tempo vinha chegando uma geração que dava esperanças de um futuro melhor. Em 1983, o Brasil foi 3º lugar no Mundial Sub-19, ficando atrás somente de Estados Unidos e União Soviética, e tendo vencido a dona da casa, Espanha, na decisão de 3º lugar. O time brasileiro jogava com Chuí, Zanon, Paulinho Villas-Bôas, Joel Vicardi e Rolando Ferreira. O sexto jogador era Pipoka. O técnico deste time era Cláudio Mortari.

Para as Olimpíadas de 1984, o treinador escolhido foi Renato Brito Cunha. O time brasileiro, jogando com Nilo Guimarães, Carioquinha, Oscar, Israel e Marquinhos foi Campeão do Pré-Olímpico, disputado em São Paulo. No banco, estavam Marcelo Vido, Cadum, Gérson Victalino e Adilson. O Brasil venceu por 93 a 76 ao Uruguai, por 95 a 92 ao Panamá, por 107 a 95 à Argentina, por 90 a 80 ao México, por 92 a 89 a Cuba, por 93 a 78 à República Dominicana, por 99 a 93 ao Canadá e por 109 a 107 a Porto Rico. Foi para as Olimpíadas de Los Angeles e voltou com um 9º lugar. Novamente perdeu a estréia para a Austrália (72 x 76), e depois perdeu para Itália (78 x 89), Iugoslávia (85 x 98) e Alemanha (75 x 78).

Novamente o Brasil se deparava com uma enorme insatisfação com os resultados obtidos pela Seleção Brasileira. Era hora de nova mudança: Ary Vidal voltava ao comando do time para tentar reeditar o bom desempenho que a seleção teve sob seu comando em 1978. O time venceu o Sul-Americano de 85, na Colômbia, e foi para o Mundial de 1986, na Espanha, jogando com Maury, Marcel, Oscar, Gérson e Israel; Guerrinha, Nilo Guimarães, Paulinho Villas-Bôas, Pipoka e Rolando formavam a reserva. Na mão de Ary Vidal o Brasil voltou a jogar uma semi-final, tendo terminado o Mundial na 4ª colocação, o melhor desempenho desde a seleção que Ary Vidal levara ao 3º lugar no Mundial de 78. O time brasileiro venceu Coréia do Sul, Panamá, Grécia, Espanha, Cuba e Israel, sofreu derrotas para França (85 x 93) e União Soviética (101 x 110). Perdeu a semi-final para os EUA (80 x 96) e a decisão de 3º lugar para a Iugoslávia (91 x 117).



Carreira dos principais jogadores brasileiros da década de 1980:
Oscar Schimdt: 1974-1979 Palmeiras, 1979-1982 Sírio (SP), 1982-1990 Juve Caserta (Itália), 1990-1993 Pavia (Itália), 1993-1995 Valladolid (Espanha), 1995-1997 Corinthians, 1997-98 Bandeirantes Barueri (SP), 1998-99 Mackenzie (SP), 1999-2003 Flamengo
Marcel Ponickwar de Souza: 1974 Sírio (SP), 1975-76 Bradley University (EUA), 1976-1983 Sírio (SP), 1983-84 Juve Caserta (Itália), 1984-85 Monte Líbano (SP), 1986 Jundiaí (SP), 1986 Corinthians (SP), 1987-1989 Alno Fabriano (Itália), 1989-90 Monte Líbano (SP), 1990-1992 Corinthians de Santa Cruz (RS), 1992-93 Sírio (SP) e 1993-94 Palmeiras (SP)
Israel Andrade: 1978-1980 Corinthians, 1980-1982 Sporting Lisboa (Portugal), 1982-1985 Monte Líbano (SP), 1985-86 Libertas Livorno (Itália), 1986-1991 Fabriano (Itália), 1991-1994 Rimini (Itália), 1994-95 Virtus Roma (Itália), 1996 Liga Angrense (RJ), 1997 Jacareí (SP), 1997-98 Bandeirantes Barueri (SP), 1998-99 Mackenzie (SP) e 2000-2002 Hebraica (SP)


