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sábado, 17 de dezembro de 2016

A Era Kanela, o período mais vitorioso da história do basquete brasileiro

Sob o comando de Togo Renan Soares, o Kanela, a Seleção Brasileira de Basquete Masculino conquistou dois títulos mundiais (Chile-1959 e Brasil-1963) e ainda ficou com mais dois vice-campeonatos (Brasil-1954 e Iugoslávia-1970), além de ganhar uma medalha de bronze (Uruguai-1967). Nos Jogos Olímpicos de Roma-1960, o treinador ainda faturou medalha com um terceiro lugar. E conquistou um inapelável pentacampeonato sul-americano. Integrante do Hall da Fama da Federação Internacional de Basquete (FIBA), ele acumulou 87 vitórias e 16 derrotas em 21 anos de Seleção Brasileira. Obcecado por contra-ataques, o técnico da seleção brasileira era cirúrgico nas substituições e nos pedidos de tempo. O sistema de contra-ataque foi revolucionado por ele com uma linha de três atacantes na execução do mesmo, ação largamente utilizada pelo técnico Kanela nas seleções brasileiras que dirigiu, o qual dependia basicamente do domínio dos rebotes defensivos, setor que a Seleção Brasileira de Kanela dominava como ninguém, somada à velocidade e habilidade de homens altos, treinados repetidas vezes para aquele movimento. Com mão de ferro e carga tática invejável, Kanela brilhou no Flamengo, onde foi decacampeão estadual, entre 1951 e 1960. O bom trabalho em terreno doméstico o levou à seleção em 1954, quando iniciou uma jornada repleta de conquistas. Morreu em 12 de dezembro de 1992, aos 86 anos, com o título de maior técnico do basquete brasileiro em todos os tempos.

O imponente nome de batismo, dado em homenagem a um almirante japonês (Togo) e a um filósofo francês (Renan), não conseguiu impedir que, ainda garoto, ganhasse dos amigos o apelido de “Canela”, em função das canelas finas que ostentava. Kanela começou como técnico das equipes de base de futebol do Botafogo. Em 1929, chegou a dirigir a equipe principal do clube, além de ter sido também um bom treinador de polo-aquático do mesmo alvinegro carioca. Em 1944, mudou de clube, assumindo o time de futebol do Flamengo. Aconteceu dois anos depois aquela que talvez tenha sido a grande virada em sua biografia, quando Kanela passou a responder pela equipe de basquete do clube vermelho e preto carioca. Dali em diante, se descortinou uma das mais brilhantes carreiras de um brasileiro no mundo do bola ao cesto, como era chamado à época.

Kanela, com a faixa de campeão

Pouco mais de 10 anos depois de deixar o comando da Seleção Brasileira, Togo Renan Soares, o Kanela, relatou suas memórias ao jornal A Gazeta Esportiva, de São Paulo. Na edição do dia 18 de dezembro de 1983, o ex-treinador relembrou o jogo decisivo diante dos Estados Unidos no Mundial-1963 e revelou detalhes da campanha.

“Estou com 79 anos e quero aproveitar a lucidez que ainda me sobra para contar detalhes importantes das 15 vezes em que dirigi o selecionado brasileiro de basquete. Não foi fácil como muita gente pensa, nem mesmo sabendo que na época vivíamos uma fase de ouro, com craques que dificilmente serão substituídos”, iniciou.

Em 21 anos no comando da Seleção Brasileira, Kanela disputou um total de 103 partidas. A vitória diante dos norte-americanos por 85 a 81, alcançada no dia 25 de maio de 1963, foi um dos duelos mais especiais para o ex-treinador, já que garantiu o bicampeonato mundial.

“Esse jogo foi tão importante na minha vida de técnico, que até hoje ficou gravado na memória. Lembro-me que estivemos sempre na frente, até quando faltavam menos de três minutos para o final. Eu, num lampejo divino, senti que quem perdesse o pivô com cinco faltas naquele instante perderia também o jogo, e fizemos uma jogada para eliminar o Gibson”, recordou.

Exigente, ele não deixou de elogiar seus atletas. “O Amaury e o Wlamir eram os alicerces do time. Eu confesso que os considerava insubstituíveis por qualquer tempo que passasse. O Sucar, com 2,06m de altura, também era muito importante para o time, principalmente porque estava no esplendor de seu estado físico”, afirmou.

Além dos pódios em campeonatos mundiais (ouro no Chile-1959 e no Brasil-1963, prata no Brasil-1954 e na Iugoslávia-1970 e bronze no Uruguai-1967), Kanela também comandou o time nacional na conquista de uma medalha olímpica de bronze (Roma-1960). Em 1983, ele foi profético.

“Até hoje, nenhum técnico brasileiro de qualquer modalidade esportiva deu ao País tantos títulos como o basquete na Era Kanela. Admito que estou sendo vaidoso, mas como já dizia o General Tibúrcio, se eu não contar as coisas boas que fiz, quem poderá contá-las? Os êxitos alcançados nessas campanhas são de tal importância que por muito tempo serão insuperáveis”, vaticinou.

Em 22 de maio de 2013, também para a Gazeta Esportiva, alguns jogadores que estiveram com ele na Seleção Brasileira deram depoimento sobre ele:

“O Kanela é a grande personalidade do basquete do Brasil em todos os tempos. Graças a ele, a Seleção conquistou todos os seus títulos na época e alcançou um nível de excelência. Era um homem obstinado em ganhar títulos, e fazia tudo o que podia para conseguir esses resultados. Era muito hábil para tratar o aspecto psicológico dos jogadores”, enumerou Amaury Passos.

“Sem o Kanela, a nossa geração não conseguiria os resultados que conseguiu. Da mesma forma, ele não alcançaria os feitos que alcançou sem a nossa geração. Foi realmente um grande comandante, que teve ao seu lado jovens com um potencial enorme jogando um basquete diferenciado para a época em uma simbiose que acabou dando certo (...) O Kanela não era um grande conhecedor de basquete. Na verdade, ele aprendeu os detalhes da modalidade praticamente do nada (...) Era um homem capaz, que se cercava de profundos conhecedores dos aspectos técnicos do jogo. Dentro da quadra, era um excelente dirigente de partida. (...) Na época do Kanela, treinávamos muito. A preparação antes de um campeonato não era de 15 dias, mas sim de meses. Para o Mundial-1963, o treinamento começou em agosto de 1962 e acabou com a competição em maio do ano seguinte. Ficamos esse tempo todo confinados treinando, treinando e treinando. Nesse período, teve um Sul-americano e um Pan-americano”, narrou Wlamir Marques.

“O Kanela foi o criador de tudo, porque tomava conhecimento das coisas antes de elas chegarem ao Brasil. Hoje em dia, se eu te falo que fulano deu uma enterrada, você entende, porque vê pela televisão. Na nossa época, se alguém fazia um arremesso nos Estados Unidos, a gente só ficava sabendo cinco meses depois. O Kanela antevia alguns conceitos, como o jump. Ele dizia: pula para arremessar”, contou Paulista.

Opinião de Édson Bispo, em entrevista ao site da CBB em 2006: "O Kanela foi o grande mentor e organizador dessa geração vencedora do basquete masculino. Ele cobrava bastante da equipe para que jogássemos o melhor possível, mas sempre cuidou muito bem do atleta. Ele supervisionava tudo para que tivéssemos boas condições de trabalhar na seleção. Ele ficava bravo mesmo era com os juízes, quando se achava injustiçado, e com os dirigentes, pois sempre brigava pelos direitos e pelo máximo conforto dos atletas de sua equipe. Ele é uma grande referência para qualquer um que goste de basquete. Ele que me incentivou a treinar a seleção, me dando dicas e orientações".

Para o mesmo site da CBB, Rosa Branca falou em 2003: "Kanela era um técnico excepcional, com uma grande paixão pelo basquete. Sem ele e sem esse grupo excelente de jogadores, a conquista do bicampeonato mundial seria impossível".

Sua personalidade forte também deixou rastros polêmicos, como na história contada por seu ex-assistente-técnico no Flamengo, Paulo Murilo: "No Campeonato Mundial realizado no Maracanãzinho, no intervalo da partida entre o Brasil e a União Soviética, também um jogo duríssimo e indefinido até aquele momento, o arbitro uruguaio, que vinha se destacando no Mundial e que dirigia o jogo, retirava-se para o vestiário quando o Kanela dele se aproximou e sem maiores explicações desferiu uma bofetada que foi ouvida até por quem estava sentado no último degrau da arquibancada. Correu um frisson no estádio, ninguém poderia entender aquela atitude, naquele momento de intervalo de um jogo bem disputado por todos. Kanela foi expulso e o Brasil venceu a partida. Dois anos mais tarde fui convidado por ele para ser técnico das equipes infanto e de juvenis do Flamengo, onde iniciei uma relação respeitosa mas não ausente de boas e até duras discussões, não só técnicas, como administrativas. Num belo dia, sentados no restaurante da Gávea, perguntei a ele sobre aquele momento anos antes, e ouvi do velho Togo a seguinte resposta: o fato é que ele estava apitando bem demais, e isso não nos interessava. Ele precisava errar um pouco, de preferência a nosso favor, por isso gerei nele o peso da dúvida de que não era tão bom como imaginava, por isso dei a bofetada". Outros tempos em que havia muito mais tolerância ao politicamente incorreto... sobre este episódio, na época Nelson Rodrigues até escreveu uma crônica, chamando-o “O Tapa Cívico”.

