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segunda-feira, 29 de abril de 2024

Os vários casos de jogadores dos dois lados da rivalidade merengue-culé


A rivalidade entre Real Madrid e Barcelona se tornou mundialmente notória pelo futebol. No basquete ela se estendeu. Nos gramados a quantidade de casos de jogadores que defenderam as duas camisas é muito mais extensa do que nas quadras, afinal é uma história que se alastra por muitos mais anos.

No futebol o primeiro foi o catalão Josep Samitier, que após defender ao Barça de 1919 a 1932, neste ano trocou a equipe culé pela merengue, que defendeu até 1934. O ícone do futebol espanhol, o goleiro Ricardo Zamora jogou pelo Barcelona de 1919 a 1922, e pelo Real Madrid de 1930 a 1936.

Na primeira metade do Século XX, entre outros casos de nomes menos badalados a terem vestido as duas camisas estiveram Juan Hilario, Josep Canal, Joaquín Navarro, Alfonso Navarro, Justo Tejada e Jesus María Pereda. O outro célebre jogador a ter feito tal migração foi o brasileiro Evaristo de Macedo, do Barcelona de 1957 a 1962, e do Real Madrid de 1962 a 1965.

Seguiram-se outros nomes menos relevantes a passar dos dois lados no futebol, como o belga Fernand Goyvaerts, o francês Lucien Muller, e o espanhol Luis Milla. Encurtando a história, outros nomes relevantes no futebol foram o alemão Bernd Schuster, culé de 1980 a 1988, e merengue de 1988 a 1990, o dinamarquês Michael Laudrup, culé de 1989 a 1994 e merengue de 1994 a 1996, o romeno Gheorghe Hagi, merengue de 1990 a 1992, e culé de 1994 a 1996, o croata Robert Prosinecki, merengue de 1991 a 1994, e culé de 1995 a 1997, o espanhol Luis Enrique, merengue de 1991 a 1996, e culé de 1996 a 2004, o português Luis Figo, culé de 1995 a 2000, e merengue de 2000 a 2005, o brasileiro Ronaldo, culé na temporada 1996/97, e merengue de 2002 a 2007, o camaronês Samuel Eto'o, merengue de 1998 a 2000, e culé de 2004 a 2009, e o argentino Javier Saviola, culé de 2001 a 2004, e merengue de 2007 a 2009.


No basquete, o primeiro jogador a jogar em ambas as equipes foi o pivô porto-riquenho José Rafael "Piculín" Ortiz. Após defender ao Utah Jazz na NBA, em 1990 chegou ao Real Madrid como grande contratação. Mas após vestir a camisa merengue por menos de uma temporada, marchou para o Barcelona, onde jogou duas temporadas, de 1990 a 1992.

Entre casos de jogadores que marcharam do Barça para Madrid estão o ala croata Mario Hezonja, culé de 2013 a 2015 e merengue a partir de 2022. Antes dele, o ala húngaro Adam Hanga foi culé de 2017 a 2021 e merengue de 2021 a 2023, o armador francês Thomas Heurtel foi culé de 2017 a 2021 e merengue na temporada 2021/22, o pivô grego Ioannis Bourousis teve uma passagem muito rápida pelo Barcelona em 2006 (só 3 jogos e 8 minutos em quadra), e foi jogador do Real Madrid de 2013 a 2015.

Regressando mais no tempo, o armador argentino Pepe Sánchez teve passagens discretas pelos dois lados, no Barça na temporada 2007/08 e no Madrid na temporada 2008/09. Passagens discretas também do basco José Luis Galilea, formado nas categorias inferiores do Barcelona e merengue na temporada 1999/00, do norte-americano Michael Hawkins, culé em 2001 e merengue em 2002, o também norte-americano Derrick Alston foi culé de 1998 a 2000 e jogou no Real na temporada 2002/03, tendo jogado dos dois lados com o ala francês Alain Digbeu, culé de 1999 a 2002 e merengue na temporada 2002/03.

Entre dois nomes mais destacados a fazerem tal trajeto, e que tiveram grande destaque com as duas camisas, estão o armador sérvio Sasha Djordjevic, que se destacou por três temporadas pelo Barça entre 1996 e 1999 e outras três com a camisa merengue, de 1999 a 2002, e o pivô sérvio Zoran Savic, culé de 1991 a 1993 e merengue na temporada 1995/96, e novamente culé na temporada 2000/01.

Entre os jogadores que marcharam de Madrid para o Barça, talvez o mais notório seja o de Nikola Mirotic, ala-pivô nascido em Montenegro mas que, naturalizado, defende à Seleção da Espanha. Ele foi formado nas categorias de base do Real Madrid, onde chegou em 2008, e defendeu à equipe adulta de 2010 a 2014. Após passar pela NBA, por Chicago Bulls, New Orleans Pelicans e Milwaukee Bucks, regressou à Espanha para defender a camisa do Barcelona de 2019 a 2023.

Caso de migração direta foi a do armador argentino Nicolás Laprovittola, merengue de 2019 a 2021, e culé a partir de 2021. Movimentação que gerou muita polêmica, tanto quando a do pivô croata Ante Tomic, merengue de 2010 a 2012, e culé de 2012 a 2020. Um caso menos badalado, pelo espaçamento de tempo grande, foi o do pivô polonês Maciej Lampe, merengue na temporada 2001/02 e culé de 2013 a 2015. Por fim, o caso do ala sérvio Dejan Bodiroga, merengue entre 1996 e 1998, e culé entre 2002 e 2005, figura de destaque na conquista da Euroliga na Final de 2003.

Para fechar a história contada neste texto, chega-se ao caso do pivô Willy Hernangómez. Formado nas categorias de base de Madrid, tendo defendido à camisa merengue de 2011 a 2016, após sua passagem pela NBA, onde defendeu a New York Knicks, Charlotte Hornets e New Orleans Pelicans, ele causou polêmica ao anunciar seu regresso ao basquete espanhol na temporada 2023/24 para defender ao Barcelona.




segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Estrangeiros naturalizados na Seleção da Espanha de basquete masculino


O tema naturalização para defender seleções nacionais sempre gera polêmica, em todos os lugares e em todos os esportes. O Brasil por exemplo, viveu uma enorme polêmica no início dos Anos 2010 que foi dada a naturalização ao norte-americano Larry Taylor, natural de Chicago, para defender à Seleção Brasileira. Até 2023, ainda o único caso de um estrangeiro a defender à Seleção Brasileira de Basquete Masculino. Na Espanha, foram muito mais as naturalizações que já aconteceram no basquete masculino, entretanto ainda assim o tema sempre provoca uma grande polêmica.   

Joga-se mais holofote sobre o assunto dado o sucesso da Espanha no basquete no Século XXI. Antes deste sucesso, quando apesar da Espanha ter conquistado um título de Eurobasket nos Anos 1980, o selecionado espanhol não costumava figurar entre as cinco ou seis maiores forças do basquete mundial, e talvez por isto as polêmicas não tivessem a mesma dimensão.

Pois os dois maiores casos de sucesso de jogadores naturalizados com a camiseta de basquete espanhola se deram justamente em meio ao auge de conquistas da Espanha no basquete masculino: o congolês Serge Ibaka e o montenegrino Nikola Mirotic, ambos com papel de sem dúvida terem dado grandes contribuições de qualidade técnica para alguns dos resultados obtidos em quadra pelo selecionado nacional, tendo Ibaka e Mirotic se consagrado campeões europeus e medalhistas olímpicos.

Numa região do mundo onde temas nacionalistas e raciais esquentam até mesmo a dificuldade de obtenção de uma unidade nacional, é justo começar esta lista de naturalizados por um filho da África. Antes de conseguir construir uma carreira brilhante no basquete profissional da NBA, nos Estados Unidos, onde atuou desde 2009, Serge Ibaka teve concedida uma carta de nacionalização. Com a Seleção da Espanha, o pivô nascido no Congo, conquistou o título do Eurobasket de 2011 na Lituânia, tendo tido atuação destacada na partida final que decretou o título espanhol. Ele ainda participou do grupo que ficou com a Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, derrotado pelos EUA na final, e do que caiu para a França nas quartas de final do Mundial de 2014. Talvez um pouco por conta de toda a polêmica que sua naturalização causou, sua campanha com a camisa da Espanha não teve a continuidade esperada. O fato é que desde então entre lesões, pedidos de dispensa, e vetos da franquia NBA a qual estava vinculado, ele não se juntou mais à seleção.