Oscar Schmidt fez história na Europa, nas Ligas da Itália e da Espanha


No ano seguinte, 1987, o Brasil obteve o resultado que mais marcou esta geração, foi Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, vencendo os Estados Unidos por 120 a 115 na final, aplicando a primeira derrota de um time norte-americano de basquetebol jogando em seu território. Os 12 jogadores escolhidos por Ary Vidal que conseguiram esta façanha foram: Oscar Schmidt (Caserta - Itália), Marcel de Souza (Fabriano - Itália), Israel Andrade (Fabriano - Itália), Maury de Souza (Monte Líbano - SP), Ricardo "Cadum" Guimarães (Monte Líbano - SP), Pipoka (Monte Líbano - SP), André Stoffel (Monte Líbano - SP), Guerrinha (Franca - SP), Paulinho Villas-Bôas (Sírio - SP), Gérson Victalino (Corinthians), Silvio Malvesi (Pirelli - SP) e Rolando Ferreira (Universidade de Houston - EUA). A campanha brasileira: 110 x 79 no Uruguai, 100 x 99 em Porto Rico, 103 x 98 nas Ilhas Virgens, 88 x 91 para o Canadá, 131 x 84 na Venezuela, 137 x 116 no México, e 120 x 115 nos Estados Unidos. A pontuação dos jogadores brasileiros na competição: Guerrinha (55 pts), Marcel (187), Oscar Schmidt (249), Israel (78) e Gérson Victalino (62). Maury (12), Cadum (47), Paulinho Villas-Boas (47), Pipoka (23) e Rolando (12). Suplentes: Silvio (6) e André Stoffel (11).


Oscar comemora mais um ponto. Após o jogo, Guerrinha é carregado por Gérson e Pipoka


A carreira dos nomes que fizeram história em Indianápolis em 1987:
Maury Ponikwar de Souza: 1981-84 Sirio (SP), 1984-88 Monte Líbano (SP), 1988-90 Flamengo, 1990 Varese (Itália), 1990-92 Clube Ipê, de Jales (SP), 1992-94 Franca (SP), 1994-99 Guaru (SP), 1999-00 Bauru (SP) e 2000-02 Universo Ajax (GO)
Jorge Guerra, "Guerrinha": 1978-87 Franca (SP), 1988 Monte Líbano (SP), 1989-92 Franca (SP), 1993-96 Dharma Yara, de Franca e 1997 COC/Ribeirão Preto
Ricardo Guimarães, "Cadum": 1978-87 Monte Líbano (SP), 1987-88 Tênis Clube de Campinas (SP), 1988-89 Flamengo, 1989-93 Sírio, 1993-96 Dharma Yara, de Franca, 1996-97 Pinheiros, 1997-98 Palmeiras, 1998-99 Uberlândia (MG) e 2000 Hebraica (SP)
Paulinho Villas-Bôas: 1981-87 Sírio (SP), 1987-88 Monte Líbano (SP), 1988-89 Flamengo, 1989-95 Rio Claro (SP), 1995-96 Mogi (SP), 1996-97 Corinthians, 1997-98 Bandeirantes Barueri (SP), 1998-99 Mackenzie (SP), 1999-00 Flamengo, 2001 Unisanta (SP)
Gérson Victalino: 1980-85 Monte Líbano (SP), 1985-87 Corinthians, 1987-88 Monte Líbano (SP), 1988-89 TDK Manresa (Espanha), 1989-90 Lwart Lwarcel (SP), 1990-96 Clube Ipê, de Jales, 1996-97 Corinthians e 1998 Sport Recife (PE)
João Viana, "Pipoka": 1985-87 Monte Líbano (SP),  1987-89 Tênis Clube de Campinas (SP), 1989-91 Maratonistas de Coamo (Porto Rico), 1991 Dallas Mavericks (NBA), 1992-93 Maratonistas de Coamo (Porto Rico), 1993-95 Palmeiras, 1995-96 Corinthians, 1996-98 Mogi (SP), 1998-01 Flamengo, 2001-04 Araraquara (SP) e 2004-07 Universo/Brasília (DF)
Rolando Ferreira: 1983 Sirio (SP), 1984-88 University of Houston (EUA), 1988-89 Portland Trail Blazers (NBA), 1990-91 Monte Líbano (SP), 1992-93 Corinthians de Santa Cruz (RS), 1993-95 Guaru (SP), 1995-97 Corinthians de Santa Cruz (RS), 1997-98 Bandeirantes Barueri (SP), 1998-99 Pinheiros (SP) e 2000 Unisanta (SP)


Da esquerda para a direita: em cima estão Guerrinha, Gérson, Sílvio, Rolando, André,
Israel e Maury, e abaixo estão Marcel, Pipoka, Cadum, Oscar e Paulinho

O Brasil seguiu o embalo de bons resultados em 1988. Foi campeão do Pré-Olímpico, jogado em Montevidéu, e nos Jogos Olímpicos de Seul, na Coréia do Sul, ficou com um 5º lugar. O quinteto titular de Ary Vidal jogou com Maury, Marcel, Oscar, Gérson e Israel. Venceu Canadá (125 x 109), China (130 x 108), Egito (138 x 85), perdeu para EUA (87 x 102), Espanha (110 x 118) e União Soviética (105 x 110), venceu Porto Rico (104 x 86) e Canadá (106 x 90).