Histórias fantásticas lembradas também por seu sobrinho, Jô Soares, apresentador de televisão, para o site o UOL em 2013: ""Uma vez fui com ele ao campo do Botafogo, em General Severiano. Devia ter no máximo oito anos. De repente, no meio do primeiro tempo, ele falou para mim 'Zezinho, fica sentadinho aqui quietinho que o tio Kanela vai ali do outro lado bater naquele canalha que está sentado ali e já volta'. Foi lá, brigou com o cara e voltou. A partir desse dia meu pai falou 'nunca mais você leva meu filho a um jogo' (...) Kanela tinha medo de água: "Por causa dos esporros que dava, os remadores, de sacanagem, ficavam balançando o barco. Aí ele falava com uma doçura incrível 'vou pedir aos senhores remadores, que já estão cansados, por favor vamos voltar. O treino de hoje foi muito exaustivo'. Quando saltava do barco, dava um esporro monumental: 'vocês querem me matar' (...) "Fui uma vez no Flamengo em um jogo em que ele estava suspenso. Ele estava sentado lá em cima e o juiz que estava apitando era o mesmo que ele tinha dado um tapa e sido suspenso. Aí ele gritava lá de cima: 'já apanhou e vai apanhar de novo'. E a torcida toda dava força: 'é isso mesmo seu Kanela, esse juiz é um filho da p...' (...) "Quando estava com jogadores machucados, tinha vezes que saía e encharcava a quadra, que era externa, de madrugada. Todo mundo presumia que tinha chovido de madrugada. Uma vez alguém falou 'nossa seu Kanela, engraçado que choveu só na quadra'. E ele respondeu 'cala a boca, não fala nada'. Ele era uma figura" (...) "De vez em quando ia almoçar lá em casa ou jantar, mas encontrava mais com ele no Jockey Clube. Ele adorava corrida de cavalo. Chegava de uma viagem e nem passava em casa, ia direto se fosse dia de corrida".

A matéria de 24 de maio de 2013 publicada no UOL termina com mais opiniões de jogadores que conviveram com ele na Seleção Brasileira:

Wlamir Marques, capitão do Brasil no Bi-Mundial em 63: "Tive três problemas com ele, mas nunca trocamos qualquer palavra brusca. Todas as brigas que tivemos foram de acertos que ele não concordou. O Brasil não teria conseguido esses feitos se não fosse a mão de ferro dele. Podia não ter uma técnica espetacular, mas lia muito e sabia como levar o time. Comandava bem a sua tropa".

Amaury Pasos, eleito melhor jogador do Mundial de 63: "Convivi com o Kanela por 16 anos sem nenhum problema. Foi uma grande personalidade do basquete brasileiro, o grande ator dessas conquistas. Seu temperamento era histórico, usava todos os artifícios para que pudéssemos ganhar".

Jatyr: "Só tinha bom relacionamento com dois jogadores [Amaury e Wlamir]. Não só respeitava, como acatava e ouvia. O restante era na base da porrada, podendo menosprezar, ele faria. Era um técnico bem radical. Vamos dizer que eles tinham uma patente superior, os outros eram soldados rasos".

Succar: "Nunca jogou basquete na vida, mas tinha uma coisa própria dele que conseguia se relacionar e ter a técnica do basquete. Tinha muita autossuficiência. Era um técnico privilegiado, nunca jogou basquete ou esporte nenhum, mas estudava estratégia".

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A Conquista do Mundial de 1963

Matéria publicada em www.globoesporte.com:
Em 1963 o Brasil vencia os Estados Unidos no Maracanãzinho e conquistava o bicampeonato mundial de basquete. Wlamir Marques e Amaury Passos, dois dos mais importantes personagens daquele título relembram aqui aquela conquista.

O Brasil já tinha conquistado o campeonato mundial de basquete em 1959, disputado em Santiago, no Chile. O Mundial de 1963 foi no Rio de Janeiro e reuniu 13 seleções. O Brasil, por ser o país-sede, só entrou na segunda e decisiva fase. Com uma campanha perfeita, vencendo todos os seis jogos da competição, levou o bi.

- Eu fui campeão do mundo, nós ganhamos aqui no Brasil, com o ginásio lotado. E vencemos os Estados Unidos na final. No último jogo contra os americanos, havia gente pendurada no suportes que sustentavam o teto, aquilo parecia um galinheiro, galinhas no puleiro. Fantástico e inesquecível - recorda Amaury Antônio Passos, eleito para a seleção do torneio.

José Eugênio Soares lembra bem de todos os detalhes dessa conquista memorável já que seu tio Togo Renan Soares, o Kanela, era o técnico da seleção. José, que ganhou fama como um artista completo com o nome artístico de Jô Soares, conta suas lembranças daquela noite mágica de 25 de maio de 1963.

- Foi uma reação parecida com a do primeiro campeonato mundial de futebol em 1958, só mais concentrada no Rio de Janeiro, mas a cidade ficou alucinada. Um momento muito marcante foi a vitória em cima desse time americano, que ninguém acreditava. Foi uma coisa de calor, de público, porque é num ginásio, então o volume da reação fica maior. E os jogadores agarrando meu tio Kanela, alucinados – lembra Jô.

Depois de bater Porto Rico, Itália, Iugoslávia, França e União Soviética, o Brasil chegou à última partida tendo que bater os reis do esporte da bola laranja, os americanos, para levantar o bi. Mais altos, os americanos não contavam com a estratégia inovadora do técnico  Kanela, que apostava na velocidade de transição e no jump-shot, como bem lembra Wlamir Marques.

- Nós jogávamos estrategicamente. Nossa estratégia era de velocidade e contra-ataque. Muita disposição defensiva e rebote forte com Ubiratan. Essa desvantagem física que nós tínhamos, nós vencíamos pela velocidade. Nosso contra-ataque era imitado no mundo inteiro – explica Wlamir.

Amaury destaca o modo de jogar diferente do Brasil e como isso ajudou a equipe a vencer os Estados Unidos por 85 a 81.

- Conseguimos introduzir um basquetebol moderno, de velocidade e jump-shot, que ninguém fazia, arremessar saltando era marca registrada dos nossos jogadores. Os Estados Unidos contaram com dois jogadores que posteriormente foram incluídos entre os 50 melhores jogadores da NBA até hoje: Willis Reed, pivô do New York Knicks por 15 anos, e Lucius Jackson, outro pivô, do Milwaukee Bucks. Eles já estavam com quatro faltas, um deles. Então, arquitetamos uma jogada especial, exatamente pro Ubiratan receber a bola em um lugar pra sofrer falta do Reed ou do Jackson, quando este pivô saiu melhorou para nós a continuidade do jogo, que estava muito parelho – explica Amaury.

Com o gigante Reed excluído por cinco faltas, o Brasil teve mais espaço e passou a dominar também os rebotes. No ataque, atuações fantásticas de Wlamir, com 26 pontos e Amaury, com 22 pontos.

- Neste campeonato eu consegui meu melhor desempenho em todas as partidas, até então nunca havia tido. Depois do jogo final fui jantar e quando entrei no restaurante, todo mundo ficou de pé e bateu palma – conta Amaury.

As doces lembranças da conquista tembém jamais sairão da memória de Wlamir.
 
- Guardo para mim como a maior emoção que eu tive na minha vida jogando basquete. Quando o jogo acabou, houve invasão de quadra e todo mundo desesperado, querendo alguma coisa da gente. Eu não esqueço, isso aí eu não vou esquecer – lembra Wlamir

Veja aqui também: Biografia de Luiz Cláudio Menon 


Wlamir Marques ergue o troféu
Brasil, Bi-campeão Mundial

sábado, 13 de julho de 2013

A História do Basquete do Flamengo

Flamengo's Basketball History
La história del baloncesto de Flamengo

O Clube de Regatas do Flamengo foi fundado em 1895 no Rio de Janeiro com uma única modalidade, o remo. Em 1912 o clube abriu seu 2º departamento, aquele que o tornou mundialmente conhecido, o futebol. Depois destes dois, o esporte de maior tradição no clube é sem dúvida o basquete. Uma tradição de longa data, pois o Flamengo foi campeão do primeiro torneio disputado no Brasil, o Campeonato Carioca de Basquete de 1919. O quinteto titular do Flamengo nesta conquista era formado por Carlos Santive, Itagibe Novaes, Maroim Marwin, Rizzo Zeth Baptista e o capitão Mário Sayão de Carvalho Araújo, o Romano. Em São Paulo, o basquetebol só começou em 1925, com o Espéria despontando tricampeão em 1925-26-27. Antes, a bola laranja já havia subido no Rio Grande do Sul, 2º estado onde o basquete foi implementado: a campeã gaúcha de 1923 foi a Associação Cristã de Moços (ACM).


Em 1933 houve a profissionalização do basquete, e foi um quinteto da Gávea o primeiro a deixar sua marca registrada, o time Tri-campeão Carioca de 1933-34-35, equipes que contaram com Pedro Martinez, Manoel Pitanga, Haroldo Lobo, Valdemar "Coroa" Gonçalves, Ádamo e Monteiro, treinados por Nélson Tinoco Pacheco, e com Martinez como sendo a grande estrela desta equipe.

