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quinta-feira, 17 de abril de 2025

Reflexões sobre a derrocada do Basquete Argentino entre 2023 e 2024


Artigo escrito por Fabián García, e publicado em 28 de fevereiro de 2024 no site Basquet Plus sob o título "Reflexionando sobre la realidad de Argentina, hoy". Abaixo a reprodução traduzida do artigo original, acrescida das fichas dos respectivos jogos mencionados:



A partida perdida para o Chile exacerbou a sensação de que está tudo ruim, quase um ano exato depois da derrota perante a República Dominicana. Tentamos analisar as causas e a situação. Os jogadores argentinos, decepcionados com a derrota, hoje sentem uma enorme pressão.

Em 26 de fevereiro de 2023, uma ducha de água fria desmoronou sobre os entusiastas seguidores e torcedores do basquete argentino. Doze minutos fatídicos de fechamento tinham provocado a derrota mais dura em muitos anos, como mandante, frente a um rival supostamente inferior (Rep. Dominicana), como consequência a Argentina ficava, pela primeira vez em 41 anos, fora de um Campeonato Mundial de Basquete (e eram 7 vagas das Américas, que ficaram com: Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, República Dominicana, México, Venezuela e Brasil). O golpe foi duríssimo, mas não foi o último.

Eliminatórias das Américas para a Copa do Mundo de 2023
26/02/2023 - ARGENTINA 75 x 79 REPÚBLICA DOMINICANA - Ginásio Polidesportivo Ilhas Malvinas, Mar del Plata, Argentina
Parciais: 24 x 19 / 18 x 16 (42 x 35) / 22 x 19 (64 x 54) / 11 x 25 (75 x 79)
ARG: Facundo Campazzo (10), Nicolás Laprovittola (10), Nicolás Brussino (7), Gabriel Deck (27) e Marcos Delia (10). Téc: Pablo Prigioni. Banco: Carlos Delfino (2), Maximo Fjellerup (0), Leandro Bolmaro (3), Juan Pablo Vaulet (0), Patricio Garino (3) e Tayavek Gallizzi (3).
DOM: Jean Montero (22), Gerardo Suero (13), Andres Feliz (11), Angel Delgado (7) e Eloy Vargas (6). Téc: Néstor "Che" Garcia (argentino). Banco: Rigoberto Mendoza (5), Victor Liz (8), Juan Suero (2), Gelvis Solano (2), Antonio Pena (3), Juan Guerrero (0) e Jhonatan Araujo (0).





O Elenco Argentino 2023
Armadores: Facundo Campazzo (Estrela Vermelha, Sérvia), Nico Laprovittola (Barcelona, Espanha), Maximo Fjellerup (Girona, Espanha) e Carlos Delfino (Pesaro, Itália)
Alas: Gabriel Deck (Real Madrid, Espanha), Marcos Delia (Wolves, Lituânia), Nico Brussino (Gran Canaria, Espanha), Pato Garino (Girona, Espanha), Juan Pablo Vaulet (Manresa, Espanha) e Leandro Bolmaro (Salt Lake City Stars, G-League, EUA)
Pivô: Tayavek Gallizzi (Instituto de Córdoba)



Em agosto de 2023, outra vez como mandante (antes em Mar del Plata, agora em Santiago Del Estero), um time de Bahamas fortalecido como nunca por 3 de seus jogadores de NBA, vencia duas vezes a Argentina e lhe tirava a última chance de ir aos Jogos Olímpicos de Paris de 2024, após cinco participações consecutivas (2004, 2008, 2012, 2016 e 2021). A sensação, muito argentina, foi a de que se desmoronava o mundo em cima. 

Em 16 de agosto de 2023 a Argentina perdeu para Bahamas por 89 x 101 no Ginásio Cidade de Santiago Del Estero. O grupo tinha três, e dois avançavam ao Quadrangular Final. A partida decisiva deste quadrangular voltou a colocar Argentina e Bahamas frente a frente, no mesmo local, em 20 de agosto daquele ano. Desta vez, quem perdesse estava fora. Bahamas voltou a vencer.