A quinta colocação em Seul derrubou Ary Vidal. O treinador escolhido para o seu lugar foi o técnico de Franca, Hélio Rubens. Com ele, o time brasileiro, em 1990, foi 3º lugar no Pré-Mundial, no México, e 5º lugar no Mundial de 1990, na Argentina. O time titular era o mesmo da Olimpíada de 88: Maury, Marcel, Oscar, Gérson e Israel. No banco, alguma renovação, com a presença, além de Guerrinha, Cadum, Pipoka e Rolando, de Fernando Minucci, Luiz Felipe e Josuel. A campanha no Mundial teve vitórias sobre Itália (125 x 109), China (138 x 95), Austrália (100 x 93) e Grécia (97 x 94), e derrotas para Austrália (68 x 69), Iugoslávia (86 x 105), Grécia (88 x 103) e União Soviética (100 x 110).



sábado, 9 de fevereiro de 2013

Seleção Brasileira de 1971 a 1980

História da Seleção Brasileira de Basquete Masculino
Brazilian Male Basketball Team's History
Historia de la Seleción Brasileña de Baloncesto

A Seleção Brasileira viveu momentos conturbados na década de 70, após a saída de Kanela da Seleção. Sentiu falta de sua capacidade como treinador, mas também houve dificuldade de se fazer a renovação da fantástica geração de Amaury Pasos e Wlamir Marques, uma missão nada fácil. Quando Kanela assumiu a Seleção Brasileira como treinador, o Uruguai tinha seis títulos de Campeonato Sul-Americano, a Argentina tinha cinco e o Brasil só dois. Quando Kanela deixou a Seleção, em 1971, o Brasil tinha oito títulos, o Uruguai também oito e a Argentina tinha seis.

O Brasil havia sido vice-campeão Mundial em 1954, Bi-campeão em 59 e 63, terceiro lugar no Mundial de 67 e vice-campeão em 70. Acumulava três Medalhas de Bronze em Jogos Olímpicos (1948, 1960 e 1964) e ficara em quarto lugar nas Olimpíadas de 68. O Brasil havia alçado um vôo para o primeiro escalão do basquete mundial, e queria manter-se lá. Chegou àquele nível pelas mãos de Wlamir e Amaury e pela visão de jogo do “Velho Togo”. Eram 7 torneios seguidos terminando entre os 4 melhores do mundo (4 Mundiais e 3 Olimpíadas). A renovação depois destes resultados e da saída de Kanela foi traumática. No Mundial de 72, o Brasil foi treinado por Pedroca, de Franca, e amargou a sétima posição. No Mundial de 74 o treinador foi Édson Bispo, mas o resultado não melhorou: sexta colocação. O ápice para a crise veio após o Pré-Olímpico de 76, quando a equipe treinada por Édson Bispo perdeu a vaga com uma derrota para o México. Pela primeira vez, o Brasil estava fora do basquete olímpico.

Antes de toda esta turbulência e crise, a transição não parecia que seria complicada. Em 1971, o time comandado por Édson Bispo conquistou uma inédita Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Bogotá, na Colômbia. O time jogava com Hélio Rubens, Mosquito, Joi, Menon e Marquinhos Abdalla como quiteto titular. Venceu Suriname, Cuba, Argentina, Porto Rico, Panamá e México. Sofre uma única derrota, para os EUA, na 1ª fase. Na final, vitória por 63 x 62 sobre Cuba.

O Brasil também havia conquistado a hegemonia entre clubes na América do Sul. Nas primeiras edições do Sul-Americano de Clubes, só 2 títulos, com o Flamengo em 1953 e o Corinthians em 1964. A partir de 1968, o país imendou 11 títulos consecutivos. O Sirio foi campeão em 68, o Corinthians em 69, o Sirio foi Tri-campeão 1970-71-72, Franca foi Tri-campeã 1974-75-76, o Sirio Bi-campeão 1978-79 e Franca foi Campeão em 1980. Apesar da hegemonia na América do Sul, os resultados internacionais despencaram.

Nas Olimpíadas de 1972, o time treinado por Pedroca, técnico do Clube dos Bagres, de Franca, ficou com um 7º lugar, muito longe das posições obtidas com Kanela. O time tinha Hélio Rubens, Edvar Simões, Mosquito, Menon, Adílson, Dodi, Marquinhos e Ubiratan. Venceu Japão, Egito e Espanha, depois perdeu para os EUA (54 x 61), conseguiu uma expressiva vitória por 83 x 82 sobre a Tchecoslováquia, mas aí perdeu em sequência para Austrália (69 x 75), Cuba (63 x 64) e Porto Rico (83 x 87). Uma campanha bem fraca.