Mas o basquete só despontou com força no Brasil com a conquista da medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres, em 1948. Neste desabrochar o cenário era absolutamente dominado pelo Flamengo, bi-campeão carioca de 1948-49. A estrutura principal da seleção tinha um trio de jogadores rubro-negros: Alfredo da Motta, Algodão e Affonso Évora, bicampeões cariocas em 1948 e 1949. Os dois primeiros foram os maiores pontuadores desta equipe. Nos Jogos Olímpicos de Helsinque, em 1952, nada menos do que 6 jogadores da seleção brasileira (metade do grupo) eram atletas do Flamengo: Algodão, Alfredo da Motta, Godinho, Mário Hermes, Zé Mário e Tião Gimenez. Destes, 4 formavam a equipe titular que jogou as Olimpíadas de 1952 e que um ano antes conquistou uma medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos.

O maior título desta geração de ouro do basquete rubro-negro foi o Torneio de Campeões Sul-Americanos de 1953, em Antofagasta, norte do Chile. O quinteto rubro-negro superou 7 adversários: Antofagasta e Palestino, ambos do Chile, Bílis, do Peru, Universidad, do Equador, Olímpia, do Paraguai, Paysandu, do Uruguai, e Santa Fé, da Argentina. Foi o primeiro título internacional de um clube brasileiro na história do basquete do país.


Bicampeão Carioca em 1948-49, o Flamengo perdeu o título de 50 para a Associação Atlética Grajaú (hoje chama-se Grajaú Country Club), equipe liderada dentro de quadra por Ruy de Freitas. Nos anos subseqüentes, 10 títulos seguidos: em 1951 com o Botafogo como vice, em 52 o vice foi o Fluminense, entre 1953 e 56 quatro vices do Sirio e Libanês, clube do bairro de Botafogo, em 57 o batido na final foi o Vasco, em 58 e 59 por duas vezes seguidas o Fluminense, e em 60, na campanha do deca, o Tijuca Tênis Clube. Uma base que vinha fazendo história desde 1948 foi sendo reposta, com as contratações de Fernando Bro Bro ao Vasco, de Waldir Boccardo ao Botafogo, e de Otto Nóbrega ao Fluminense.

Entre 51 e 54 o time tinha Algodão, Godinho, Alfredo da Motta, Mário Hermes, Zé Mário, Tião Gimenez, Arthur Ayres, Gedeão e Guguta. Em 55, contava também com Válter de Almeida e Fernando Bro Bro. Em 56 se somaram Willi Pecher e Otto Nóbrega. A partir de 58, chegaram Barone, Paulinho e Zé Coqueiro. Em 59, entrou na equipe Waldir Boccardo. E em 60, chegou o baiano Mical (que nos Anos 1960 conquistaria títulos nacionais com o Corinthians).

O ícone desta geração dentro de quadra foi Zenny de Azevedo. Ele nasceu em Realengo e ainda garoto se mudou para Campo Grande, onde recebeu o apelido que carregou por toda sua vida - Algodão - e onde conheceu o basquete, no Clube dos Aliados. Chegou ao Flamengo jovem e não demorou muito a alçar à Seleção Brasileira, por quem começou a brilhar nas Olimpíadas de 48. Com a camiseta verde e amarela jogou as Olimpíadas de 1948 (Bronze), 1952 (6º lugar), 1956 (6º lugar) e 1960 (Bronze). Jogou os Mundiais de 1950 (4º lugar), 1954 (Vice-campeão) e 1959 (Campeão). Disputou ainda os Jogos Pan-Americanos de 1951 (Bronze), 1955 (Bronze) e 1959 (Bronze). Com o Flamengo, um histórico fantástico: entre 1948 e 1964, disputou 17 edições do Campeonato Carioca, sagrando-se 14 vezes campeão.

O outro ícone foi o paraibano Togo Renan Soares, o Kanela. Ele foi técnico do Flamengo de 1948 a 1970 e treinador da seleção brasileira de 1951 a 1971. Com ele o Flamengo foi Campeão Carioca em 1948, 49, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 62 e 64. Com a Seleção Brasileira, foi vice-campeão Mundial em 54 no Rio de Janeiro e Bi-Campeão Mundial, em 59 em Santiago e em 63 no Rio de Janeiro. Em 70 voltou a ser vice-campeão Mundial, em Ljubljana na Iugoslávia. Em Jogos Pan-Americanos, foi Prata em 63 e Bronze em 51, 55 e 59. Foi ainda Bronze nos Jogos Olímpicos em 1960. Foi Campeão Sul-Americano com o Brasil em 59, 60, 61, 63 e 71, e Campeão Sul-Americano de Clubes com o Flamengo em 53.

Algodão e Kanela

A equipe rubro-negra ainda foi campeã carioca em 62, com Algodão, Paulinho, Oto Ditrich, Fernando Bro Bro e Waldir Boccardo, e em 64, com Algodão, César Sebba, Oto Ditrich, Chocolate e Waldir Boccardo. Mas depois de haver sido hegemónico no Rio de Janeiro na "Era Algodão-Kanela", o clube ficou sem vencer o Carioca de 1965 a 1973. Voltou a ser campeão carioca em 75, com o técnico Tude Sobrinho, com um quinteto com Peixotinho, Pedrinho Ferrer, o norte-americano George Thompson, e o pivô Sérgio Macarrão. Em 1977, com Waldir Boccardo como seu treinador, voltou a ser campeão carioca, mas o Flamengo também foi a grande surpresa na Taça Brasil, vencendo ao favorito Palmeiras na 1ª fase por 94 a 77, e ficando em 1º lugar, forçando uma semi-final entre os favoritos Franca e Palmeiras. O jogo acabou vencido pelo time da capital paulista que foi para a final contra a aguerrida turma da Gávea. O quinteto palmeirense venceu a final por apenas quatro pontos de vantagem, por 66 a 62, assegurando o título nacional. O time de 77 tinha Peixotinho, o norte-americano Thompson, Pedrinho Ferrer, Zezé, Charuto e Paulão Abdalla.

Disposto a voltar a ter um protagonismo nacional, em 1984 o clube fez pesadas contratações: Carioquinha, Nilo Guimarães e Marcelo Vido, do São José, mais o argentino Germán Filloy e Marquinhos Abdalla, campeões nacionais com o Sírio. O técnico era Marcus Vasconcellos, o Pingo. O time acabou, pela 2ª vez em sua história, vice-campeão da Taça Brasil, perdendo o título para o Monte Líbano, de Maury, Marcel, Cadum, Pipoka e Israel, e do técnico Edvar Simões. O Quadrangular Final foi em março de 1985 no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo: Flamengo, Corinthians, Monte Líbano e Sírio. O time rubro-negro perdeu na estréia para o Monte Líbano, que viria a ser campeão, por implacáveis 107 x 83. Depois, de forma dramática, vitória sobre o Corinthians na prorrogação, por 99 x 98, e vitória sobre o Sirio por 92 x 86.

Apesar de ter perdido o título nacional, que era seu grande objetivo, o investimento rendeu frutos, e o Flamengo foi tricampeão carioca em 1984-85-86. Em 84, com Nilo Guimarães, Carioquinha, Marcelo Vido, Germán Filloy, Almir, Pedrinho Ferrer, Carlão Ostermann e os irmãos Paulão e Marquinhos Abdalla. Em 85 o técnico Pingo foi substituído por Emmanuel Bonfim. O quinteto do bi: Raul Togni, Almir Gerônimo, Pedrinho Ferrer, Germán Filloy e Evandro. Em 86, o Flamengo perdeu o argentino Filloy, mas trouxe, da República Dominicana, dois grandes jogadores: Victor Chacón e Héctor Muñoz. O time do tri era: João Batista, Héctor Muñoz, Pedrinho Ferrer, Victor Chacón e Édson Campelo.

Para impedir o tetra rubro-negro, o Vasco investiu pesado em 1987 e tirou da Gávea o craque do time, Héctor Muñoz, e o técnico, Emanuel Bonfim, e contratou outro dominicano: Evaristo Pérez. O Flamengo, para repor a perda de Muñoz, contratou o norte-americano Rocky Smith. A final do Carioca daquele ano foi eletrizante, o Flamengo venceu a primeira partida por 107 x 96, mas perdeu as duas seguintes para o Vasco, por 82 x 80 e 75 x 74 e viu o sonho do tetracampeonato se esfarelar, de maneira dramática e sensacional, ponto a ponto, nos segundos finais.

Na temporada de 1988, o clube voltou a investir pesado, contratando três jogadores da seleção brasileira que havia vencido o Pan-Americano de 1987 nos Estados Unidos: Maury, Cadum e Paulinho Villas Boas, que eram a base do Monte Líbano, tetracampeã nacional entre 1984 e 1987. Juntamente a eles foi trazido o experiente técnico Zé Boquinha. Eram grandes as aspirações rubro-negras, mas no Campeonato Nacional o time terminou em 3º lugar. Jogando com Maury, Cadum, Paulinho Villas-Boas, os norte-americanos Eddie Smith e John Flowers, e o dominicano Victor Chacón. No Hexagonal Final jogaram Flamengo, Sírio, Franca, Rio Claro, Pirelli e Monte Líbano. Diante de 5 pesos-pesados do basquete paulista, lutou pelo título até a última rodada, mas terminou em terceiro. Ainda não foi daquela vez!

A decepção levou a um forte desinvestimento, só revertido em 1994, com um projeto capitaneado pelo técnico Miguel Ângelo da Luz, campeão mundial com a seleção brasileira feminina naquele mesmo ano de 1994 e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. O trabalho levou à conquista do Tri Carioca de 1994-95-96. A base do time tinha Alberto, Almir, Bento, Alexey, Olívia e Gema, em 94 com os norte-americanos Alvin Frederick e Johnny Walker, em 95 substituídos por seus conterrâneos Derrick Johnson e Leon Jones, e em 96 com a volta de Alvin ao lado do também norte-americano Brent Merrit.