A FIBA só permitia que houvesse um naturalizado por seleção. Assim, durante este início de Anos 2010, Ibaka se alternou nesta vaga com o ala-pivô do Barcelona Nikola Mirotic, jogador nascido em Montenegro, uma das repúblicas que no passado formavam a Iugoslávia. A Federação Espanhola apelou à FIBA para não considerar o caso de Mirotic como aplicável à restrição de um naturalizado por seleção, alegando que desde jovem ele defendeu à Seleção da Espanha na base, mas a reinvindicação não foi aceita. De fato, Nikola Mirotic disputou e foi campeão do Eurobasket Sub-20 pela Espanha em 2011. Na seleção principal, só foi convocado, por causa desta regra da FIBA, após as ausências de Ibaka após 2015. E foi justamente no Eurobasket de 2015 que ingressou no time espanhol, chegando campeão da competição na França. Também fez parte da equipe que foi Medalha de Bronze nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Depois disto, migrou para a NBA, e passou a ter os mesmos problemas de Ibaka para obter liberação para disputar competições internacionais pela Espanha.


Mas muito antes de Ibaka e Mirotic, a presença de estrangeiros nacionalizados com a camisa da Espanha já era bastante comum. E a maioria deles foram de jogadores nascidos nos Estados Unidos. A dupla que deixou uma maior marca defendeu a camisa da Espanha nos Anos 1970, dois jogadores que fizeram história pelo Real Madrid, Wayne Brabender e Clifford Luyk. A naturalização do primeiro gerou uma enorme polêmica, e foi tratado pela imprensa espanhola como um grande escândalo à época. Mas sua passagem foi um sucesso. Brabender tinha um excelente arremesso de fora do garrafão, e era exímio nos lances-livres, obtendo o recorde em Campeonatos Mundiais, ao haver acertado 39 consecutivamente, sem errar nenhum, no Mundial de 1974 em Porto Rico. A nacionalização de Brabender aconteceu depois da de Luyk, numa época na qual a FIBA não tinha a restrição que só permitia um nacionalizado. O pivô, famoso por seus ganchos dentro do garrafão, também foi bem sucedido, defendendo à Espanha de 1968 a 1975. Com Brabender e Luyk juntos, a Espanha foi Medalha de Prata no Eurobasket de 1973, em Barcelona.

Wayne Brabender disputou com a Espanha os Eurobaskets de 1971, 1973, 1975, 1977, 1979 e 1981, as Olimpíadas de 1972 e 1980, e os Campeonatos Mundiais de 1974 e 1982. Clifford Luyk disputou os Eurobaskets de 1969, 1971, 1973 e 1975, as Olimpíadas de 1968 e 1972, e o Campeonato Mundial de 1974. Portanto, os dois defenderam juntos a camisa espanhola em três Campeonatos Europeus, um Campeonato Mundial e uma Olimpíada.

Mais recentemente, outros norte-americanos defenderam à Espanha, que foram os casos de Johnny Rogers, Mike Smith e Chuck Kornegay, todos sem o mesmo êxito de Brabender e Luyk. Rogers, jogador que defendeu Real Madrid, Valencia, Murcia, Cáceres e Lleida, jogou 16 partidas na preparação para as Olimpíadas de 2000, mas ficou de fora da lista final. Mike Smith, jogador que defendeu a Málaga, Joventut Badalona, Real Madrid, Sevilla e Alicante, jogou pela Espanha os Eurobaskets de 1995 e 1997, e Kornegay foi Medalha de Bronze no Eurobasket de 2001. Todos três jogadores de força física e que se destacavam pegando rebotes.

Mas a passagem de estrangeiros naturalizados pela Espanha é bem mais antiga que estes casos, e teve muitos nascidos na América Latina, de Argentina, Porto Rico, República Dominicana, Venezuela, Cuba, Costa Rica e El Salvador. Já em 1935, a Seleção da Espanha disputou um torneio em Genebra com quatro latino-americanos, os irmãos cubanos, e filhos de bascos, Emílio e Pedro Alonso Arbeleche, o salvadorenho Rafael Martín, e o costarriquenho Rafael Ruano.

Em 1951, os porto-riquenhos Guillermo Galíndez Antelo e Freddy Borrás Blasco fizeram parte da equipe espanhóis que disputou a primeira edição dos Jogos do Mediterrâneo, no qual o selecionado espanhol ficou com a Medalha de Prata. Nos Anos 1960, o argentino José Luis Beltrán de la Saletta, e o basco-venezuelano Juan Bautista Urberuaga, também usaram a camisa da Espanha. Já o venezuelano José Luis "Indio" Díaz foi Medalha de Prata no Eurobasket Sub-20 de 1978, e chegou a defender à seleção principal por 18 partidas.

Nos Anos 1980, quando a Espanha conseguiu pela primeira vez um título expressivo no basquete, a presença de estrangeiros naturalizados também se fez presente. O pivô argentino Juan Domingo de la Cruz, jogador do Barcelona, e que vestiu a camiseta espanhola em 131 ocasiões, tendo sido parte da equipe no Eurobasket de 1983 e do time que foi Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Jogador que já havia defendido à Seleção Argentina Sub-20.

Esta geração também tinha um ala nascido na República Dominicana, e que veio a ser o primeiro negro a defender a camiseta da Espanha: Chicho Sibilio. Ele também jogou o Eurobasket em Nantes, na França, em 1983, mas ficou de fora da equipe que foi às Olimpíadas de 1984 por problemas de relacionamento com a comissão técnica, que o considerava uma personalidade de caráter contestador. Mas foi um jogador de participação histórica, sobretudo pelos 26 pontos convertidos na semi-final do Eurobasket de 83.


Há dois casos de filhos de espanhóis nascidos em outros países da Europa. O ala russo Chechu Biriukov, filho de uma espanhola que fugiu de Bilbao durante a Guerra Civil Espanhola, e nascido em Moscou. Chegou a jogar algumas partidas com a Seleção Russa, mas optou por defender à Espanha, realizando o sonho da mãe. Com a Seleção da Espanha disputou as Olimpíadas de 1988 e 1992. Já o pivô Silvano Bustos García nasceu na Alemanha, de pai e mãe espanhóis, e com a Espanha jogou o Eurobasket de 1991. São dois casos que não geraram polêmica, afinal eram de fato cidadãos espanhóis, ademais de terem nascido no exterior.

Com todo este histórico de estrangeiros, a Espanha voltou a enfrentar enorme polêmica com a naturalização de Lorenzo Brown, o sexto norte-americano a defender a Espanha na história do basquete masculino. Para o Eurobasket de 2022, com as ausências de Ricky Rubio, Sérgio Rodríguez e dos irmãos Pau e Marc Gasol, o treinador Sérgio Scariolo escolheu convocar um armador com quem conviveu quando assistente-técnico do Toronto Raptors, na NBA. Foi então naturalizado em caráter de urgência Lorenzo Brown, então jogador do Maccabi de Tel Aviv, de Israel. Apesar do histórico de estrangeiros jogando pela Espanha, a questão com Brown tomou outra dimensão pelo fato de ele sequer ter defendido a camiseta de qualquer agremiação espanhola em sua carreira. Após as passagens na NBA por Philadelphia 76ers, Minnesota Timberwolves, Phoenix Suns e Toronto Raptors, ele jogou os campeonatos nacionais de China, Sérvia, Turquia, Rússia e Israel. Sem laços históricos com a Espanha, foi naturalizado para defender à Seleção Espanhola, levando a situação a um outro patamar, apesar de todo o histórico de estrangeiros no selecionado nacional do país. E Brown foi uma peça muito importante na conquista do título do Eurobasket 2022 pela Seleção Espanhola.