Adilson Nascimento

Daí para frente o técnico da seleção foi Édson Bispo, que havia ganho o Ouro no Pan de 71. No Mundial de 74, em Porto Rico, o Brasil acabou em 6º lugar. O time, jogando com a formação titular Hélio Rubens, Carioquinha, Adílson, Ubiratan e Marquinhos Abdalla, perdeu para União Soviética (60 x 79), Iugoslávia (60 x 84), Estados Unidos (83 x 103), Espanha (91 x 93) e Cuba (80 x 85).

Em 1976 foi disputado pela primeira vez o Torneio Pré-Olímpico, seletivo para os Jogos daquele ano. A base do time eram os jogadores de Franca: Hélio Rubens, Fausto, Gilson e Robertão. O time titular de Édson Bispo jogava com: Hélio Rubens, Carioquinha, Fausto Giannechini, Ubiratan e Marquinhos Abdalla. No banco, estavam Gilson Trindade, Robertão e Marcel.

A equipe venceu Israel, Islândia, Tchecoslováquia e Finlândia, perdeu para a Iugoslávia (80 x 88) e viu suas chances de ir ao Mundial ruírem com a derrota para o México (79 x 85). Na sequência, ainda perdeu para a Holanda (90 x 95). Acabou em 4º lugar, num torneio no qual só três se classificavam para a Olimpíada.


A carreira dos principais nomes da Seleção Brasileira na década de 1970:
Hélio Rubens: 1960-81 Franca (SP)
Marquinhos Abdalla: 1967-71 Fluminense, 1971-73 Sirio (SP), 1973 Pepperdine University (EUA), 1974-75 Sirio (SP), 1975-76 Pepperdine University (EUA), 1976-78 Emerson Genova (Itália), 1979-80 Sirio (SP), 1980-81 Virtus Bologna (Itália), 1981-83 Sirio (SP), 1983-84 Corinthians, 1984 Flamengo, 1985 Bradesco (RJ) e 1986-89 Sirio (SP)
Milton Setrini, "Carioquinha": 1969-78 Palmeiras (SP), 1979 Flamengo, 1980-81 Tênis Clube São José (SP), 1982-83 Sirio (SP), 1984-85 Flamengo, 1985-86 Minas Tênis Clube (MG), 1987-88 Nosso Clube/Limeira (SP), 1988-89 Pinheiros (SP) e 1989-90 Flamengo
Adílson Nascimento: 1969-72 Corinthians, 1973-74 Vila Nova (GO), 1974-78 Franca (SP), 1979-81 Jóquei Clube (GO), 1982-84 Corinthians, 1984-85 Barreirense (Portugal), 1986 Imortal de Albufeira (Portugal), 1986-87 Tênis Clube de Campinas (SP), 1988-90 Rio Claro (SP) e 1991 Pinheiros (SP)
Sérgio Macarrão: 1959-66 Botafogo, 1966-68 Vasco, 1969-70 São Caetano (SP), 1971-74 Fluminense, 1975-77 Flamengo, 1978-80 Club Municipal (RJ) e 1981 Mackenzie (SP)


Estourou uma grande crise no basquete brasileiro, com acusações de parte a parte, especialmente entre Rio de Janeiro (sede da CBB) e São Paulo (núcleo das principais equipes do país), buscando identificar os responsáveis pelo momento ruim da Seleção.

Ao mesmo tempo, iniciava-se uma era em que os jogadores brasileiros começavam a se aventurar pelo mundo. Depois de Ubiratan Maciel ter jogado na Liga Italiana, foi a vez de Marquinhos Abdalla passar por aquela que era a maior liga de basquete da Europa nos anos 70 e 80. Marquinhos foi 3º lugar da 2ª divisão da Itália com o Emerson Color Genova na temporada 1976/77, depois voltou à Itália na temporada 1980-81 para defender o Sinudyne/Bologna, então Bi-campeão Italiano em 78/79 e 79/80, e foi vice-campeão italiano da temporada 80/81. Eles abriram as portas para o trio Oscar, Marcel e Israel, que disputaram várias temporadas na Liga Italiana nos Anos 1980.