A obsessão continuava sendo o título nacional. Desde a criação da Liga Nacional, em 1990, o Flamengo tinha um desempenho intermediário, caindo sempre nas quartas de final. Querendo mudar isto, na temporada de 98 contratou ao técnico Ary Vidal e ao norte-americano Marc Brown, que tinham sido vice-campeões nacionais com o Corinthians Gaúcho nas temporadas de 1996 e 1997, e comprou Fernando Minucci, estrela do Franca e da Seleção naquele momento. O time novamente caiu nas quartas de final.

Mas o Flamengo não desistiu, remontou um projeto com a contratação do trio Ratto, Caio Cazziolatto e Pipoka, que com o Mogi venceram o Campeonato Paulista de 96, e ainda contratou ao ala Vanderlei Mazzuchini e ao treinador Zé Boquinha. O time foi campeão carioca, tendo o norte-americano Askia Jones como principal jogador. Os campeões de 1998 (3 x 2 na final sobre o Vasco): Ratto, Alberto, Caio Cazziolato, Askia Jones, Vanderlei Mazzuchini, Kendrick Warren e Pipoka. Na Liga Nacional, mais uma queda nas quartas.

A obsessão continuava. A cartada seguinte foi contratar a trupe de Oscar Schimdt, que quando voltou da Europa montou um mesmo grupo que defendeu Corinthians (Campeão Brasileiro de 96), Barueri e Mackenzie (Campeão Paulista de 98). No pacote, o técnico Cláudio Mortari, o norte-americano Robyn Davis, o veterano Paulinho Villas-Boas (de volta à Gávea) e o pivô Josuel.

Oscar chegou ao Flamengo já veteraníssimo, aos 41 anos, em 1999, mas ainda encontrou tempo para fazer história. Ficou na Gávea por 4 temporadas: 1999-00, 2000-01, 2001-02 e 2002-03. Na Liga Nacional, Oscar foi o maior pontuador por 8 temporadas consecutivas, de 1996 a 2003, metade delas jogando com a camisa do Flamengo.

O time faturou o Bi-carioca em 1999. Na final, 3 a 0 sobre o Botafogo, de Marcelinho Machado, que na semi-final havia conseguido um heróico 3 a 2 sobre o Vasco. O time do bi: Ratto, Caio Cazziolato, Robyn Davis, Oscar Scmidt, Paulinho Villas-Boas, Pipoka, o canadense Greg Newton e Josuel. Na Liga Nacional, esta equipe perdeu a série final por 3 a 1 para um timaço do Vasco, que tinha Helinho, Charles Byrd, Demétrius, Rogério Klafke, Sandro Varejão e o dominicano Jose Vargas, sob o comando técnico de Hélio Rubens.


Após a frustração da derrota para o Vasco, foram três temporadas seguidas "mornas". Até que em 2004, com um time renovado e Emanuel Bonfim como treinador, e os jovens Alexandre Olivinha e Duda Machado, e o veterano norte-americano Marc Brown, o Flamengo surpreendeu. Liderou a 1ª fase mas perdeu outra final, desta vez para Uberlândia, também comandado por Hélio Rubens.

O sonho do título nacional só se realizou em 2008, com equipe treinada por Paulo Chupeta que tinha os irmãos Marcelinho e Duda Machado, o pivô Alírio, o ala cubano Amiel Vega e o armador Hélio. Antes, o time foi vice-campeão da Liga Sul-Americana, batendo na semifinal, num duelo histórico, ao Boca Juniors. Foi à final contra o Regatas de Corrientes, também da Argentina, perdeu os 2 primeiros jogos em solo estrangeiro, venceu 2 vezes no Maracanãzinho, e o 5º jogo, em Corrientes, foi uma batalha, com um clima entre quadra e arquibancada super adverso. A 5 minutos do fim, o time chegou a empatar em 57 a 57, mas os argentinos, mestres em usar o fator quadra para desestabilizar emocionalmente o adversário, venceram por 73 a 65 e ficaram com o título.

O título sul-americano escapou, mas não o nacional. O adversário a ser batido na final era o time do Universo Brasília, campeão nacional de 2007. Nos 2 primeiros jogos, no Maracanãzinho, o Flamengo sobrou em quadra, venceu por 93 a 66 e por 91 a 76. No 3º jogo, na capital federal, o Flamengo passou o jogo inteiro atrás no marcador, mas conseguiu a virada nos 7 minutos finais e venceu por 101 a 96. O sonho do basquete rubro-negro estava sacramentado. Os campeões de 2008: Hélio, Fred, Duda Machado, Marcelinho Machado, Amiel Vega, Fernando Alvim, Wágner, Alírio e Fernando Coloneze.

Para a temporada 2009, o Flamengo se reforçou com o ala-pivô Jéfferson William e o pivô Rafael Araújo, o “Baby”, ex-jogador de Toronto Raptors e Utah Jazz, da NBA. Conquistou o bicampeonato brasileiro vencendo novamente o Universo Brasília, de Alex Garcia, desta vez por 3 a 2. O time venceu o 1º jogo em Brasília por 81 a 74, mas perdeu o 2º no Rio por 81 a 71. O 3º jogo, também na Rio, teve vitória rubro-negra por 99 a 78, seguida por uma derrota na capital federal por 82 a 78. A série estava empatada em 2 x 2. A partida que decidiu o título, jogada na Arena Olímpica da Barra diante de mais de 15 mil torcedores teve vitória rubro-negra por 76 a 68.

Marcelinho Machado faz a cesta na foto de cima
Rafael Araújo faz a cesta na foto de baixo

Bi-campeão, o Flamengo queria mais. A maior conquista estava reservada para o ano seguinte, a Liga Sul-Americana. Classificado para o Quadrangular Final, a equipe rubro-negra foi a Santiago Del Estero, na Argentina, para buscar a maior glória de sua história. Nas 12 primeiras edições da Liga Sul-Americana, os argentinos foram 9 vezes campeões. Times brasileiros já haviam perdido 8 finais da liga para argentinos. A partida que decidiu o título em 2009 entre Flamengo e Quimsa foi dramática. O time rubro-negro tinha a vantagem de 97 x 96 e o quinteto argentino tinha a posse de bola para realizar o último ataque do jogo, com menos de 20 segundos no cronômetro. Nos segundos finais, o norte-americano Ramell Allen se preparou para a infiltração, mas ao tentar driblar Coloneze, a bola bateu na ponta do pé do brasileiro e correu para o meio da quadra, os dois se atiraram na bola e, faltando 4 segundos, foi dada bola presa; os três árbitros não interpretaram o toque no pé como intencional. Reposição e Duda sofre falta. Ele acerta o 1º lance-livre e erra o 2º, mas Coloneze pega o rebote e acaba o jogo. Vitória por 98 x 96 com incríveis 41 pontos de Marcelinho. Desde 1986 um clube brasileiro não retornava de solo argentino com um troféu na bagagem, quando então o time paulista do Monte Líbano havia vencido o Ferro Carril e conquistado o Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões. Eram 23 anos sem que um quinteto de basquetebolistas brasileiros voltasse de solo argentino com um troféu. Uma brilhante e heróica conquista.

Em 2010, o tri-campeonato nacional escapou no último jogo, vencido pelo Universo Brasília, de Alex Garcia e Guilherme Giovannoni, por 76 x 74, fechando a série em 3 x 2. No fim daquele ano, mais uma derrota para o Brasília numa final, desta vez da Liga Sul-Americana, e em pleno Rio de Janeiro. Em 2011 e 2012, dois 4º lugares na liga nacional, no último deles numa equipe com os argentinos Federico Kammerichs de ala-pivô e Gonzalo Garcia de treinador.

Na temporada seguinte, com José Alves Neto como treinador, e uma equipe com Kojo Mensah, Vítor Benite, Marquinhos, Alexandre Olivinha e Caio Torres de titulares, e Gegê, Duda Machado, Bruno Zanotti e Shilton no banco, o Flamengo foi Campeão Brasileiro da temporada 2012-13, o terceiro título da Liga Nacional de sua história.

Nenhuma temporada no entanto foi equivalente à 2013/14, na qual o Flamengo foi campeão de tudo que disputou. Conquistou seu 9º título Carioca consecutivo, foi campeão da Liga das Américas e faturou seu 4º título nacional. Os comandados de José Neto nestas conquistas foram os titulares Nicolás Laprovittola, Marcelinho Machado, Marquinhos, Alexandre Olivinha e Jerome Meyinsse, e no banco estavam Gegê, Dartona Tony Washam, Shilton e Cristiano Felício. O clube ainda conquistou pela segunda vez em três edições a Liga de Desenvolvimento, campeonato nacional sub-22.