A grande polêmica é que Brown nunca sequer havia vivido ou jogado na Espanha. Entre as muitas manifestações de descontentamento, uma das mais contundentes e mais claras a expressar e resumir os fatores em torno da polêmica foram as palavras do então técnico da Seleção da Argentina, o ex-jogador Pablo Prigioni: "Prefiro perder com argentinos, do que tentar ganhar com uma pessoa que não seja do meu país".  Por mais que a Espanha já tivesse utilizado naturalizados outras vezes, o caso Lorenzo Brown levou a questão a outro patamar.






domingo, 25 de junho de 2017

Joventut Badalona e Saski Baskonia: dois humildes atrevidos diante dos gigantes Madrid e Barça

O Joventut e o Baskonia são duas das equipes de maior tradição no cenário do basquete espanhol. Foram as duas equipes que mais vezes conseguiram superar a Real Madrid e a Barcelona, furando a bipolaridade mandante do cenário nacional na bola laranja. Os dois clubes atingiram seus respectivos auges em momentos distintos, mas sempre estiveram marcando presença na elite do basquete espanhol desde os primórdios do esporte no país.

Até a temporada 1996-97, o Joventut Badalona era o único clube espanhol a ter ousado superar a Madrid e ao Barça e conquistar o título nacional espanhol. Até então, em 41 edições da Liga Nacional Espanhola de Basquete Masculino, o Real Madrid havia sido 27 vezes campeão e o Barcelona havia sido 10 vezes campeão. Os outros 4 títulos foram os conquistados em sua história pelo Joventut Badalona, nas temporadas 1966-1967, 1977-1978, 1990-1991 e 1991-1992.

Outros clubes ameaçaram se meter e reverter a bipolaridade, o Manresa foi campeão da temporada 1997-1998, e o Unicaja Málaga foi campeão na temporada 2005-2006. Mas o clube que realmente conseguiu fazer frente aos gigantes e se impôr como a terceira força do cenário durante os Anos 2000 foi o Saski Baskonia, três vezes campeão espanhol, nas temporadas 2001-2002, 2007-2008 e 2009-2010. As histórias destes dois humildes atrevimentos são contadas abaixo, na descrição da história destes dois clubes.

Joventut Badalona x Saski Baskonia em 1978


Club Joventut de Badalona

O clube da cidade catalã de Badalona, pertencente à Província de Barcelona, foi fundado em 30 de março de 1930 sob o nome Penya Spirit of Badalona, uma agremiação polidesportiva. Em 1932 seu nome foi modificado para Centre Esportiu Badaloni. Em 1939, uma nova mudança de nome, passando a Club Joventut de Badalona. Logo após a esta mudança, porém, durante os anos da Ditadura do General Franco, entre 1940 e 1979, o nome foi obrigado a ser mudado do catalão para o espanhol, chamando Club Juventud de Badalona. Após o fim da Ditadura, voltou a ser Joventut de Badalona.


Na 1ª temporada da Liga Espanhola de Basquete (1956-1957) terminou em 6º lugar. Dali para frente, no entanto, passaria um longo período entre as quatro maiores forças do basquete espanhol. Da temporada 1957-58 até a temporada 1979-80, foram 23 temporadas seguidas entre os quatro primeiros colocados, sendo que em apenas duas delas foi 4º lugar. Terminou 13 vezes como 3º lugar neste período, 6 vezes como 2º lugar e foi 2 vezes campeão. Na sequência, teve três temporadas ruins (80-81, 81-82 e 82-83), mas voltou ao Top 4 nas 11 temporadas seguintes, nas quais foi 1 vez 4º lugar, 4 vezes 3º lugar, 4 vezes 2º lugar e 2 vezes Campeão. Portanto, até 1994, o Joventut Badalona era a terceira força do basquete espanhol. Daí para frente perdeu espaço, só voltando ao Top 3 da Liga Espanhola uma única vez, com o vice-campeonato na temporada 2007-2008.

Na Copa do Rei, foram oito títulos do Joventut: 1947-1948, 1952-1953, 1954-1955, 1957-1958, 1968-1969, 1975-1976, 1996-1997 e 2007-2008.

O herói do primeiro título da história do Joventut Badalona foi o pivô Alfonso Martínez, líder da equipe campeã da temporada 1966-67. Martinez jogou no Real Madrid em 56-57 e 57-58, onde já fora campeão espanhol; depois transferiu-se para o Barcelona, onde também foi campeão, na temporada 58-59, e jogou pelo Picadero Jockey Club, onde conquistou uma Copa do Rei, e terminou a carreira pelo Joventut, terceiro time com o qual conseguiu tornar-se campeão da Liga Espanhola, um grande feito. Na campanha do título da temporada 66-67, foram 18 vitórias em 20 jogos do Joventut, com uma derrota para o Real Madrid e outra para o Estudiantes. O Real Madrid só tinha uma derrota até a última rodada, exatamente para o Joventut, e seria campeão se vencesse ao Estudiantes, mas acabou perdendo o jogo por 77 x 75 e viu a inédita conquista do quinteto de Badalona, que bateu ao Barcelona por 77 x 55 na última rodada. No turno, o time de Madrid havia vencido por 85 x 73, mas sofreu uma derrota esmagadora por 81 x 64 em Badalona, a qual acabou, algumas rodadas depois, definindo o título do Joventut (na época ainda chamado Juventud).


O segundo título da Liga Espanhola veio na temporada 1977-78, com o treinador Antonio Serra no banco, e um gênio iugoslavo dentro de quadra: Zoran "Moka" Slavnic. No garrafão, uma dupla de pivôs formada pelo capitão Luis Miguel Santillana e pelo norte-americano Ed Johnson. Este era o trio de referência. Junto a eles estavam os alas Juan Ramón Fernández e Josep María "Matraco" Margall. O título veio com uma campanha de 20 vitórias em 22 partidas. Invicto no turno, incluindo uma vitória por 86 x 79 sobre o Real Madrid em Badalona, o Joventut só perdeu no returno, caindo por 96 x 86 para os merengues. A cinco rodadas do fim, o Real Madrid perdeu para o Barcelona (95 x 101), mas na mesma rodada o Joventut sofreu uma derrota inesperada, por 95 x 86, para o Pineda. As duas equipes tinham duas derrotas cada, e o Real Madrid tinha a vantagem no confronto direto. O título parecia estar com destino certo, rumo a Madrid. Porém, a três rodadas do fim, o que parecia impossível aconteceu: Cotonífico 101 x 97 Real Madrid. Um presente caiu nos braços do time de Badalona, campeão espanhol de 77-78! O histórico quinteto campeão jogava com: Moka Slavnic, Fernández, Margall, Ed Johnson e Santillana.

A maior de todas as equipes, no entanto, da história do Joventut Badalona, foi formada no início dos Anos 1990. O mentor deste trabalho foi o técnico Lolo Sáinz, que já havia sido consagrado diversas vezes campeão espanhol a frente do basquete do Real Madrid. A estrela dentro de quadra era o pivô norte-americano Cornelius "Corny" Thompson, MVP da equipe na campanha 90-91. Também brilhava na ala o capitão daquela equipe, Jordi Villacampa. O grupo ainda tinha os irmãos Jofresa, os armadores Tomás "Tomi" Jofresa e Rafael Jofresa, e o pivô Ferrán Martínez. No play-off semi-final da Liga Espanhola 1990-91, o Joventut superou o Saski Baskonia (Taugrés) por 3 x 1, postulando-se a fazer a final contra o Barcelona, então Tetra-campeão Espanhol. Nos dois primeiros jogos, em Badalona, vitórias por 73 x 65 e 84 x 72. O Barça venceu o terceiro jogo, em seus domínios, por 85 x 83. O título escapou por pouco no terceiro jogo, mas no quarto o Joventut sacramentou sua conquista: 81 x 78. O quinteto campeão: Tomi Jofresa, Rafa Jofresa, Villacampa, Ferrán Martínez e Corny Thompson.