Uma nova geração chegando, com Oscar e Marcel, 1º e 3º da esquerda para a direita na foto

Na Seleção, após Édson Bispo ser treinador, o comando da Seleção foi posto nas mãos de Ary Vidal, técnico ligado ao basquete do Rio de Janeiro e sem resultados expressivos a nível nacional como treinador de Botafogo e Vasco. Ary Vidal foi Campeão Sul-Americano em 1977 e conseguiu colocar a Seleção Brasileira de novo no pódio no Mundial de 78, obtendo um terceiro lugar e com destaque para uma excepcional vitória por 92 x 90 sobre os EUA. Acabou perdendo para Iugoslávia (97 x 81) e União Soviética (94 x 85). O 3º lugar foi conquistado sobre a Itália com uma cesta de Marcel do meio da quadra no estourar do cronômetro.

Os 12 convocados por Ary Vidal em 1978 foram: Marquinhos Abdalla (Emerson Gênova - Itália), Ubiratan Maciel (Palmeiras), Carioquinha (Palmeiras), Oscar Schmidt (Palmeiras), Hélio Rubens (Franca), Gilson Trindade (Franca), Adilson Nascimento (Franca), Fausto Giannechini (Franca), Robertão (Franca), Marcel Souza (Sirio), Marcelo Vido (Sirio) e Eduardo Agra (Sirio). O Brasil venceu a China (154 x 97), a Itália (88 x 84), Porto Rico (100 x 88), Canadá (69 x 62), Austrália (108 x 78), Filipinas (119 x 72) e Estados Unidos (92 x 90). Perdeu para a União Soviética (85 x 94) e a Iugoslávia (87 x 91). Na disputa do Bronze, venceu a Itália (86 x 85). A pontuação dos jogadores brasileiros na competição foi a seguinte: Carioquinha (124 pts), Marcel (183), Oscar Schmidt (194), Gilson Trindade (101) e Marquinhos Abdalla (157). Hélio Rubens (44), Fausto Giannechini (67), Robertão (31), Ubiratan (47), Adílson (25), Marcelo Vido (4) e Eduardo Agra (11).

Oscar Schmidt

Ary Vidal deixou a Seleção e os resultados voltaram a piorar. Nas Olimpíadas de 80, com Cláudio Mortari como treinador, o Brasil ficou em quinto lugar. No Mundial de 82, treinado por Edvar Simões, o Brasil não passou de um oitavo lugar. Com Renato Brito Cunha como treinador nos Jogos Olímpicos de 84 a posição caiu ainda mais: nono lugar. Foi Ary Vidal voltar e o resultado melhorou. Com ele o Brasil foi quarto lugar no Mundial de 86, Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, com a fantástica vitória por 120 x 115 sobre os Estados Unidos em Indianápolis, e quinto lugar nas Olimpíadas de 88.

Para embalar o bom momento do basquete brasileiro, em 1979 o Sirio sagrou-se Campeão Mundial de Clubes. O torneio era disputado desde 1966, ano em que jogando em Madrid, o Corinthians perdeu a final para o Varese, da Itália. Nas edições seguintes o Akron Goodyear, dos EUA, foi Tri-campeão 1967-68-69. O Varese voltou a ser campeão em 1970; em 71, 72 e 73 o torneio não foi realizado, e em 74 o Varese voltou a ser o campeão, desta vez vencendo o Sirio em pleno Ginásio do Ibirapuera. Em 1975, o campeão foi a Universidade de Maryland (EUA), e no ano seguinte, mais um vice-campeonato brasileiro, com o Franca perdendo o título para o Cantu, da Itália. Na sequência, o Real Madrid, da Espanha, foi Tri-campeão 1976-77-78. Em 1979, o torneio voltou a ser jogado no Ginásio do Ibirapuera. O Sirio venceu o Quebrasillos, de Porto Rico, por 114 x 81; perdeu para o Mokan (EUA) por 91 x 98; venceu o Varese, da Itália, por 83 x 79, e o Bosnia Sarajevo, da Iugoslávia, onde jogava o cracaço Delibasic, por apertados 100 x 98. O time campeão jogava com Larry Dyal, Marcel Souza, Oscar Schmidt, Dodi e Marquinhos Abdalla. O técnico era Cláudio Mortari, e no banco ainda tinha Marcelo Vido, Saiani, Eduardo Agra e Michael Daugherty.