Para coroar com perfeição a fantástica temporada anterior, o Flamengo se sagrou Campeão Mundial Interclubes de 2014, vencendo ao Maccabi Tel Aviv, de Israel. Ainda teve a honra de ser convidado para participar da Pré-Temporada 2014 da NBA, indo aos EUA enfrentar a Pheonix Suns, Orlando Magic e Memphis Grizzlies. O time de José Neto conquistou na temporada 2014-15 ao tri-campeonato brasileiro, jogando com Nicolás Laprovittola, Vítor Benite, Marquinhos Souza, Alexandre Olivinha e Jerome Meyinsse, e com um banco de luxo, com Gegê, Marcelinho Machado, Wálter Herrmann e Cristiano Felício. Após o terceiro título nacional consecutivo, o time foi convidado para jogar o NBA Global Games 2015, enfrentando o Orlando Magic no Rio de Janeiro. O grupo para a temporada 2015-16 foi reformulado, e mesmo assim conquistou o quarto título nacional consecutivo, jogando com Rafael Luz, Ronald Ramon, Marquinhos Souza, Alexandre Olivinha e Jerome Meyinsse, e tendo a Gegê, Jason Robinson, Marcelinho Machado, Rafael Mineiro e JP Batista no banco. Anos fantasticos! Antes, na história do basquete brasileiro, só uma equipe havia conquistado quatro títulos nacionais consecutivos, o Monte Líbano, de São Paulo, nos Anos 1980.
Tetra-Campeão Brasileiro 2012-13, 2013-14, 2014-15, 2015-16: O Flamengo conquistou 4 títulos consecutivos da Liga Nacional de Basquete. No embalo das conquistas, deu-se uma oportunidade rara de relato de quem esteve lá dentro, vivendo a rotina destas vitórias. O vice-presidente de Esportes Olímpicos do Flamengo, Alexandre Póvoa, escreveu cartas para cada uma das grandes conquistas neste período: Carta 1 (NBB 5 e Liga das Américas), Carta 2 (NBB 6 e Copa Intercontinental)Carta 3 (NBB 7) e Carta 4 (NBB 8).


Para mostrar a força do basquete do Flamengo no cenário nacional nestes tempos, o clube foi campeão em 2008, na última edição da Liga Nacional organizada pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB). Na 1ª edição do Novo Basquete Brasil (NBB), marco de reconstrução do basquete nacional, com os clubes assumindo a gestão da competição, na temporada 2008-09, o Flamengo terminou a 1ª fase em 1º lugar, com apenas 2 derrotas em 28 jogos, 4 derrotas a menos que o 2º colocado, o Brasília, e foi o campeão. Na 2ª edição, 2009-10, o 1º colocado na 1ª fase, com 1 derrota a menos que o Flamengo, 2º colocado e que acabou vice-campeão, foi o Brasília, que acabou campeão. Na 3ª edição, 2010-11, a 1ª fase terminou com 4 equipes com 8 derrotas em 28 jogos (Franca em 1º, Pinheiros em 2º, Brasília em 3º e Flamengo em 4º pelos critérios de desempate), além de ter tido duas equipes com só uma derrota a menos (Bauru e Uberlândia). Na 4ª edição, 2011-12, o líder da Fase Regular foi o São José, com 5 derrotas em 28 jogos, 2 a menos que Pinheiros (2º), Brasília (3º) e Flamengo (4º). Nas quatro primeiras edições, tanto ao fim da Fase Regular, quanto na classificação final, o Flamengo foi 1 vez 1º, 1 vez 2º e 2 vezes 4º colocado, estando sempre no G-4.

Na 5ª edição, 2012-13, o Flamengo terminou em 1º na Fase Regular, com 4 derrotas em 34 jogos, 3 a menos que o 2º colocado, o Brasília, e voltou a se sagrar campeão. Na 6ª edição, 2013-14, voltou a terminar em 1º na Fase Regular, com 6 derrotas em 32 jogos, 3 a menos que o 2º colocado, o Paulistano, e voltou a se sagrar campeão. Na 7ª edição, 2014-15, quem terminou a Fase Regular em 1º lugar foi o Bauru, com 2 derrotas em 30 jogos, 3 derrotas a menos que o 2º colocado, Winner Limeira, com o Flamengo tendo terminado a Fase Regular em 3º, com 5 derrotas a mais do que o Bauru. Nos play-offs, no entanto, o time, que havia sido Campeão Mundial no início da temporada, cresceu e foi campeão. Na 8ª edição do NBB, 2015-16, o Flamengo voltou a obter o 1º lugar na Fase Regular, com 5 derrotas em 28 jogos, 2 derrotas a menos que o Bauru, 2º colocado, e voltou a ser campeão, tetra consecutivamente. Na 9ª edição, 2016-17, o Flamengo mais uma vez terminou a Fase Regular em 1º lugar, com 7 derrotas em 28 jogos, 1 derrota a menos que o Mogi das Cruzes, 2º colocado, mas quem acabou campeão foi o Bauru. Na 10ª edição, 2017-18, mais uma vez o Flamengo terminou em 1º lugar na 1ª Fase, com 3 derrotas em 28 jogos. Nas 6 edições entre as temporadas 2012-13 e 2017-18, foram 5 vezes que o Flamengo terminou a 1ª Fase em 1º lugar, tendo terminado uma vez em 3º. Um desempenho impressionante, mostrando muita força no cenário nacional!


Outros artigos sobre o basquete rubro-negro:

- Flamengo vs Brasília: Marca de uma Era

Flamengo 2013/14: Campeão de tudo!

- Flamengo: Campeão Intercontinental de Clubes em 2014

Três jogos na Pré-Temporada 2014 da NBA + Jogo contra Orlando Magic em 2015 + Jogo contra Orlando Magic em 2018

- Vitória do Flamengo sobre o Austin Spurs em 2019




sábado, 1 de junho de 2013

A bola de basquete que matou um presidente



Em 25 de novembro de 1955, o Jornal dos Sports trazia matéria: “Começa a final: reabre-se o maior ginásio do mundo para a pugna entre os mais ferrenhos rivais dos últimos tempos do desporto da cesta. O tetracampeão obterá revanche ou o Sírio confirmará seu recente triunfo? Invulgar expectativa em torno da peleja”.
 
Àquela altura, por maior que fosse a expectativa, ninguém poderia ter idéia do tamanho e intensidade das emoções que estavam por acontecer naquela noite.

No dia seguinte, 26 de novembro, a primeira página do Jornal dos Sports destacava em letras garrafais: “Emoção da vitória fulminou Gilberto Cardoso” seguida pela nota: “morreu esta madrugada o presidente do Flamengo. Hoje será o sepultamento. O corpo sairá às 17h da sede do Flamengo para o Cemitério São João Batista”.

No interior do jornal, os pormenores dos intensos acontecimentos daquela noite: “Notável e dramática vitória do Flamengo. Nos últimos segundos a conta de Guguta ditou o score de 45 x 44”.

Eis a descrição do jogo: “A vitória do Flamengo tornou-se mais expressiva porque foi valorizada pela dificuldade com que se definiu o empolgante confronto. Desfez-se, portanto, posto que sem qualquer desprestígio para o Sírio, a chocante impressão que causara o êxito obtido pelo team de Ruy de Freitas no derradeiro prélio, quando os 63 x 46 dessa jornada tornou imperativa a nova série”.
 
As descrições dos segundos finais demonstra os contornos de dramaticidade daquele jogo: “após César haver colocado o Sírio a frente com 44 x 43, Olivieri teve o direito de tentar dois lances livres, perdendo ambos. Faltavam nove segundos. Foi quando o Flamengo arrojou-se num esforço supremo do qual resultou a sensacional cesta de Guguta”.

O técnico do Sírio e Libanês era Ruy de Freitas, e nas palavras dele é narrada a cesta decisiva e histórica que deu o pentacampeonato ao Flamengo e causou o infarto fulminante que matou o presidente rubro-negro Gilberto Cardoso: "Na histórica partida de 1955, além da sorte do Flamengo, nós desconfiamos que o cronômetro não correu. Faltavam 7 segundos, o Sírio tinha dois lances livres e o Olivieri perdeu os dois; o Algodão pegou a bola, jogou para o Alfredo no meio da quadra; o Alfredo pegou a bola, bateu devagar, atravessou a quadra, balançou o corpo e deu para o Arthur, que enganchou; a bola não entrou, veio o Guguta, deu um tapa e fez a cesta. Tudo isso faltando 7 segundos. Até hoje fica a interrogação: parou ou não o cronômetro?". O lance de Guguta sacramentou o placar de 45 x 44.
 
Os números daquela final, jogada em 25/11/1955:

Flamengo: Algodão (10), Guguta (16), Zé Mário (0), Artur (12), Walter (6), Godinho (0) e Alfredo da Motta (1).

Sírio e Libanês: Ardelin (3), Caco (6), Vinagre (4), Olivieri (15), César (16) e Álvaro (0).
 
Ainda ditando as páginas do Jornal dos Sports: “As vibrações chegaram ao transbordamento quando nos derradeiros segundos surgiu a cesta que seria a do espetacular triunfo. Daí saiu o grande presidente, sozinho, em seu próprio carro, mas batido pelo estado emocional em que se encontrava, não logrou passar do ponto da Avenida Presidente Vargas defrente do ‘Última Hora’. Conduzido ao pronto-socorro, foi medicado, mas logo sofreu crise mais séria. Os recursos da ciência foram em vão. Chegara o instante fatal. E o Flamengo sofreu todo o peso da dolorosa e inesperada perda”.
 