Corny Thompson

Na campanha do bi-campeonato, em 91-92, o MVP foi o ala norte-americano Mike Smith Gibbs, contratado para reforçar a equipe naquela temporada. O quinteto titular de Lolo Sáinz jogava com Tomi Jofresa, Rafa Jofresa, Villacampa, Mike Smith e Corny Thompson. Na semi-final, o Joventut superou o Estudiantes por 3 x 1 e foi enfrentar ao Real Madrid na final. Nada mais simbólico do que ser Bi-campeão Espanhol tendo batido numa final ao Barcelona e na outra ao Real Madrid. Foi duro! Os dois primeiros jogos do confronto foram em Badalona, com uma vitória no primeiro (93 x 88) e uma derrota no segundo (76 x 74). O jogo-chave para o título foi o terceiro da série, quando em Madrid, o Joventut se impôs e venceu com autoridade por 86 x 67. Perdeu o quarto jogo (96 x 74), mas deu margem à sorte e sacramentou o título com uma impiedosa vitória por 85 x 72. 3 x 2 na série. Bi-campeão Espanhol.

Jordi Villacampa

O ápice, entretanto, seria atingido com a chegada na temporada 1993-94 do técnico sérvio Zeljko Obradovic, um dos melhores da escola de treinadores da Iugoslávia. O título espanhol escapou, mas não a maior conquista da história do basquete de Badalona. 

A chance de conquistar a Copa da Europa escapou em 1992, em Instambul. O adversário era o Partizan Belgrado, dirigido exatamente por Zeljko Obradovic, e com dois talentosos jogadores: Predrag Danilovic e Aleksandar Djordjevic. A poucos segundos do fim, Tomi Jofresa pôs o Joventut dois pontos a frente, mas o Partizan tinha o último ataque: Djordjevic cruzou a quadra e lançou uma cesta de três decisiva, no estourar do cronômetro: 71 x 70.

Em 1994, o Joventut tinha Obradovic no seu banco e não no adversário. Superaram nas quartas de final ao Real Madrid, do pivô Arvydas Sabonis, com duas vitórias: 88 x 69 em Badalona e 71 x 67 em Madrid. No Final Four, venceram ao Barcelona na semi-final da Copa da Europa (79 x 65) e foram à final contra o Olympiacos, da Grécia. Em 21 de abril de 1994, a finalíssima era jogada em Tel Aviv, Israel. Na equipe grega brilhava o sérvio Zarko Paspalj. Foi um final de jogo infartante. O placar apontava Olympiacos 57 x 56 Joventut quando Paspalj errou dois lances livres. Uma cesta de três de Corny Thompson a 4,8 segundos do fim pôs 59 x 57 no marcador. Joventut Campeão da Europa! A equipe em quadra naquela final: Rafa Jofresa (4), Jordi Villacampa (16), Mike Smith (6), Corny Thompson (9) e Ferran Martínez (17). Banco: Tomás Jofresa (5) e Juanan Morales (2). Estavam no banco, mas não jogaram: Dani Pérez, Dani García, Alfonso Albert e Iván Corrales.


Saski Baskonia 

O Saski Baskonia é um clube da cidade Vitoria-Gasteiz, na região do País Basco. Foi fundado em 1959 sob o nome Club Deportivo Vasconia, com uniforme azul-grená listrado na vertical. Em 1976 mudou de nome para Club Deportivo Basconia, passando a usar camisa verde. Em 1988 mudou mais uma vez de nome, passando a se chamar Saski Baskonia, e a usar camisa branca. Foi vestindo branco que atingiu suas maiores glórias. Mas na temporada 2011-12 voltou à camisa azul-grená usada no início de sua história.


Campeão da 3ª divisão na temporada 1969-70, campeão da 2ª divisão na temporada 1971-72, disputou a 1ª divisão da Liga Espanhola pela primeira vez na temporada 1972-73. Até a temporada 1989-90 nunca conseguiu estar no Top 6: o seu melhor foram dois 7º lugares e seis 8º lugares. Da temporada 1991-92 em diante, só deixou de ser Top 6 em três oportunidaes (92-93, 93-94 e 95-96). O clube ficou mais conhecido, no entanto, pelos nomes-fantasia usados de acordo a seus patrocinadores. De 1986 a 1996 chamou-se Taugrés Baskonia, de 1997 a 2009 chamou-se TAU Cerámica Baskonia, de 2009 a 2011 foi o Caja Laboral Baskonia, e a partir de 2011 passou a ser Laboral Kutxa Baskonia.

O basquete do Vasconia foi organizado na temporada 1959-60 por sócios descontentes com o departamento de futebol do clube. Durante os Anos 1960, o clube foi dominante nos torneios da Província de Álava, uma das três províncias que compõem a comunidades autônoma do País Basco, uma das sub-regiões que compõem a Espanha. Foi emergindo gradativamente até chegar à elite do basquetebol espanhol. O treinador responsável por ascender o Bakonia à elite nacional foi um consagrado ex-jogador do basquete do Real Madrid, Pepe Laso, que havia se aposentado defendendo o KAS de Vitoria, equipe da cidade de Vitoria-Gasteiz que jogou a 1ª divisão do basquete espanhol nos Anos 1960 e depois mudou-se a Bilbao.

Baskonia 1969-70

Durante os Anos 1970, o principal projeto do Saki Baskonia era se manter na Divisão de Elite do Basquete Espanhol. Mas já conseguindo alguma projeção, pois chegou às semi-finais da Copa do Rei em 1973 e em 1979. O projeto foi gradativamente sendo encorpado ao longo dos Anos 1980, com o clube sendo convertido em 1988 em uma Sociedade Anônima Desportiva, profissionalizando o basquete do clube basco, num processo que permitiu uma verdadeira mudança de patamar, viabilizando uma ascenção ao topo da tabela da Liga Espanhola, ainda que a conquista de um título da Liga fosse levar ainda mais de uma década. Mas o clube conquista os dois primeiros títulos da Copa do Rei de sua história, em 1995 e 1999.

Baskonia 1984-85

O responsável por alçar o Saski Baskonia a um novo patamar foi o técnico italiano Sergio Scariolo. Entre seus principais nomes dentro da quadra, destacaram-se na década de 90 o ala-pivô norte-americano Joe Arlauckas (de 1990 a 1993), o ala argentino Marcelo Nicola (de 1989 a 1996), o ala-pivô portorriquenho Ramón Rivas (de 1989 a 1996), o ala-armador croata Velimir Perasovic (de 1993 a 1997) e o armador norte-americano Elmer Bennett (de 1997 a 2003). Na temporada 1997-98, o Saski Baskonia supera ao Barcelona na semi-final e chega à final da Liga Espanhola contra o Manresa, numa final inédita entre duas equipes que nunca haviam sido campeãs espanholas. O Baskonia perde o primeiro jogo em casa (83 x 95), vence o segundo (75 x 67), mas perde os dois seguintes fora de casa (62 x 64 e 75 x 77), ficando com o vice-campeonato.

A Era de Ouro do Saski Baskonia estava por se iniciar, no entanto. Ela chega nos Anos 2000, e será marcada pelo brilho de uma legião de jogadores sul-americanos, que alçarão o Baskonia ao topo do cenário europeu. A cabeça que facilitará a mudança de patamar foi a do técnico Dusko Ivanovic, nascido em Montenegro, parte da ex-Iugoslávia, que treinou o clube entre 2000 e 2005.

No seu primeiro ano a frente do Saski Baskonia, Ivanovic alcançou a final da Euroliga frente ao Virtus Bologna, liderado por Manu Ginóbili. A série final fechou 3 x 2. No quinto jogo, derrota por 82 x 74. O Saski Baskonia foi vice-campeão. Na sua segunda temporada, 2001-02, o Saski Baskonia foi pela 1ª vez Campeão da Liga Espanhola e foi Campeão da Copa do Rei. O histórico grupo que deu o primeiro título nacional ao clube tinha o sérvio Dejan Tomasevic, principal nome na conquista, tinha os norte-americanos Elmer Bennett e Laurent Foirest, e era tomado de argentinos: Hugo Sconochini, Andrés Nocioni, Fabrício Oberto e Luís Scola. O quinteto titular jogava com Bennett, Sconochini, Foirest, Oberto e Tomasevic. O time venceu ao Barcelona por 3 x 1 na semi-final e atropelou ao Unicaja Málaga por 3 x 0 na final.