Pré-Olímpico das Américas para as Olimpíadas de 2024
26/02/2023 - ARGENTINA 75 x 82 BAHAMAS - Ginásio Cidade de Santiago Del Estero, Santiago Del Estero, Argentina
Parciais: 26 x 22 / 16 x 20 (42 x 42) / 21 x 17 (63 x 59) / 12 x 23 (75 x 82)
ARG: Facundo Campazzo (14), Carlos Delfino (15), Nicolás Brussino (5), Gabriel Deck (21) e Francisco Cáffaro (4). Téc: Pablo Prigioni. Banco: Lucio Redivo (6), Maximo Fjellerup (0), Patricio Garino (2) e Juan Fernández (8).
BAH: Travis Munnings (16), Lourawls Nairn (0), Buddy Hield (15), Eric Gordon (27) e Deandre Ayton (10). Téc: Christopher Demarco. Banco: Franco Miller (9), Garvin Clarke (0), Kentwan Smith (5), David Nesbitt (0) e Jaraun Burrows (0).





Isso voltou a acontecer em 2024 com a queda perante o Chile como visitante pelas Eliminatórias para a Copa América de 2025, ainda que não tenha sido uma derrota causadora de eliminação alvi-celeste. Era um rival que não vencia à Argentina no basquete desde 1955. Duro!



Eliminatórias para a Copa América 2025
25/02/2024 - ARGENTINA 77 x 79 CHILE - Coliseu Municipal Antonio Azurmendy Riveros, Valdivia, Chile
Parciais: 11 x 26 / 31 x 27 (42 x 53) / 18 x 6 (60 x 59) / 17 x 20 (77 x 79)
ARG: Facundo Campazzo (16), Leandro Bolmaro (12), Nicolás Brussino (11), Gabriel Deck (20) e Marcos Delia (6). Téc: Hermán Mándole. Banco: Juan Marcos (3), Gonzalo Corbalán (2), Lucio Redivo (0), Juan Fernández (7) e Gonzalo Bressan (0).
CHL: Franco Morales (17), Darrol Jones (8), Sebastián Herrera (8), Manuel Suárez (29) e Felipe Haase (7). Téc: Juan Córdoba. Banco: Sebastián Carrasco (5), Felipe Inyaco (3), Carlos Lauler (0), Ignácio Carrion (2) e Aitor Pickett (0).





Há uma causa para tudo isso? Não, são muitas, e de diversas índoles e origens. Não estão ordenadas por importância. São aleatórias.

1. O DESAFIO

Em primeiro lugar, não se pode deixar de dizer que a Argentina viveu um conto pouco comum com sua Geração Dourada. A equipe se despediu nas Olimpíadas Rio 2016 depois de 15 anos de sonhos cumpridos, tendo esticado cinco mais de vida pela permanência de Luis Scola na seleção (ressaltando que Carlos Delfino segue em atividade e esteve nestas partidas de 2023 e 2024).

Não havia lógica, ainda mais sendo a Argentina, em pensar que o choque do fim de tal geração não seria sentido em algum momento. Não queremos entrar em terrenos escorregadios, mas muitas vezes vemos que os argentinos acreditam serem diferentes do resto do mundo, que podem mudar um país sem modificar seus comportamentos, que podem passar de um time de ouro a outro de ouro simplesmente porque sim, como se fosse destino... Para este tipo de raciocínio, embora tudo tenha sido festejado como merecia - e talvez o vice-campeonato mundial de 2019 não tenha ajudado - uma geração de ouro não substituiria a outra de ouro porque é assim que as coisas são. Não foi assim. Nem será assim. Todas as grandes gerações da história do basquete (Brasil, Porto Rico, Iugoslávia, Croácia, Rússia e agora Espanha) tiveram lacunas na sua história, porque isso não aconteceria com a Argentina, que nunca foi sequer uma potência no basquete?