 
 
Gilberto Cardoso

domingo, 27 de janeiro de 2013

Seleção Brasileira de 1960 a 1970

História da Seleção Brasileira de Basquete Masculino
Brazilian Male Basketball Team's History
Historia de la Seleción Brasileña de Baloncesto

Depois de ser Campão Mundial em 1959, o basquete brasileiro, liderado pelo técnico Togo Renan Soares, o Kanela, entrou num outro patamar a nível internacional, principalmente porque dentro de quadra haviam dois jogadores fora de série: Wlamir Marques e Amaury Pasos. Nos Jogos Olímpicos de 1960, em Roma, o Brasil voltou a conquistar a Medalha de Bronze, feito que havia conseguido nas Olimpíadas de 1948. Repetiu o feito nas Olimpíadas de 1964, em Tóquio, o terceiro Bronze de sua história. No Mundial de 1963, jogando novamente no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, foi Bi-campeão Mundial. Naquele mesmo ano foi Medalha de Prata nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, com derrota para os Estados Unidos na final, por 66 x 78. Foi 3º lugar no Mundial de 67, em Montevidéu, e vice-campeão no Mundial de 70, na Iugoslávia. Foi uma época de ouro do basquete masculino brasileiro.

Em 1960, o Brasil foi Bi-campeão Sul-Americano, e jogando dentro da Argentina. Em Córdoba, venceu o rival por 58 x 57 no emocionante jogo final.

Nas Olimpíadas de Roma, Kanela levou estes 12 jogadores: Amaury Pasos (Sirio - SP), Antonio Sucar (Sirio - SP), Wlamir Marques (XV de Piracicaba - SP), Waldemar Blatskauskas (XV de Piracicaba - SP), Rosa Branca (Palmeiras), Édson Bispo (Palmeiras), Mosquito (Palmeiras), Jatyr Schall (Palmeiras), Algodão (Flamengo), Fernando Bro Bro (Flamengo), Waldyr Boccardo (Flamengo) e Moysés Blás (Minas Tênis Clube - MG). O veterano Algodão acabou perdendo a posição de titular para o jovem Rosa Branca, e esta foi sua última participação na Seleção Brasileira, a qual defendia desde 1948. Detalhe também para a presença de Sucar, jogador que nasceu em Tucuman, na Argentina, mas chegou ao Brasil com apenas 7 anos de idade.

A campanha brasileira começou com vitória sobre Porto Rico por 75 x 72, e seguiu com uma histórica vitória por 58 x 54 sobre a União Soviética! Depois, 80 x 72 no México, 78 x 75 na Itália, 77 x 68 na Polônia e 85 x 78 na Tchecoslováquia. Mas na fase final o primeiro carrasco foi o mesmo time sobre quem conseguira histórico feito na 1ª fase, num jogo duríssimo o Brasil perdeu para a União Soviética por 62 x 64. Depois foi facilmente batido pelo Estados Unidos por 63 x 90 e voltou para a casa com uma magnífica medalha de bronze. Os pontuadores do time brasileiro foram: Wlamir Marques (147 pts), Rosa Branca (38), Amaury Pasos (147), Waldemar Blatskauskas (61) e Édson Bispo (83). Algodão (22), Mosquito (20), Sucar (46), Jatyr Schall (12) e Waldyr Boccardo (2). Suplentes: Moysés (2) e Fernando Bro Bro (0).

Seleção Brasileira de 1960

Depois, em 61, o Brasil foi Tri-Campeão Sul-Americano jogando no Rio de Janeiro, e em 63 foi Tetra-Sul-Americano em Lima, no Peru. No mesmo ano ganhou uma inédita Medalha de Prata em Jogos Pan-Americanos, jogando em São Paulo. Aquele seria o ano da maior conquista brasileira no basquete masculino, com o país sagrando-se Bi-Campeão Mundial! A base da Seleção nesta época era o quinteto titular do Palmeiras: Rosa Branca, Mosquito, Victor Mirshauswka, Jatyr Schall e Édson Bispo.

Curiosamente, este time tinha dois jogadores não nascidos no Brasil, mas que emigraram para o país ainda na infância; além do já citado Sucar, nascido na Argentina e que chegou ao Brasil aos sete anos, Victor Mirshauswka nasceu em Tcherni, cidade da Polônia que posteriormente foi invadida pela União Soviética e hoje pertence à Bielo-Rússia, e chegou ao Brasil com sua família ainda menino. Outro jogador com laços familiares fora do Brasil era o carioca Fritz, que se chamava Friedrich Wilhelm Braun, descendente de alemães.

O grupo de 12 jogadores convocados para o Mundial de 1963 foi: Amaury Pasos (Sirio - SP), Luiz Cláudio Menon (Sirio - SP), Antonio Sucar (Sirio - SP), Wlamir Marques (Corinthians), Ubiratan Maciel (Corinthians), Waldemar Blatskauskas (XV de Piracicaba - SP), Rosa Branca (Palmeiras), Mosquito (Palmeiras), Jatyr Schall (Palmeiras), Victor Mirshauswka (Palmeiras), Fritz (Fluminense) e Paulista (Vasco da Gama).

Este grupo sofreu muito poucas modificações frente à equipe que conquistou o Bronze nas Olimpíadas de 64. Amaury Pasos (Sirio - SP), Antonio Sucar (Sirio - SP), Wlamir Marques (Corinthians), Ubiratan Maciel (Corinthians), Rosa Branca (Corinthians), Mosquito (Palmeiras), Jatyr Schall (Palmeiras), Victor Mirshauswka (Palmeiras) e Fritz (Fluminense). Waldemar faleceu antes da Olimpíada, Menon e Paulista não foram convocados. Nos seus lugares foram chamados: Édson Bispo (Palmeiras), Edvar Simões (Corinthians) e Sérgio Macarrão (Botafogo).

A brilhante campanha no Bi-Mundial, com as vitórias: 62 x 55 em Porto Rico, 81 x 62 na Itália, 90 x 71 na Iugoslávia, 77 x 63 França, e as duas majestosas vitórias para coroar com chave de ouro a conquista: 90 x 79 na União Soviética e 85 x 81 nos Estados Unidos. A pontuação dos jogadores do Brasil naquele Mundial de 63: Wlamir Marques (108 pts), Rosa Branca (65), Victor Mirshauswka (90), Amaury Pasos (106) e Ubiratan (46). Paulista (6), Mosquito (12), Sucar (30), Jatyr Schall (7) e Waldemar Blatskauskas (13). Suplentes: Fritz (0) e Menon (2).

o quinteto da Seleção Brasileira,
Wlamir e Amaury são os dois primeiros, da esquerda para a direita

Na conquista do Bronze em Tóquio, o Brasil tropeçou na estréia, perdendo por 50 x 58 para o Peru, mas venceu Iugoslávia (68 x 64), Coréia do Sul (92 x 65), Finlândia (61 x 54), Uruguai (80 x 68) e Austrália (69 x 57); perdeu para as duas potências do esporte da bola na cesta: 53 x 86 para EUA e 47 x 53 para URSS. Na disputa do Bronze, vitória sobre Porto Rico (76 x 60). A pontuação dos brasileiros no torneio: Wlamir Marques (128 pts), Rosa Branca (51), Victor Mirshauswka (56), Amaury Pasos (94) e Ubiratan (88). Edvar Simões (16), Mosquito (39), Sucar (37), Jatyr Schall (35) e Édson Bispo (33). Suplentes: Fritz (11) e Sérgio Macarrão (8).

Tetra-campeão Sul-Americano, o Brasil foi para a edição de 1966 para tentar o penta apostando em completa renovação. Apostou no jovem treinador Ary Vidal, assistente de Kanela no Flamengo, para comandar a Seleção e enviou uma "Seleção B"; acabou com o Vice-campeonato. Em 1967, Kanela não foi com o Brasil aos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. O time foi comandado pelo jogador-treinador Édson Bispo. O mesmo time de tantas façanhas, fracassou retumbantemente. Jogando com o quiteto titular: Mosquito, Wlamir Marques, Victor Mirshauswka, Amaury Pasos e Luiz Cláudio Menon, o Brasil ficou com um 7º lugar, depois de ser derrotado por México e Cuba.

O Esquadrão do Corinthians, time que dominou o Brasil entre 1965 e 1969
Da esquerda para a direita: Wlamir Marques, Rosa Branca, Ubiratan Maciel,
o técnico Moacir Daiuto, Amaury Pasos e José Aparecido, o Joy.

Já a seleção principal mantinha o ritmo entre as 4 melhores do mundo. Bi-campeã Mundial em 1959 e 1963, na edição de 1967 ficou em 3º lugar, garantindo mais um pódio. O time brasileiro em 67 era: Mosquito, Amaury Pasos, Jatyr Schall, Luiz Cláudio Menon e Ubiratan como titulares. No banco, Kanela tinha a jovem promessa Hélio Rubens (do Clube dos Bagres), além de Edvar Simões, Sucar, Cézar Sebba (do Botafogo) e Sérgio Macarrão (do Vasco). O time brasileiro perdeu para União Soviética (74 x 78) e Iugoslávia (84 x 87), mas venceu os Estados Unidos (80 x 71). No ano seguinte, 1968, o Brasil que havia sido Bronze em 1960 e 1964, ficou em 4º lugar nas Olimpíadas da Cidade do México. O quinteto titular nos Jogos de 68 era: Edvar Simões, Rosa Branca, Wlamir Marques, Luiz Cláudio Menon e Ubiratan.

Derrotas foram duas para União Soviética (65 x 76 e 53 x 70) e uma para os EUA (63 x 75). Portanto, entre Mundiais e Olimpíadas, em 6 torneios entre 1959 e 1968, o Brasil ficou 2 vezes em 1º lugar, nenhuma em 2º lugar, 3 vezes em 3º lugar e 1 vez em 4º lugar. Mas quatro destes seis torneios haviam sido jogados na América Latina. Teria sido o mesmo em solo europeu? Para provar que sim o Brasil foi para o Mundial da Iugoslávia em 70 e voltou com um 2º lugar. A sétima competição global seguida terminada entre os quatro primeiros colocados do planeta.