SIRIO: Campeão Mundial de Clubes em 1979

Na empolgação do título do Sirio, Cláudio Mortari foi escolhido para assumir o lugar de Ary Vidal na Seleção Brasileira. Em 1980, no Pré-Olímpico, em Porto Rico, o Brasil voltou a repetir o 4º lugar do Pré-Olímpico de 1976. Teria ficado fora das Olimpíadas, já que eram três os que se classificavam, se os EUA não tivessem boicotado as Olimpíadas de Moscou. Jogando com Carioquinha, Fausto Giannechini, Marcel, Oscar Schmidt e Marquinhos Abdalla, o Brasil venceu Uruguai, Cuba, México e Porto Rico, mas perdeu a semi-final para o Canadá (81 x 98). Para as Olimpíadas, o time titular passou a ser: Carioquinha, Marcel, Oscar Schmidt, Adilson e Marquinhos. O Brasil fez 72 x 70 na Tchecoslováquia, perdeu para a União Soviética por 88 x 101, venceu Cuba por 94 x 93, perdeu para a Espanha (91 x 110), venceu a Itália (90 x 77) e perdeu para o timaço da Iugoslávia (que acabou Medalha de Ouro) por 95 x 96. Terminou em 5º lugar, mas não fez uma campanha ruim.

Brasil x Iugoslávia, em 1980





terça-feira, 21 de agosto de 2012

O dia em que a terra parou: Brasil 120 x 115 EUA

1987 PanAmerican Games: Brazil 120 vs 115 USA

Essa noite eu tive um sonho de sonhador, maluco que sou, eu sonhei com o dia em que a terra parou ... com estas palavras o cantor-filósofo-poeta Raul Seixas narra um fantasioso dia em que o mundo inteiro perceberia que nada parecia fazer sentido.

E o dia 23 de agosto de 1987 foi um dia desses em que nada pareceu fazer sentido. Pelo menos para o mundo do basquete. O Brasil vencia os EUA por 120 x 115 e faturava a Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Era a primeira derrota dos EUA em seu território, a primeira vez que uma seleção norte-americana levava mais de 100 pontos.

Para entender a dimensão daquela vitória, é preciso recapitular a história: no basquete, para os EUA o que realmente importava eram os Jogos Olímpicos, em 11 edições antes de 1987, ainda que sempre com uma Seleção de Universitários, os norte-americanos tinham 9 Medalhas de Ouro. Tinham perdido a final de 1972 para a União Soviética, numa partida com final controverso, em que os EUA se consideraram tão prejudicados que jamais apareceram para buscar a Medalha de Prata, e não haviam disputado os Jogos de Moscou, em 1980. Para eles, portanto, é como se nunca tivessem perdido, porque para Campeonato Mundial nunca deram muita importância.

Para Jogos Pan-Americanos nunca deram lá muita relevância também, ainda que em 9 edições até ali, houvessem sido campeões em 8. De qualquer forma, por aqueles jogos estarem sendo dentro dos EUA, eles estavam com o melhor time de basquete universitário que tinham naquele momento, o time que jogaria as Olimpíadas de 88. Era impensável cogitar que o Ouro não seria dos EUA. Havia 16 mil torcedores no ginásio, todos imaginavam já saber quem seria o vencedor naquele dia.

O Brasil, na 1ª fase, venceu por 110 x 79 ao Uruguai, por 100 x 99 a Porto Rico, por 103 x 98 a Ilhas Virgens e perdeu por 88 x 91 para o Canadá.

Nas quartas de final, vitória por 131 x 84 sobre a Venezuela. Na semi-final, vitória por 137 x 116 no México, que eliminou o Canadá nas quartas. Na outra semi-final, os EUA venceram a Porto Rico por 80 x 75. Final: EUA x Brasil.


O mais fantástico do jogo foi a virada brasileira, à base de cestas de três pontos de Oscar e Marcel. O Brasil chegou a estar 22 pontos atrás no placar. O primeiro tempo terminou 68 x 54 para os EUA. Oscar e Marcel, juntos, somaram 55 pontos só no segundo tempo (fizeram 77 no jogo todo). Dos 55 pontos no 2º tempo, 35 foram de Oscar e 20 de Marcel. No jogo todo, Oscar acertou 7 arremessos de três pontos em 15 tentativas. Marcel acertou 6 em 10 tentativas. Foram 39 pontos naquele jogo convertidos em cestas de 3 destes dois jogadores. Da linha dos três, aquele jogo foi 39 x 6 para o Brasil, e isso fez a diferença e viabilizou a histórica e fantástica virada.


Aquele jogo começou a mudar o pensamento norte-americano e a história do basquete. Com a derrota de 1987, mais a derrota em 1988 nas Olimpíadas, os EUA entenderam que não dava mais para mandar os meninos universitários. É possível tratar essa revolução como um certo ufanismo. No entanto, as palavras de quem perdeu aquela final demonstram a importância daquele resultado. Depois de perder o Pan de 1987, os Estados Unidos não conseguiram conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Os universitários ficaram apenas com o bronze. Até então, os norte-americanos só não haviam conquistado o ouro uma única vez, em 1972, quando foram derrotados pela União Soviética na final. Após a derrota no Pan e o bronze em Seul, decidiram brigar para levar os profissionais que atuavam na NBA. Era o nascimento do "Dream Team". Com a liberação da Federação Internacional, criou-se o time dos sonhos com Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird, coroado com a conquista dos Jogos de Barcelona, em 1992.