Hoje nos espera o mundo inteiro
não é para menos, a coroação
brota o encanto do solo prateado
e não venha até mim com contos raros,
que Che, Gardel ou Maradona,
são os número um, assim como sou eu
e argentino eu sou, graças a Deus
(La Argentinidad al Palo, de Bersuit)

E isso se espalhou muito rápido entre as pessoas, que ainda não perceberam o que aconteceu e pensam que, por terem três jogadores na Euroliga, o Chile tinha que ser esmagado. E antes para a República Dominicana e depois para Bahamas. Isso fez com que, pela primeira vez em nada menos que 30 anos, o time pareça em dívida e os jogadores sintam isso. Desde a Década de 1990 não víamos um time tão pressionado para vencer. Emocionalmente a equipe está sofrendo, e isso fica evidente sempre que faz um jogo de "não pode perder". Bem, ele perdeu todos os três jogos. A quantidade de atrocidades que foi dita nas redes não tem fundamento. Nem aconteceu quando a Argentina ficou de fora pela primeira vez de uma semifinal importante, na Turquia em 2010, sendo arrasada pela Lituânia, ou quando não passou das oitavas de final da Copa do Mundo seguinte, na Espanha. Mesmo com alguns "GDs" na equipe. A tolerância, rara na Argentina, já não existe mais.


2. A CHEGADA DE FABIÁN BORRO À PRESIDÊNCIA DA CONFEDERAÇÃO

A saída de Scola, e também a de Sergio Hernández, depois de Tóquio, moveram toda a estrutura que vinha funcionando de memória. Todos sabiam como jogava a Argentina, o que pensava Hernández, o que faria a equipe, como se Scola fosse estar sempre para tapar os buracos, etc. Depois de 2021 já não estavam mais os dois líderes. Isto implicou também na saída de um grupo que se havia comprometido muito na gestão de Federico Susbielles, altamente bem avaliada pelos líderes da Geração Dourada desde que em 2014 havia chegado como interventor à CABB de Germán Vaccaro, a quem eles tinham derrubado. Assim terminaram saindo também Silvio Santander, Gabriel Piccato e Maxi Seigorman do corpo técnico, e Facundo Petracci, Sebastián Uranga e outros dos escritórios administrativos. Até Germán Beder, o chefe de imprensa. Entre 2019 e 2021, quase não ficou ninguém da velha administração. De alguma forma, a vitória de Borro (produto em boa medida da desatenção de Susbielles com as províncias que votaram na CABB durante sua campanha política para ser intendente de Bahía Blanca). Algo se rompeu que, estima-se, era a ideia de Luis e do resto. Uma continuidade de Susbielles que permitiria, após a aposentadoria de Scola, a sua chegada à Confederação Argentina para arrancar um plano moderno sob sua liderança. Por isso 2019 é chave nesta história.

Borro, não tão fiel ao seu estilo, embora tenha limpado a CABB do quadro de funcionários que estava praticamente 100%, inicialmente tentou uma convivência amigável com Scola e Hernández, que haviam apoiado publicamente a Susbielles (como Ginóbili e vários outros), e quando veio a saída do Ovelha Hernández, foi para alguém que (digamos honestamente) foi apoiado de forma bastante unânime por treinadores, dirigentes e seguidores do basquete em geral (agora todos dizem que não, mas isso não é surpreendente): Néstor "Che" García. A experiência com o "Che" foi muito ruim. Previsivelmente ruim? Acreditávamos, talvez ingenuamente, que os problemas pessoais de Che seriam superados pelo seu desejo indiscutível de liderar a Argentina. Nós estávamos errados. É claro que não foi Che quem elaborou um plano que tivesse o futuro sem Scola como eixo. Néstor sempre foi bom em campo. Não no planejamento. Nesse aspecto, nunca esteve rodeado de pessoas que tinham um plano como objetivo central. Naquela época, como agora, pensávamos que era necessário um Diretor Esportivo para comandar o navio, como Julio Lamas, também amigo de Che. E inquestionavelmente respeitado pela imprensa, colegas e todos. Mesmo com um passado de sucesso trabalhando com Borro no Obras. Isso não aconteceu. E então o que aconteceu, aconteceu. Che saiu e pela primeira vez em 30 anos, procurou-se um treinador após a demissão do técnico da Seleção Argentina.

Quanto à organização - por decisão própria, por razões econômicas, ou por qualquer outro motivo - o leque de programas que existia, em termos de detecção de talentos, planos de altura e assim por diante, foi quase completamente modificado. E havia consideravelmente menos pessoas trabalhando. Obviamente, nem a pandemia nem a queda acentuada da economia argentina, com a inflação nas alturas, ajudaram. Mas é tudo dinheiro ou recursos? Se tivéssemos que responder rapidamente, diríamos não. Porque senão não se consideraria que vieram 15 jogadores da Europa para a janela contra o Chile (3 da equipe técnico-médica), incluindo caras como Giovannetti, Bocca, Bressan ou Corbalán, que praticamente não jogaram.