A Seleção Brasileira de 1970 convocada por Kanela: Ubiratan Maciel (Splugen Reyer Venezia - Itália), Wlamir Marques (Corinthians), Rosa Branca (Corinthians), José "Joi" Aparecido (Corinthians), Luiz Cláudio Menon (Sirio - SP), Mosquito (Sirio - SP), Edvar Simões (Tênis Clube São José - SP), Zé Olaio (Tênis Clube São José - SP), Hélio Rubens (Clube dos Bagres, Franca - SP), Sérgio Macarrão (São Caetano - SP), Pedrinho Ferrer (Flamengo) e Marquinhos Abdalla (Fluminense).

Fazia parte deste time o primeiro brasileiro a ir jogar basquete fora do Brasil, o pivô Ubiratan, que jogou 2 temporadas na 1ª divisão da Liga Italiana, a mais rica e importante da Europa naquele momento. A Seleção Brasileira voltou a fazer uma grande campanha no Mundial de 70, e jogando fora de casa, na Iugoslávia. O time titular de Kanela tinha Hélio Rubens, Wlamir Marques, Edvar Simões, Menon e Ubiratan; duas fantásticas e históricas vitórias sobre a União Soviética (66 x 64) e os Estados Unidos (69 x 65), mas o time caiu diante da seleção anfitriã (implacáveis 80 x 55). A Iugoslávia só foi campeã por causa da vitória maravilhosa do Brasil sobre os Estados Unidos na última partida do torneio. Os norte-americanos jogavam pelo título com uma vitória simples, por qualquer placar, sobre o Brasil, mas o quinteto brasileiro, com uma atuação histórica, impediu o título dos Estados Unidos. A pontuação do time brasileiro naquele Mundial: Hélio Rubens (83 pts), Edvar Simões (93), Wlamir Marques (85), Menon (158) e Ubiratan (137). Rosa Branca (13), Mosquito (21), Zé Olaio (4), Joi (42) e Sérgio Macarrão (49). Suplentes: Pedrinho (13) e Marquinhos Abdalla (6).


A carreira dos jovens talentos revelados nos Anos 1960 e que se juntaram à fantástica geração que vinha dos anos 1950:
Ubiratan "Bira" Maciel: 1961-70 Corinthians, 1970-72 Splugen Reyer Venezia (Itália), 1972-73 Trianon (SP), 1973-74 Sírio (SP), 1974-78 Palmeiras e 1979-81 Tênis Clube São José (SP)
Luiz Cláudio Menon: 1961-62 Palmeiras e 1963-74 Sírio (SP)


Ubiratan, camisa 5 do Splugen
primeiro brasileiro na Europa


Veja também aqui no blog:

- A Era Kanela, tempo de glórias

- Wlamir Marques, o Diabo Loiro

Biografia de Luiz Cláudio Menon


domingo, 13 de janeiro de 2013

Seleção Brasileira de 1948 a 1959

História da Seleção Brasileira de Basquete Masculino
Brazilian Male Basketball Team's History
Historia de la Seleción Brasileña de Baloncesto

Nas 16 primeiras edições do Campeonato Sul-Americano, o Brasil conquistou apenas dois títulos, em 1939 e em 1945. Neste período, o Uruguai foi o grande vencedor, em 7 edições, contra 5 vencidas pela Argentina; Chile e Peru ganharam uma vez cada. A primeira geração a alçar o basquete brasileiro para o patamar mundial foi a que conseguiu a primeira e mais expressiva conquista brasileira, a Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Londres em 1948.

A equipe brasileira que disputou as Olimpíadas de 1948 tinha 10 jogadores, sob o comando do técnico Moacir Daiuto foram os precursores do basquete brasileiro. Em tempos nos quais a viagem Transatlântica era uma aventura, o time de basquete do Brasil foi para as Olimpíadas de Londres de 1948 sem saber o que teria pela frente. Foram quase três dias de viagens nos aviões da PanAir, saindo de São Paulo, com paradas no Rio de Janeiro, em Natal, na África, em Lisboa, até por fim chegar a Londres. Os brasileiros não tínham qualquer conhecimento sobre seus adversários, não existia nenhum intercâmbio; enquanto os Estados Unidos faziam aquecimento com uma bola por jogador, no time brasileiro era uma única bola para o time inteiro. A delegação brasileira ficou hospedada a 80 km de Londres, numa base militar que havia sido bombardeada pela Alemanha na 2ª Guerra Mundial, onde não havia nenhuma cesta ou quadra para treinamento, que se restringia a exercícios físicos.

O time tinha Ruy de Freitas (A.A. Grajaú), Alfredo da Motta (Flamengo), Algodão (Flamengo), o veterano Affonso Évora (Flamengo - atleta histórico do Botafogo, por quem foi Tetracampeão Carioca 1942-43-44-45), Nilton Pacheco (Fluminense), Marcus Vinícius Dias (Fluminense), João Francisco Bráz (Corinthians), Alberto Marson (Tênis Clube São José - SP), Alexandre Gemignani (Espéria - SP) e Massinet Sorcinelli (Espéria - SP). O técnico era Moacir Daiuto, do Corinthians.

A campanha: 45 x 41 Hungria (39 x 39 no tempo normal), 36 x 32 Uruguai, 76 x 11 Inglaterra, 57 x 35 Canadá, 47 x 31 Itália e 28 x 23 Tchecoslováquia. Na semi-final, derrota por 33 x 43 para a França. E na decisão do Bronze: vitória por 52 x 47 sobre o México. O ouro ficou com os EUA e a prata com a França. Os maiores pontuadores do Brasil foram Alfredo da Motta (115 pontos), Algodão (67) e Bráz (49).


Eis a carreira dos três principais nomes da Seleção Medalha de Bronze em 1948, o capitão Ruy de Freitas e os dois principais pontuadores do time, Alfredo e Algodão:
Ruy de Freitas: 1935 ACM (RJ), 1936-42 Riachuelo (RJ), 1943-44 América (RJ); 1945-51 Associação Atlética Grajaú (RJ) e 1952 Riachuelo (RJ)
Alfredo da Motta: 1944-47 Vasco e 1948-55 Flamengo
Zenny de Azevedo, "Algodão": 1948-62 Flamengo


Motivado pela medalha em Londres, o Brasil foi disputar o 1º Mundial, em 1950, em Buenos Aires. O time titular de Moacir Daiuto jogava com Ruy de Freitas, Angelim, Algodão, Alfredo da Motta e Alexandre Gemignani. Era a base medalhista de 1948, acrescida de Angelo Bonfietti, o "Angelim", então principal jogador do Corinthians. A seleção venceu Peru (40 x 33), Egito (38 x 19) e França (59 x 27), mas sofreu derrotas apertadas para Argentina (35 x 40), EUA (42 x 45) e Chile (40 x 51), voltando para casa com um razoável 4º lugar. Os maiores pontuadores do time continuavam sendo Alfredo da Motta (48 pontos) e Algodão (36 pontos). Mesmo com os bons resultados em 1948 e 1950, apostou-se em renovação no comando para o ciclo seguinte.

Em 1951 começa a ERA KANELA na Seleção. O paraibano Togo Renan Soares, o "Kanela", foi treinador do Flamengo de 1948 a 1970 e da Seleção Brasileira de 1951 a 1971. O curioso é que Kanela começou sua carreira como técnico de futebol, foi treinador do Sport Club Brasil (extinto clube do Rio de Janeiro), do Bangu e do Vitória, do Espírito Santo, e foi técnico também do futebol do Flamengo antes de assumir o time de basquete (tinha sido treinador do time de basquete do Botafogo nos anos 1930). No basquetebol, depois que deixou o Flamengo, treinou o Palmeiras em 1971 e 1972 e o Vila Nova, de Goiás, em 1973, time com o qual conseguiu sagrar-se Campeão Brasileiro, vencendo os paulistas do Trianon na decisão da Taça Brasil. Ele foi um verdadeiro revolucionário no basquete brasileiro. Num momento em que se fazia um jogo parado, só de passes e arremessos, ele introduziu uma dinâmica de saída em velocidade para o ataque, realizando uma veradeira revolução neste esporte no Brasil. É justo dizer que o basquete brasileiro em 1951, quando ele chegou à Seleção, era um, e vinte anos depois, em 1971, quando ele deixou a Seleção, era outro completamente diferente. Ademais de seu estilo firme e enérgico de liderança dos times que comandou. Com a Seleção Brasileira, foi vice-campeão Mundial em 1954 no Rio de Janeiro, foi Bi-Campeão Mundial, em 1959 em Santiago e em 1963 no Rio de Janeiro. Em 1970 voltou a ser vice-campeão Mundial, em Ljubljana na Iugoslávia. Em Jogos Pan-Americanos, ganhou Medalha de Prata em 1963, e Medalha de Bronze em 1951, 1955 e 1959. Foi ainda Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos em 1960. E foi 5 vezes Campeão Sul-Americano com o Brasil, em 1959, 1960, 1961, 1963 e 1971.