Palavras de David Robinson, pivô naquele time dos EUA em 1987, um dos maiores jogadores da história do San antonio Spurs, e que fez parte do Dream Team dos EUA nas Olimpíadas de 1992: "Aquela derrota foi fundamental para que os Estados Unidos criassem o Dream Team para as Olimpíadas de Barcelona 1992. Quando perdemos para o Brasil, nós vimos o quanto o basquete internacional havia evoluído. Eu até me sinto lisonjeado por ter perdido aquela final do Pan para o Brasil e jamais esqueci daquele dia. Depois, nós ainda acabamos ficando com a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Seul 1988 e ficou realmente claro que precisaríamos criar a seleção mais forte possível. Fiz parte de times fenomenais, o Dream Team foi um deles, ganhamos de novo em 1996, mas também fui parte de 87, que perdeu nos Jogos Pan-Americanos e era algo inusitado para os Estados Unidos perder, e também de 1988, que perdeu nos Jogos Olímpicos, e ainda mais inusitado. Nossa única derrota havia sido em 1972, e com muita polêmica. Ser o primeiro a perder nos Jogos Olímpicos sem polêmica é distinção dúbia. Você não quer fazer parte disso. Mas me ensinou muito e me fez ser um jogador melhor. Marcel e Oscar jogaram muito bem, todas as bolas deles acabavam caindo e o Brasil mereceu aquela vitória. O Oscar brilhou realmente. Não jogamos o suficiente para vencê-los e os brasileiros ganharam na nossa casa, em Indianápolis. Foi um jogo fenomenal para o Brasil. Impressionou todo mundo naquela época. As performances de Oscar ao longo dos anos foram lendárias. De uma certa forma, ele estava à frente de seu tempo e você sempre gosta de ver caras que estão fora do lugar, que são parte do futuro. Ele se daria bem na NBA do fim da década de 2010, na qual todo mundo gosta de arremessar a bola, em ataques rápidos. Ele era um expert nisso".


A dinâmica daquele jogo foi brilhantemente ilustrada na arte reproduzida abaixo, de autoria do GloboEsporte.com:

1º TEMPO


2º TEMPO

Naquela final, o Brasil converteu 10 bolas de três em 25 tentativas, algo fora do comum para a época. No basquete internacional, a linha de 3 pontos havia sido instituída três anos antes do Pan. Curiosamente, a NBA já a utilizava, com uma distância maior, desde 1979, mas ainda longe de ser parte da estratégia do jogo como acontece atualmente. Os universitários, que formaram a seleção americana, haviam jogado com a linha de 3 pontos apenas na temporada 1986/87.


A ficha da decisão

Brasil: 120
Guerrinha (2), Marcel (31), Oscar (46), Gerson (12) e Israel (12).
Depois: Mauri (--), Cadum (8), Paulinho Villas Boas (7), Rolando (0) e Pipoka (2).
Técnico: Ari Vidal

Estados Unidos: 115
Keyth Smart (12), Rex Chapman (17), Willie Anderson (16), Danny Manning (14) e David Robinson (20).
Pooh Richardson (7), Fennis Dembo (3), Jeff Lebo (7), Pervis Ellison (13) e Dean Garrett (4). Ricky Berry (2) e Jerome Lanne (0).
Técnico: Denny Crum


Pontuação do Brasil durante o Pan de 87:
Guerrinha (55 pts), Marcel (187), Oscar Schmidt (249), Israel (78) e Gérson Victalino (62).
Maury (12), Cadum (47), Paulinho Villas-Boas (47), Pipoka (23) e Rolando (12). Silvio (6) e André Stoffel (11).


Os 12 Heróis:

Gérson Victalino
Com experiência dos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, e já tendo disputado o Pan de 1983, em Caracas, Gerson foi um pivô extremamente atlético que naquele momento ainda estava dando seus primeiros passos na Seleção Brasileira. Na sequência, o camisa 6 daquela conquista histórica viria a disputar ainda mais dois Jogos Olímpicos com o Brasil, 1988, em Seul, e 1992, em Barcelona .

Israel
Outro pivô daquele grupo, Israel também fez parte do grande time do Monte Líbano anos antes do Pan de 87. Pela Seleção, o atleta de 2,06m de altura já tinha experiência dos títulos sul-americanos de 1983 e 1985 e da prata diante dos norte-americanos nos Jogos Pan-Americanos anterior, em Caracas.