No final da temporada 2001-02, o grupo perdeu Hugo Sconochini, mas manteve sua rotina de sucessos. Andrés Nocioni foi o MVP da Liga Espanhola em 2003-2004, Luís Scola foi o MVP em 2004-2005 e 2006-2007. E mais um argentino chegou para brilhar, o armador Pablo Prigioni. Dusko Ivanovic deixou de ser o técnico em 2005, sendo substituído pelo croata Neven Spahija. O TAU Cerámica esteve quatro vezes seguidas no Final Four da Euroliga entre 2005 e 2008. Na temporada 2004-05 terminou com o segundo vice-campeonato europeu de sua história, perdendo a final em Moscou para o Maccabi Tel Aviv, de Israel, por 90 x 78.

TAU Cerámica/Saski-Baskonia na temporada 2006-07

Além de Fabricio Oberto (de 1999 a 2002), Hugo Sconochini (2001/02), Andrés Nocioni (de 2001 a 2004), Luís Scola (de 2000 a 2007) e Pablo Prigioni (de 2003 a 2009), uma outra leva de argentinos marcou os anos áureos do Saski Baskonia: Rubén Wolkowyski (2002/03), Gabriel Fernández (2001/02) e Leandro Palladino (2002/03) também defenderam o time de Vitoria-Gasteiz. Posteriormente, mais um argentino por lá brilhou, Wálter Herrman, que defendeu o Caja Laboral de 2009 a 2011. A história do Saski Baskonia tem um elo com a história da Geração Dourada do basquete argentino.

Na temporada 2007-08, o Saski Baskonia, ainda como TAU Cerámica, conquistou pela segunda vez a Liga Espanhola. Vitória implacável e irretocável por 3 x 0 sobre o Barcelona na final. No time basco brilhavam Prigioni, o brasileiro Tiago Splitter e o ala norte-americano Pete Mickeal, MVP da Liga naquela temporada. O quinteto era completado pelo ala-pivô bósnio Mirza Teletovic e pelo ala-armador sérvio Igor Rakocevic. O quinteto que deu o segunda título espanhol da história ao Saski Baskonia: Prigioni, Rakocevic, Mickeal, Teletovic e Tiago Splitter.


TAU Cerámica/Saski-Baskonia na temporada 2007-08

Dusko Ivanovic voltou a ser o técnico da equipe entre 2008 e 2012. Foi com ele que o Saski Baskonia conquistou o seu terceiro título, na temporada 2009-10, quando tinha como principais jogadores a Fernando San Emeterio e a Tiago Splitter, o pivô brasileiro foi MVP da Liga e MVP das Finais. Outro brasileiro brilhava a seu lado nesta equipe, o armador Marcelinho Huertas. O time já se chamava Caja Laboral, e na final repetiu implacáveis 3 x 0 sobre o Barcelona. O time também tinha o bósnio Mirza Teletovic, e contava com o ala argentino Wálter Herrmann, o armador norte-americano Brad Oleson, e com o ala-pivô israelense Lior Eliyahu. O quinteto titular do terceiro título espanhol: Huertas, Oleson, San Emeterio, Teletovic e Tiago Splitter.

domingo, 11 de junho de 2017

Real Madrid: o Campeão dos Campeões no basquete espanhol

Real Madrid Basketball History - Historia del Baloncesto de Real Madrid

Embora nas últimas décadas o reinado madrilenho nas quadras de basquete espanhola já não seja absoluto, tendo se convertido numa bipolaridade Real-Barcelona, o reinado de Madrid como maior conquistador de títulos da história do basquetebol espanhol ainda sobra, pois foi acumulada uma larga vantagem entre os Anos de 1960 e 1980.

A saga de títulos dos Merengues nas quadras de basquete se impôs logo no princípio, desde as primeiras edições do Campeonato Espanhol de Basquete Masculino. Nas 24 primeiras edições do torneio nacional, o Real Madrid foi campeão 21 vezes, tendo o Joventut de Badalona sido campeão duas vezes e o Barcelona uma.

A história de títulos madrilenhos começa na temporada 1956-57, a de nascimento da Liga Nacional da Espanha. O time treinado por Ignácio Pinedo se impôs sobre o rival Barcelona, ainda que a disputa pelo título tenha sido acirrada. Quem fez a diferença foi Alfonso Martínez, principal jogador merengue. Também se destacava muito nesta equipe William Brindle, que era de Porto Rico. Ao lado de Martínez e Brindle estavam Luis Trujillano, Joaquín Hernández, José Luis Martínez e José Alberto Herreras.

Esta equipe faturou o Bi-campeonato na temporada 1957-58, desta vez com folga sobre seus adversários. O time foi reforçado por Johnny Báez, que atendeu com sobras a todas as expectativas postas sobre ele. Baéz, assim como Brindle, jogava na Seleção de Porto Rico. "El Indio de la vía" foi o mais renomado jogador portorriquenho em sua época, e um dos maiores da história do basquete de seu país em todos os tempos. Ele chegou a Madrid para ser absolutamente dominante no cenário basquetebolístico espanhol.

Real Madrid - Bi-campeão 56-57 e 57-58

Para a temporada seguinte, o Real Madrid perdeu Alfonso Martínez para o rival Barcelona, e com ele também foi o título para a Catalunha, pois naquela temporada o Barça se impôs e levou a copa. A perda do título acabou impulsionando uma revolução no basquete madrilenho, e com ela se iniciou uma impressionante sequência de títulos. O responsável por esta revolução foi o novo técnico, Pedro Ferrándiz, que impôs uma nova fórmula de atuação, mais dinâmica. A estrela merengue ainda era Johnny Báez, mas o resto da equipe estava todo reformulado. Este time tinha a Antonio Díaz Miguel, Josep Luis Cortés, Jorge Parra, Richard Montgomery, Carlos Sevillano e José "Pepe" Laso, os campeões da temporada 1959-60.

Na temporada seguinte, 1960-61, o Real perdeu Baéz, mas emergiram dois nomes que marcaram a Geração dos 60 madrilenha: Emiliano Rodríguez e Lolo Sáinz. Junto a eles o norte-americano Joseph Sheaff. Com apenas uma derrota, uma campanha irretocável, e mais um título. Na temporada 1961-62, mais um salto de qualidade, saiu Sheaff, mas chegaram dois norte-americanos que foram muito dominantes: Stanley Morrison e Wayne Hightower. O time com Carlos Sevillano, Emiliano Rodríguez, Lolo Sáinz, Stan Morrison e Wayne Hightower, treinado por Pedro Ferrándiz, é campeão espanhol invicto e vice-campeão da Liga Europeía, perdendo a final para Dinamo Tbilisi, da União Soviética.

Emiliano Rodríguez

Na temporada 1962-63, Pedro Ferrándiz passa de treinador a diretor, e o novo técnico passa a ser Joaquín Hernández. Saíram os dois americanos da temporada anterior e chegaram outros dois: Bob Burguess e Clifford Luyk. Este último que chagava para marcar uma época com a camisa merengue. O time é novamente campeão espanhol, e novamente vice-campeão da Copa Européia, perdendo novamente para um soviético na final, desta vez o CSKA Moscou. O quinteto formado por Sevillano, Emiliano Rodríguez, Sáinz, Luyk e Burgess jogou junto até 1968, conquistando todos os títulos espanhóis no período e sendo Bi-Campeão Europeu nas temporadas 1963-64 e 1964-65. Perdeu o título continental em 1965-66, assim como deixou escapar o título espanhol da temporada 1966-67, que foi conquistado pelo Joventut de Badalona, mas voltou a ser Bi-Campeão Europeu nas temporadas 1966-67 e 1967-68.

Lolo Sáinz ao ataque

Na final européia de 1963-64, que era uma melhor de dois jogos, o Real Madrid perdeu o jogo de ida para o Spartak de Brno, da Tchecoslováquia, mas se impuseram na partida de volta, com uma vitória imponente por 84 x 64 e foram campeões no saldo de cestas. Na temporada 1964-65, Pedro Ferrándiz volta da posição de diretor para a de técnico. Os merengues conquistaram a Copa da Europa pelo segundo ano consecutivo, batendo o CSKA Moscou, da União Soviética, na final. Esta equipe contava, como sexto jogador, com o futuro treinador da Seleção Brasileira, José Ramón "Moncho" Monsalve. O clube começava a mostrar sua força a nível continental, já que a nível nacional era uma potência hegemônica: bi-campeão em 56-57 e 57-58, heptacampeão de 59-60 a 65-66, e decacampeão de 67-68 a 76-77.