Nos Jogos Pan-Americanos de 1951, em Buenos Aires, a base que defendeu a Seleção Brasileira era o time do Flamengo, com 6 convocados: Algodão, Godinho, Alfredo da Motta, Mário Hermes, Tião Gimenez e Zé Luiz. O time tinha ainda Angelim, Alberto Marson e Massinet Sorcinelli. Este time ganhou a primeira Medalha em Jogos Pan-Americanos, o Bronze. Os principais pontuadores da seleção foram: Alfredo da Motta (68 pontos), Mário Hermes (55) Algodão (42), Thales Monteiro (40), Godinho (34), Alberto Marson (27) e Tião Gimenez (17). Eis a campanha brasileira: 62 x 44 Panamá, 47 x 58 Argentina, 58 x 39 Chile, 57 x 46 Cuba, 42 x 74 EUA e 51 x 70 Panamá. O ouro foi dos EUA e a prata da Argentina.

Flamengo, base da Seleção em 1951 e 1952

No ano seguinte, 1952, o Brasil foi 6º lugar na Olimpíada de Helsingue, na Finlândia. O técnico desta vez não foi Kanela, mas Manoel Pitanga. A base do time titular era mais uma vez o quinteto titular do Flamengo, substituindo Godinho por Angelim, do Corinthians: Angelim (fez 90 pontos), Algodão (60 pts), Alfredo da Motta (102 pts, mais uma vez o cestinha do time), Mário Hermes (46) e Zé Luiz (63). O time tinha ainda Godinho, Mayr Facci, Thales Monteiro e o veterano Ruy de Freytas. A campanha brasileira: 57 x 55 Canadá, 71 x 52 Filipinas, 56 x 72 Argentina, 75 x 44 Chile, 49 x 54 União Soviética, 53 x 57 EUA, 59 x 44 França e 49 x 58 Chile. Além das já costumeiras derrotas para Estados Unidos e Argentina, o Brasil pela primeira vez duelava com os soviéticos, e seguia tendo alguma dificuldade contra a seleção do Chile.

Em 1954 o Brasil iniciou sua era de grandiosos resultados sob o comando de Kanela, e desta vez jogando em casa, no Rio de Janeiro, sagrou-se Vice-campeão Mundial, num torneio disputado todo ele no ginásio do Maracanãzinho, que esteve absolutamente lotado para todos os jogos. Os convocados de Kanela eram: Angelim (Corinthians), Wlamir Marques (Regatas Piracicaba), Amaury Pasos (Tietê - SP), Fausto (Paulistano), Wilson Bombarda (Pinheiros),  Mayr Facci (Ponta Grossa - PR), Algodão (Flamengo), Alfredo da Motta (Flamengo), Godinho (Flamengo), Mário Hermes (Flamengo) e Gedeão (Flamengo). No Mundial de 54, chegava à seleção uma nova geração, com dois gatoros que viriam a ser monstros do basquete: Amaury e Wlamir, então com 18 e 17 anos respectivamente. Amaury Pasos que, curiosamente jogava basquete e vôlei ao mesmo tempo, tendo sido campeão paulista de volibol (como se chamava o vôlei naquela época). O time titular do Brasil era: Angelim, Algodão, Wlamir Marques, Amaury e Mayr Facci. o Brasil venceu Filipinas (99 x 62), Paraguai (61 x 52), Formosa (61 x 44), Israel (68 x 46) e Canadá (82 x 67). Na segunda fase voltou a bater as Filipinas (57 x 41), e venceu França (49 x 36) e Uruguai (60 x 45). Foi para a final contra o Estados Unidos, e perdeu por 41 x 62. Os jogadores que mais pontuaram no Mundial foram Amaury (100 pontos), Angelim (97) e Wlamir (95). Ao final do torneio, o jovem Wlamir, de apenas 17 anos, e o veterano Algodão, foram escolhidos para o Quinteto Ideal do Mundial.

A carreira de mais alguns dentre os principais jogadores brasileiros desta década:
Angelim: 1947-58 Corinthians
Wlamir Marques: 1953-54 Clube de Regatas Piracicaba (SP), 1955-61 XV de Piracicaba (SP), 1962-72 Corinthians e 1973 Tênis Clube Campinas (SP)
Amaury Pasos: 1951-57 Tietê (SP), 1958-65 Sírio (SP) e 1966-72 Corinthians

Em 1955, o Brasil obteve mais um Bronze em Jogos Pan-Americanos, jogando na Cidade do México. O time brasileiro, jogando com Algodão, Wlamir, Almir, Amaury e Mayr Facci como quinteto titular, venceu Venezuela, Cuba, México e superou a Argentina (61 x 57). Caiu só perante os EUA: 49 x 78.
No ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Melbourne, o Brasil, com Mário Amândio Duarte como treinador, ficou com um modesto 6º lugar. Neste time, destacou-se Édson Bispo, então jogador do Vasco da Gama. A campanha brasileira: 78 x 59 Chile, 89 x 66 Austrália, 68 x 87 União Soviética, 51 x 113 Estados Unidos, 73 x 82 Bulgária, 89 x 64 Chile, 52 x 64 Bulgária (4 vitórias e 3 derrotas).

Em 1958, comandada por Kanela, jogando em Santiago, no Chile, a Seleção Brasileira vence pela 3ª vez em sua história o Campeonato Sul-Americano (desde 1945 não era campeã), iniciando a série que a levaria a um Tetra-campeonato 1958-60-61-63. Esta era a 17ª edição do Campeonato Sul-Americano e tão só o 3º título do Brasil. Até este momento, Argentina e Uruguai tinham 5 títulos cada, Brasil 3, e Chile, Peru e Paraguai 1 título cada.

O quinteto titular do Brasil foi o mesmo que um ano depois, também em Santiago, sagraria-se Campeão Mundial: Algodão, Wlamir Marques, Amaury Pasos, Waldemar Blatskauskas e Édson Bispo.

o quinteto titular campeão de 59: da esquerda para a direita estão
Algodão, Wlamir, Édson Bispo, Amaury e Waldemar

A seleção convocada para o Mundial de 1959 pelo técnico Kanela, do Flamengo, e pelo assistente-técnico João Francisco Bráz, do XV de Piracicaba, tinha: Amaury Pasos (Sirio - SP), Wlamir Marques (XV de Piracicaba - SP), Pecente (XV de Piracicaba - SP), Waldemar Blatskauskas (XV de Piracicaba - SP), Jatyr Schall (Palmeiras), Rosa Branca (Palmeiras), Édson Bispo (Vasco da Gama), Algodão (Flamengo), Fernando Bro Bro (Flamengo), Waldyr Boccardo (Flamengo), Otto Nóbrega (Fluminense) e Zezinho (Tijuca Tênis Clube).

O Brasil venceu o Canadá por 69 x 52, depois perdeu para a União Soviética por 64 x 73, e venceu em sequência a México (78 x 50), China (94 x 76) e Bulgária (62 x 53), sofreu nova derrota para a URSS, desta vez por 63 x 66, venceu Porto Rico por 99 x 71, conseguiu uma boa vitória por 81 x 67 sobre os Estados Unidos (que estavam representados por uma equipe de soldados da Aeronáutica) e outra sobre o Chile, por 73 x 49. O Brasil teria ficado com o vice-campeonato, mas a União Soviética se negou a entrar em quadra para entrar Formosa e acabou eliminada pela FIBA, com o Brasil herdando o troféu. A pontuação do time brasileiro: Algodão (63 pts), Wlamir Marques (149), Amaury Pasos (137), Waldemar Blatskauskas (90) e Édson Bispo (90). Rosa Branca (10), Pecente (61), Fernando Bro Bro (23), Otto Nóbrega (11) e Jatyr Schall (34). Suplentes: Zezinho (7) e Waldyr Boccardo (8).

No embalo da conquista, o Brasil foi jogar os Jogos Pan-Americanos de 59, em Chicago, no qual ficou, pela terceira vez em sua história, com uma Medalha de Bronze. O time estava levemente modificado em relação ao Campeão Mundial: Amaury Pasos e Algodão, machucados, foram substituídos por Mosquito (do Palmeiras) e Wilson Bombarda (do Tênis Clube São José - SP).

A campanha brasileira teve vitórias sobre Cuba (87 x 48), Canadá (60 x 53), El Salvador (89 x 66) e Porto Rico (79 x 78), e derrotas para México (49 x 50) e EUA (79 x 93).

Mais uma leva de grandes jogadores chegavam à Seleção no final da década de 50, eis a carreira deste nova leva de craques:
Carmo de Souza, "Rosa Branca": 1956-58 São Carlos (SP), 1959-64 Palmeiras (SP) e 1964-71 Corinthians
Waldemar Blatskauskas: 1956 São Carlos (SP) e 1957-64 XV de Piracicaba (SP). Morreu num acidente automobilístico em 1964.
Édson Bispo: 1952-59 Vasco da Gama, 1959 Corinthians, 1960-68 Palmeiras e 1969 Hebraica (SP)


"O Kanela foi o grande mentor e organizador dessa geração vencedora do basquete masculino. Ele cobrava bastante da equipe para que jogássemos o melhor possível, mas sempre cuidou muito bem do atleta. Ele supervisionava tudo para que tivéssemos boas condições de trabalhar na seleção. Ele ficava bravo mesmo era com os juizes, quando se achava injustiçado, e com os dirigentes, pois sempre brigava pelos direitos e pelo máximo conforto dos atletas de sua equipe. Ele é uma grande referência para qualquer um que goste de basquete. Ele que me incentivou a treinar a seleção, me dando dicas e orientações" - declaração de Édson Bispo em 21/02/2006 em entrevista ao website da CBB.




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