É ótimo que você possa começar a conviver com os grandes, mas primeiro você tem que estabelecer as bases de uma estrutura que reúna o plano macro. Insistimos: a Confederação precisa de um Diretor Esportivo, de peso, que reúna quem sabe e entende para criar um plano global, pelo menos, para 10 anos. E um assistente de primeira linha em tempo integral, como o próprio Casalánguida, Santander ou outro (não há muitos com essas características). E com o que acabamos de dizer não se pode citar a falta de dinheiro. A questão é como otimizar o que existe. A Argentina voltará a realizar um período concentrado de treinamentos em Alicante, na Espanha, em julho. Certamente será um grande investimento. Excelente que seja feito. Mas parecem continuar a ser situações aleatórias específicas sem um eixo e um projeto maior.


3. O NOVO TREINADOR

A escolha de Pablo Prigioni não teve muitos adversários ou críticos, embora agora possa parecer que ninguém o apoiou firmemente. A maioria dos seus colegas concordou que ele era uma pessoa qualificada, trabalhando na melhor liga do mundo, jovem, ansioso e com a mente aberta para mudar a equipe para um sistema de jogo que levasse em conta as capacidades atuais da Seleção Argentina. Alguém diferente de seus anteriores. Com Prigioni, pela primeira vez, ocorreu um fato diferente: ele não foi técnico nem na Argentina nem na Europa. E o novo sistema de janelas fazia com que, às vezes, ele não pudesse estar presente. Porém, conseguiu viajar à Argentina em fevereiro de 2023 na decisiva janela contra Canadá e República Dominicana, e depois reunir um único mês de trabalho contínuo que teve desde que assumiu o cargo em 2022, para buscar solidificar sua ideia de jogo que, como se sabe, foca muito no que as estatísticas mostram sobre eficiência de chutes, espaços, etc. Estilo muito NBA e, por enquanto, pouco compreendido ou aceito pelo público argentino. Isso não é culpa de Prigioni, que está convencido não só deste sistema, mas de que ele é o melhor para esta fase da Argentina.

Por outro lado, como Prigioni estava na NBA e não podia estar na janela da Copa América, foi decidido que Herman Muelo, um de seus assistentes, o substituiria. Não foi Leandro Ramella, que liderou a Argentina nos Jogos Pan-Americanos (algo que nunca foi totalmente compreendido se ele não continuasse depois), nem foi Gonzalo García (assinou com a Seleção do Panamá), nem Leo Gutiérrez (ausente há um ano). Mándole é, seguramente, quem melhor se adapta ao estilo que Prigioni quer impor. Na verdade, ele é o primeiro assistente do Varese de Luis Scola, talvez o mais convencido desse sistema. E ao mesmo tempo Nico Casalánguida regressou. Situação estranha e confusa.

A questão é: como montar um projeto com um novo sistema de jogo, com um treinador nos Estados Unidos, outro na Itália e a maioria dos jogadores - todos no caso desta janela - na Espanha (10) e na Itália (2)? Chegam 3 ou 4 dias antes do jogo após uma viagem de 12 horas (mínimo). Não é fácil nem será fácil, e não está claro se existem muito mais opções. Se a Argentina escolheu Prigioni como técnico, sabia que isso iria acontecer. E, nesse caso, foi fundamental ter um primeiro assistente a tempo inteiro, na Argentina, com experiência em organizar e montar todo o trabalho que nem Pablo nem Mándole podem fazer enquanto estiverem na NBA ou na Europa. Planejamento, rastreamento de jogadores, configuração. Agora Nico Casalánguida está de volta, mas em que função enquanto não há competição?

Definitivamente, a Argentina não pode montar uma seleção da Liga Nacional. Não porque não possa competir, por exemplo, nestas janelas de Eliminatórias da Copa América, mas porque não teria muita utilidade no futuro. Pode, claro, incluir promessas jovens (ou não tão jovens), ou até mesmo acrescentar algumas que atuam na região. Exemplos: Bautista Lugarini, Franco Baralle, José Vildoza, Agustín Barreiro. O que está claro é que, como nunca antes, a Argentina tem quase todos os seus talentos no exterior: veteranos, médios e jovens. Algo como acontece com poucos no mundo, basicamente só em países africanos. Aqui as debilidades macroeconômicas do país cobram a sua conta, com uma grande evasão de talentos, muitos atuando no Brasil e no Uruguai.