Na temporada 1965-66, o time passa a ser treinado pelo francês Robert Busnel, com Ferrándiz voltando ao cargo de diretor. A outra novidade é que Clifford Luyk se naturaliza espanhol, abrindo espaço para mais um estrangeiro no elenco, o norte-americano Jim Fox. Mas depois de quatro finais européias consecutivas, os madrilenhos não chegam à final, derrubando o francês Busnel do cargo de técnico, que volta a ser Pedro Ferrándiz. E na substituição de americanos, chega Wayne Brabender, que terá trajetória similar a Luyk, vestindo por mais de uma década a camisa do Real. Carlos Sevillano, Emiliano Rodríguez, Lolo Sáinz, Clifford Luyk e Wayne Brabender. Fecha-se um quinteto que voltará a ser bi-campeão europeu e marcará uma época. A nível nacional, seus rivais eram Joventut Badalona, Picadero Jockey Club e Estudiantes, mas ninguém parava o Real Madrid, que sobrava no cenário nacional. Ainda mais com seu poder econômico. Na temporada 1968-69 ainda contratou Vicente Ramos, destaque do rival Estudiantes, que chegou para repor a saída de Lolo Sáinz. O time, bi-campeão europeu, perdeu o título continental para o CSKA Moscou na segunda prorrogação (103 x 99), num duelo antológico, deixando escapar o tri.

Real Madrid 1967-68

A temporada 1972-73 foi a última do lendário Emiliano Rodríguez, que ao final dela se aposentou. Mas isto não abalou a hegemonia merengue, mantida sob a dupla Clifford Luyk e Wayne Brabender, a liderança de Pedro Ferrándiz, e nomes como Vicente Ramos e Juan Antonio Corbalán. A equipe tanto não se abalou pela aposentadoria de Emiliano Rodríguez, que se sagrou mais uma vez campeã européia na temporada 1973-74, na qual conquistou a Tríplice Coroa, campeão da Liga Espanhola, da Copa do Rei e da Copa da Europa. O título europeu foi conquistado em Nantes na França, com uma vitória apertadíssima sobre o Varese, da Itália, por 84 x 82.

Real Madrid 1972-73

O time de Ferrándiz ainda tinha a Wayne Brabender, Vicente Ramos, Clifford Luyk e Juan Antonio Corbalán, e contou com a chegada de um jogador que foi chave para o sucesso naquele ano: o alemão Walter Szczerbiak. Na temporada seguinte (74-75) toda a base do time foi mantida para aquela que foi a última temporada do lendário Pedro Ferrándiz como técnico da equipe: Corbalán, Ramos, Luyk, Brabender e Szczerbiak.

O novo treinador passou a ser o ex-jogador Lolo Sáinz. Como o mesmo quinteto campeão europeu em 1974, ele conquistou os títulos espanhóis de 1975-76 e 1976-77, impondo-se sobre o Barcelona. Na temporada 1977-78, o time, sustentado no tripé "Wayne Brabender, Clifford Luyk e Walter Szczerbiak", perdeu o título espanhol para o Joventut Badalona, mas, em compensação, conquistou o sexto título europeu de sua história, batendo mais uma vez ao Varese, a quem havia superado em 74, na final jogada em Munique, na Alemanha (75 x 67).

Luyk - Brabender - Szczerbiak

O sétimo título da Copa da Europa veio na temporada 1979-80, quando Lolo Sáinz já não contava mais com Luyk, aposentado, mas mantinha a estrutura campeã européia dois anos antes. Título novamente conquistado em solo alemão, desta vez em Berlim, com uma vitória por 89 x 85 sobre o Maccabi Tel-Aviv, de Israel. Novamente Bi-campeão espanhol em 78-79 e 79-80, terminava ali o gás da sequência de duas gerações de jogadores que conquistaram 21 dos 24 primeiros Campeonatos Espanhóis. Dali para frente o basquete da Espanha passaria a estar dividido, ora nas mãos do Barcelona, ora na do Real Madrid, e um novo título europeu levaria 15 anos para ser erguido.

Real Madrid 1979-80

Foram quatro títulos espanhóis durante os Anos 1980, três deles consecutivos, todos com Lolo Sáinz como técnico. Mesmo com o Real tendo contratado o armador iugoslavo Mirza Delibasic, foi o Barcelona quem venceu o campeonato de 80-81. O Real não queria dar margem ao crescimento do rival, e fez outra contratação de impacto para a temporada 81-82: Fernando Martín, do Estudiantes. Com ele, Brabender, Delibasic e Corbalán, o Real voltou a ser campeão. Na rodada final, vitória por 102 x 93 sobre o Barcelona e mais um título. No ano seguinte o título ficou com o rival catalão mais uma vez. Nas três temporadas seguintes, porém, ele ficaria com o Real Madrid, a primeira delas nesta sequência, a de despedida do norte-americano naturalizado espanhol Wayne Brabender. O elenco Tri-campeão (83-84/84-85/85-86) era formado por Juan Antonio Corbalán, Fernando Martín, Fernando Romay, Rafael Rullán, López Iturriaga, Paco Velasco, pelos norte-americanos Brian Jackson e Wayne Robinson, e pelo armador russo Jose "Chechu" Biriukov.

Real Madrid - Tri-campeão 83-84/84-85/85-86

O domínio madrilenho até ali ainda imperava. Nos 30 primeiros anos da Liga Espanhola, 25 títulos do Real Madrid, três do Barcelona e dois do Juventut Badalona. Mas entre as temporadas 1986-87 e 1989-90 o Barcelona foi Tetra-campeão, dando fim ao reinado madrilenho.

Se nos primeiros 30 campeonatos foram 25 títulos de Madrid, nos 30 campeonatos seguintes quem imperou foi o Barcelona com 15 títulos, contra 6 do Real Madrid, três do Saski Baskonia, dois do Joventut Badalona, um do Unicaja Málaga e um do Manresa. 

Depois de seis temporadas sem ser campeão da Liga Espanhola, o Real Madrid conquistou o Bi-campeonato nas temporadas 1992-93 e 1993-94. O treinador era o norte-americano naturalizado espanhol Clifford Luyk. O time ainda tinha o armador russo Chechu Biriukov, tinha dois americanos (Mark Simpson e Ricky Brown), mas foi campeão mesmo pela contratação de um jogador que se mostrou absolutamente dominante no garrafão madrilenho, o lituano Arvydas Sabonis. No segundo título, os dois norte-americanos foram substituídos por seu conterrâneo Joe Arlauckas e pelo também lituano Rimas Kurtinaitis. Foi a dominância de Arvydas Sabonis que levou o Real Madrid a voltar a conquistar um título continental, o oitavo de sua história, superando ao Olympiacos, da Grécia, por 73 x 61, na final jogada em Zaragoza, na Espanha. O jogo da equipe de Madrid estava sustentado num tripé formado no basquete da ex-União Soviética: Biriukov, Kurtinaitis e Sabonis.

Arvydas Sabonis, absolutamente dominante

Um novo título espanhol só veio seis temporadas depois, na de 1999-00. O técnico era o italiano Sérgio Scariolo. O elenco tinha em Alberto Herreros sua principal estrela. Ao seu lado brilhava o armador sérvio Aleksandar "Sasha" Djordjevic, que foi rival, com a camisa do Barcelona, entre 1997 e 1999, e defendeu a camisa merengue de 1999 a 2002. Junto a eles estavam os irmãos Lucio e Alberto Angulo, o belga Eric Struelens e os norte-americanos Keith Jennings e Brent Scott. Na final, 3 x 2 na série contra o Barcelona, com 82 x 73 no jogo derradeiro.