Pipoka
O mais jovem daquele grupo, Pipoka era mais um daquele Monte Líbano. Aos 23 anos no Pan de 87, o ala/pivô buscava se afirmar como um dos grandes nomes do basquete nacional naquela ocasião. Mais certo impossível. Na sequência de sua carreira, Pipoka teve uma passagem pelo Dallas Mavericks da NBA, com uma atuação oficial, e permaneceu na Seleção Brasileira até 1998.

Guerrinha
Um dos mais famosos daquele time para o grande público, muito pela sua carreira como técnico, Guerrinha tinha 28 anos no Pan de 87 e também fez parte da prata em Caracas 83. Ao encerrar sua carreira como jogador, ele seguiu no basquete e é hoje um dos treinadores mais vencedores e respeitados do Brasil.

Marcel
Já com o histórico de herói do bronze brasileiro no Mundial de 1978, nas Filipinas. Marcel era um dos grandes nomes daquele grupo, seja pela sua qualidade ou por sua bagagem como jogador. Além do pódio no Mundial, o ala tinha em seu currículo os ouros no Sul-Americano de 77, 83 e 85 com a Seleção, e o título mundial de clubes de 79 com o Esporte Clube Sírio.

Maury
Irmão mais novo de Marcel, Maury era um dos mais jovens jogadores daquela Seleção, e diferentemente dele, era armador. Na época, ele ainda buscava se firmar, como seu irmão, entre os grandes nomes do basquete brasileiro. Na sequência de sua carreira, Maury participou de dois Jogos Olímpicos (1988 e 1992) e três Mundiais (1986, 1990 e 1994) com a camisa verde e amarela. No entanto, na grande decisão, estava doente, com sarampo, e não atuou.

Oscar Schmidt
Já uma unanimidade na época, Oscar dispensa apresentações. Em 1987, o ala já havia consolidado sua história no basquete nacional, principalmente nos anos de Sírio e pelas atuações com a Seleção, e internacional, atuando na Itália. Três anos antes, o eterno camisa 14 havia sido recrutado para a NBA e recusado a proposta. Após aquele Pan, Oscar ainda disputou mais um Mundial (1990) e três Jogos Olímpicos (1988, 1992 e 1996).

Paulinho Villas Boas
Peça fundamental dos grandes times do Sírio e do Monte Líbano, Paulinho chegou ao Pan de 87 já com o histórico de campeão do Pré-Olímpico de 1984 e do Sul-Americano de 1985, além da quarta colocação no Mundial de 1986. Após o título contra os norte-americanos, o ala veio a disputar dois Jogos Olímpicos (1988 e 1992) e um Mundial (1994) com o Brasil.

Cadum
Armador de 2,00m de altura, Cadum já havia disputado dois Jogos Olímpicos (1980 e 1984) e um Mundial (1982) com a Seleção. Peça fundamental naquele grupo, o camisa 9 ainda defendeu o uniforme verde e amarelo por mais cinco anos, participando das Olimpíadas de Seul (1988) e Barcelona (1992), e do Mundial da Argentina (1990). Com a ausência de Maury na grande final teve papel fundamental na vitória brasileira.

Rolando
O “gigante” daquela geração, Rolando vinha se afirmando na Seleção naquele momento, com passagens anteriores pelo Pré-Olímpico de 1984, o Sul-Americano de 1985 e o Mundial de 1986. Após àquele Pan, o pivô de 2,14m de altura se tornou o primeiro atleta brasileiro a jogar na NBA, ao disputar 12 partidas da temporada de 89/90 pelo Portland Trail Blazers.

Sílvio Malvesi
Outro pivô daquele grupo, Silvio já tinha acumulado muita história com o uniforme verde e amarelo até ali. Vice-campeão mundial juvenil em 1979, bicampeão sul-americano em 1983 e 1985, e presente nos Jogos Olímpicos de 1984 e no Mundial de 1986, a conquista do título diante dos Estados Unidos no Pan de 1987 foi a última apresentação do jogador com a Seleção Brasileira.

André Stoffel
Pivô de 2,03m de altura, André fez parte da época áurea do Clube Atlético Monte Líbano durante a década de 80, que resultou em dois títulos sul-americanos, cinco brasileiros e três paulistas. Pela Seleção Brasileira, André já acumulava história quando chegou ao Pan de 87, aos 27 anos de idade, com sete anos de experiência com a camisa verde e amarela e participação nos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou, e Mundial de 1982, na Colômbia.