Levaram mais cinco temporadas para outro título espanhol, que veio na temporada 2004-05. E foi um título com um destes finais de provocar um infarto. O técnico merengue era o croata Bozidar Maljkovic. As estrelas do quinteto de Madrid eram Alberto Herreros e Felipe Reyes. A final mais equilibrada da história. A série estava 2 x 2. Era o quinto e dicisivo jogo. O Tau Cerámica/Saski Baskonia vencia por 69 x 61 quando o relógio entrou no minuto final do ultimo quarto. O Real Madrid protagonizou então uma virada incrível, finalizada com uma cesta mágica de três pontos convertida por Alberto Herreros a seis segundos do fim: vitória por 70 x 69. A cesta do título marcava a aposentadoria de Herreros, uma belíssima despedida!

Duas temporadas depois (2006-07) com Joan Plaza de técnico, comandando uma equipe na qual se destacavam Sérgio Llull, Álex Mumbrú e Felipe Reyes, o Real foi novamente campeão. Superou o Barcelona por 3 x 1 na série final.

Espera de mais seis temporadas para uma nova conquista da Liga Espanhola, que aconteceu na temporada 2012-13. O técnico era Pablo Laso. O plantel tinha os experientes Sérgio Rodríguez, Sérgio Llull, Rudy Fernández e Felipe Reyes. A estrela da conquista no entanto foi um garoto que havia pouco tempo que tinha se profissionalizado, Nikola Mirotic, nascido em Montenegro, república que no passado foi parte da Iugoslávia, emigrado para a Espanha, naturalizou-se e defendeu a Seleção Espanhola nas divisões de base. Este elenco ainda tinha, com poucos minutos de quadra, o pivô brasileiro Rafael Hettsheimeir. Um banco de reservas robusto, que tinha um trio de norte-americanos - Marcus Slaughter, Dontaye Draper e Tremmell Darden - e o esloveno Mirza Begic. Vitória na final por 3 x 2 sobre o Barcelona. O quinteto Sérgio Rodríguez, Sérgio Llull, Rudy Fernández, Nikola Mirotic e Felipe Reyes escrevia-se como um dos melhores da história do basquete de Madrid.

Real Madrid 2012-13

Esta geração fora de série do basquete madrilenho perdeu a final da Euroliga 2013 por 100 x 88 para o Olympiakos, da Grécia, jogando em Londres. Na Euroliga 2014 voltou a perder a final, agora jogada em Milão, desta vez o algoz foi o Maccabi Tel Aviv, de Israel, que venceu por 98 x 86 na prorrogação. O degrau mais alto no entanto veio na temporada 2014-15. O quinteto formado por Sérgio Rodríguez, Sérgio Llull, Rudy Fernández, Andrés Nocioni e Felipe Reyes, treinado por Pablo Laso, e que tinha no banco a Jaycee Carroll, K.C. Rivers e o pivô mexicano Gustavo Ayon sagrou-se campeão da Copa do Rei e chegou, pelo terceiro ano consecutivo, à final da Euroliga, desta vez para bater o Olympiakos por 78 x 59, jogando dentro de casa, em Madrid. Após 20 anos, o Real Madrid voltava a conquistar o título europeu, o 9º de sua história, o 1º no formato de Euroliga, que substituiu a Copa da Europa.



Veja também: Os vários casos de jogadores dos dois lados da rivalidade merengue-culé

terça-feira, 23 de maio de 2017

História do Basquete do Barcelona

Barcelona's Basketball History - Historia del Baloncesto de Barcelona

O Barcelona tem sua maior tradição no futebol, mas sua presença no basquete espanhol é antiga e remonta ao período de surgimento do esporte da "bola ao cesto" no país (o baloncesto, como o basquete é chamado em espanhol). O basquete do clube entrou em quadra pela primeira vez em 1927, jogando o Campeonato da Catalunha de Basquetebol, o qual teve, entre os clubes que foram campeões nestes primeiros anos, agremiações como CE Europa, Laieta, Atletic Gracia e Société Patrie. Só a partir de 1940 que o Barcelona conquistou a hegemonia na Catalunha (campeão em 1942, 1943, 1945, 1946, 1947, 1948, 1950, 1951 e 1955). Mas é só na década de 1940 que o clube fatura pela primeira vez a Copa do Generalíssimo (alusão ao ditador Franco), que mais tarde se tornou Copa do Rei. O Barça faturou os troféus em 1943, tri em 1945-46-47, e bi em 1949 e 1950.

O basquete do Barcelona conquistou seu primeiro título da Liga Espanhola na temporada 1958-1959 (terceira edição do torneio). Foi conquistar o segundo somente na temporada 1980-1981, e a partir dali começou a fazer frente ao Real Madrid, que reinava absoluto no basquete espanhol no início da liga (nas 24 primeiras edições do Campeonato Espanhol de Basquete, o Real Madrid foi campeão 21 vezes, tendo o Joventut de Badalona sido campeão duas vezes e o Barcelona uma).

O time da temporada 58-59, que foi campeão tanto da Liga quanto da Copa do Rei, era formado por um tripé de jogadores que fizeram história no basquete azul-grená. O time contava com o o armador Francesc "Nino" Buscató, o veterano pivô Jordi Bonareu e outro pivô, Alfonso Martínez, três vezes o maior pontuador da Liga, que havia jogado no Barcelona entre 1953 e 1955, passou ao Real Madrid entre 1956 e 1958, e voltou ao Barça na temporada 1958-59. Buscató, Bornareu e Martínez integraram a lista de 25 maiores jogadores espanhóis de basquete de todos os tempos.

Barcelona 1958-1959

O time de 58/59 deu enorme popularidade ao basquete do Barcelona, entretanto, ainda assim, em 1961 o presidente do clube, Enric Llaudet, dissolveu a equipe, apesar de sua popularidade. Problemas típicos da convivência de esportes olímpicos num clube onde o futebol reina. Mas a ausência durou só uma temporada, em 1962 o clube reativou a modalidade após uma campanha dos fãs. Mas o clube, durante os anos 1960, chegou a cair à Segunda Divisão, da qual se sagrou campeão em 1965. Mas ainda levou muito tempo para o basquete do Barcelona voltar a ser forte. Mesmo com a inauguração, em 23 de outubro de 1971, do Palau Blaugrana (Palácio Azul-grená, em catalão), o Barcelona ainda tinha dificuldades para voltar ao lugar máximo do basquetebol espanhol.

O começo do reerguimento se deu na temporada 1977-78, quando o Barça conquistou a Copa do Rei, batendo o Real Madrid na final por 103 x 96. Foi a partir dos Anos 1980 que o Barcelona começou a mostrar toda sua força no basquete, inspirados pelo treinador Aito Garcia e pelo primeiro grande ídolo da história da bola laranja no clube, o ala San Epifanio, ou simplesmente Epi, como era chamado. O clube ganhou seis títulos da Liga Espanhola (1980-81, 1982-83, 1986-87, 1987-88, 1988-89 e 1989-90), cinco Copas do Rei (1980, 1981, 1982, 1983, 1987 e 1988) e foi vice-campeão da Taça da Europa (precursora da Euroliga) em 1984. O auge desta época foi o time do final da década, um dos maiores da história do basquete espanhol, um quinteto formado por Solozabal, Epi, Sibilio, Jimenez e Norris, treinados por Aito Garcia.


O armador Ignácio "Nacho" Solozabal atuou no Barça de 1978 a 1994, ele era um mestre na arte de conduzir uma equipe, fazê-la jogar. O ala Candido "Chicho" Sibilio, nascido na República Dominicana, naturalizado espanhol, foi o primeiro negro a defender a Seleção da Espanha, e foi jogador do Barcelona de 1976 a 1989. O ala-pivô Andrés Jiménez defendeu a camisa azul-grená de 1986 a 1998. O norte-americano Audie Norris, pivô, defendeu o time catalão de 1987 a 1993. Audie Norris marcou uma época na Espanha, um jogador que demostrou grandes qualidades, mostrando como o jogo perto da cesta podia ser eficiente.

Barcelona 1988-89

O basquete do Barcelona tem quatro camisetas aposentadas, em homenagem a quatro ícones da história azul-grená, três deles fizeram parte desta histórica equipe. As camisetas aposentadas pelo basquete do Barcelona são as de número: 4 (homenagem a Andrés Jiménez, ala, que jogou de 1986 a 1998); 7 (homenagem a Nacho Solozábal, armador, que jogou de 1978 a 1994); 12 (homenagem a Roberto Dueñas, pivô, que jogou de 1996 a 2005); e 15 (homenagem a Juan Antonio San Epifanio, ala, que jogou de 1979 a 1995).

Audie Norris, do Barça, contra Fernando Martin, do Real Madrid

O basquete do Barcelona manteve sua força nos anos 1990, ainda mais depois que recebeu seu novo ginásio, o Palau Sant Jordi, inaugurado em 21 de setembro de 1990, como parte das obras para os Jogos Olímpicos de 1992. Uma nova geração de jogadores emergiu e deu ao clube mais títulos: 7 vezes Campeão da Liga Espanhola (1994-95, 1995-96, 1996-97, 1998-99, 2000-01, 2002-03 e 2003-04). Faltava o título máximo da Europa, haviam sido quatro vice-campeonatos da Copa da Europa nos Anos 90 (1990, 1991, 1996 e 1997).

A nova geração azul-grená era formada pelo ala Xavi Fernández, que jogou no clube de 1994 a 1999, o ala Rodrigo De la Fuente, que vestiu a camisa azul-grená de 1997 a 2007, e o pivô Roberto Dueñas, no Barça de 1996 a 2005. Foi em torno deste tripé que o clube catalão conquistou vários títulos nesta década, iniciando na segunda metade dos anos 1990 um gradativo aumento nos investimentos na modalidade, na qual também se destacaram pelo basquete do Barcelona o pivô norte-americano Derrick Alston (de 1998 a 2000) e o pivô holandês Francisco Elson (de 1999 a 2001). E das categorias de base emergiram dois jovens que ali começavam uma trajetória de grande sucesso, o armador Juan Carlos Navarro, que fez sua estreia em 1997, e o ala-pivô Pau Gasol, que brilhou no Barcelona de 1999 a 2001.

O sonho de todos os torcedores do basquete do Barcelona enfim se materializou na temporada 2002-03, quando a equipe sagrou-se Campeã da Euroliga. Duas peças-chave na conquista chegaram no viés de aumento nos investimento da agremiação catalã: Jasikevicius e Bodiroga. O armador Sarunas Jasikevicius, da Seleção da Lituânia, foi contratado em 2000, estava na equipe campeã europeia, e acabou saindo logo após o título. O principal responsável pelo título espanhol, no entanto, foi o ala-armador (o escolta, como se chama em espanhol) Dejan Bodiroga, da Seleção da Sérvia, que chegou ao Barça em 2002, ficou até 2005, e foi o MVP naquele histórico título.

Barcelona de 2003

Na 1ª fase da Euroliga 2002-03, o Barcelona terminou em segundo lugar num grupo do qual também faziam parte o Benetton Treviso, da Itália (1º lugar), o Efes Pilsen, da Turquia, o Fortitudo Bologna, da Itália, o Cibona Zagreb, da Croácia, o Pau-Orthez, da França, o Alba Berlin, da Alemanha, e o AEK Atenas, da Grécia. Na 2ª fase, em meio a quatro grupos de quatro, onde só o vencedor do grupo avançava ao Quadrangular Final, o Barcelona superou ao Olympiacos, da Grécia, ao Union Olimpija, da Eslovênia, e ao ASVEL, da França. O Final Four seria decidido entre Benetton Treviso e Montepaschi Siena, ambos da Itália, CSKA Moscou, da Rússia, e Barcelona. Na semi-final, vitória dos espanhóis por 76 x 71 sobre o CSKA Moscou. No duelo italiano da outra semi, vitória da equipe de Treviso por 65 x 62. A final seria disputada entre as duas equipes que dividiram o mesmo grupo na 1ª fase (cada um tendo vencido seu jogo em casa, o Barcelona por 86 x 85 e o Treviso por 94 x 82). O jogo da Finalíssima era no Palau Sant Jordi. Temporada histórica, o timaço azul-grená foi campeão da Liga Espanhola, da Copa do Rei e da Euroliga. Um time histórico, comandado pelo treinador sérvio Svetislav Pesic.

Final Euroliga 2002-03
Barcelona 76 x 65 Benetton Treviso
Barcelona: Sarunas Jasikevicius (8), Dejan Bodiroga (20), Rodrigo De La Fuente (11), Gregor Fucka (17) e Roberto Dueñas (3). Téc: Svetislav Pesic. Banco: Juan Carlos Navarro (5), Ignácio Rodríguez (2), Patrick Femerling (9) e Anderson Varejão (1).
Treviso: Tyus Edney (16), Trajan Langdon (8), Riccardo Pittis (4), Jorge Garbajosa (9) e Denis Marconato (10). Téc: Ettore Messina. Banco: Massimo Bulleri (11), Manuchar Markoishvili (2) e Marcelo Nicola (5).

Depois da saída de Bodiroga, a equipe não manteve a onda de títulos, mas não demorou muito a voltar a conquistá-los, especialmente depois de Navarro ter retornado de uma temporada na NBA. O Barcelona foi campeão da Liga Espanhola nas temporadas 2008-09, 2010-11, 2011-12 e 2013-14. E neste intervalo de tempo voltou a subir ao degrau mais alto do basquete interclubes da Europa, sagrando-se Campeão da Euroliga 2009-10. Foi o auge do trabalho do técnico Xavi Pascual, quando o Barça teve um grande time, cujo quinteto titular era formado por Navarro, Ricky Rubio, Fran Vázquez, Erazem Lorbek e Pete Mickeal. Neste período também se destacaram com a camisa azul-grená o ala norte-americano Alan Anderson (temporada 2010-11) e o pivô croata Ante Tomic (contratado em 2012).


Na Euroliga 2009-10, o Barça foi o líder de seu grupo na 1ª fase, do qual também fizeram parte o Montepaschi Siena, da Itália, o Zalgiris Kaunas, da Lituânia, o Cibona Zagreb, da Croácia, o ASVEL, da França, e o Fenerbahce, da Turquia. Na 2ª fase, o Barcelona liderou o grupo que tinha ainda ao Partizan, da Sérvia, e dois gregos, o Panathinaikos e o Maroussi.

Passada a 2ª fase vieram as quartas de final e um duelo histórico contra o Real Madrid, numa melhor de cinco, que o Barcelona venceu por 3 x 1 (68 x 61 / 63 x 70 / 84 x 73 / 84 x 78). Com a vitória, avançou ao Quadrangular Final. O duelo na semi-final repetiu o confronto de 2003, quando o azul-grená foi Campeão Europeu pela primeira vez. Pela frente, o CSKA Moscou, da Rússia, e nova vitória catalã: 64 x 54. Na outra semi-final, o Olympiacos venceu ao Partizan por 83 x 80. A final, no Palais Omnisports, em Paris, na França, terminou com vitória arrasadora sobre os gregos, com Juan Carlos Navarro eleito MVP. Um time com cara globalizada, pois Pete Mickeal e Terence Morris eram norte-americanos, Erazem Lorbek era esloveno, Boniface Ndong era senegalês e Gianluca Basile era italiano.

Final Euroliga 2009-10
Barcelona 86 x 68 Olympiacos
Barcelona: Juan Carlos Navarro (21), Ricky Rubio (9), Erazem Lorbek (8), Pete Mickeal (14) e Boniface Ndong (7). Téc: Xavi Pascual. Banco: Victor Sada (7), Gianluca Basile (6), Fran Vázquez (6) e Terence Morris (8).
Olympiacos: Milos Teodosic (10), Theodoros Papaloukas (12), Josh Childress (15), Linas Kleiza (13) e Ioannis Bourousis (9). Téc: Panagiotis Giannakis. Banco: Scoonie Penn (0), Yotam Halperin (0), Patrick Beverley (0), Panagiotis Vasilopoulos (0), Loukas Mavrokefalidis (1), Nikola Vujcic (2) e Sofoklis Schortsanitis (6).