Faz menos de um ano e estava no papel a possibilidade de se aproximar de alguém que há anos está muito envolvido em todas essas questões, como é Silvio Santander. Ou, pelo menos, era nisso que se acreditava. Mas a oferta formal nunca chegou. Todos sabemos que a Confederação não dispõe de grandes recursos e que muitas coisas são pagas via Enard, como toda a logística interna dos dois jogos de Mar del Plata e do Chile (viagens e hotéis). Este último, com a eleição de Javier Milei, teremos que ver se permanecerá o mesmo. Eles dizem que sim. Vamos ver. De resto, não é preciso ser muito inteligente para acreditar que é preciso otimizar ao máximo o que está disponível e, para isso, é fundamental uma estrutura de pessoas que o CABB não tem hoje. Já não há talento suficiente, por isso todo o resto deve ser potencializado.


4. O FATOR SCOLA

Luis Scola é uma questão central nesta história. Não é fácil medir o aspecto mais difícil desta queda esportiva que foi a aposentadoria de Luis Scola. Sempre se suspeitou, e acabou se confirmando, que seria mais difícil para a Argentina substituir a Luis do que a Manu Ginóbili. E foi assim. Devido às características do jogador, Manu pode estar oculto. Scola não. E Luis Scola foi o eixo central da Argentina durante quase 25 anos. A era moderna e de sucesso do país no basquete. A Argentina jogou de certa forma porque tinha Scola. Mesmo na Copa do Mundo de 2019, com Luis já funcionando como um quatro mais moderno, com chute de três pontos, em um ambiente mais dinâmico. Mas também gerando situações perto da cesta.

De qualquer forma, a saída de Luis não só mudou 180 graus o sistema de jogo da Argentina, mas também algo muito mais importante: o líder saiu dentro e, principalmente, fora de quadra. Aquele que exigiu que todos se comprometessem, aquele que esteve atento ao comportamento do grupo, aquele que pressionou as lideranças para que as concentrações fossem as melhores possíveis, aquele que até conseguiu que as equipas da NBA emprestassem condições facilitadas. A Argentina perdeu num piscar de olhos, com tudo o que se pode discutir com o Luis sobre ideias e métodos, o cara que administrou absolutamente tudo. As três vertentes da questão: a esportiva dentro de quadra, a esportiva-organizacional fora e a organizacional pós-aposentadoria na extremidade. Ele era o único que poderia fazer isso? Todas as três coisas juntas, sim.

A nova Argentina, além disso, não tem líderes. E isso não é uma crítica. Campazzo, Lapro, Deck, Brussino, Delía, para citar os históricos, têm ascendência sobre os companheiros, mas isso é outra coisa. Na verdade, nenhum deles também está como líder em suas equipes. Facu Campazzo comandou o Real Madrid, assim como a seleção, em quadra, mas ao lado dele havia Llull, Rudy, Chacho, como líderes da equipe. Mais vocais. Deck é o tenente ideal dessa mesma equipe. Calmo e submisso. No Barcelona agora não há muitos, porque precisamente esses jogadores não fechavam muito com Jasikevicius, e embora o lituano tenha saído, há uma liderança bastante horizontal, com muitos na fila: Vesely, Kalinic, o próprio Lapro... mas não muito marcada. Os demais são importantes no seu elenco, mas não são líderes.


5. O PLANO

A mãe de todas as batalhas: se tivéssemos que fazer uma definição curta da Argentina seria "um país sem plano". Com boas intenções algumas vezes, outras não muito claras, mas com uma componente cultural de resolver as coisas com o sistema do "veremos mais tarde". Um dia para a esquerda, no dia seguinte para a direita, acelerando muitas vezes nas curvas. Chegue ao destino rapidamente, pois não dá tempo. A teoria é que na Argentina em geral não existe um plano porque a maioria não resiste à espera pelos resultados de um plano. Processos de médio e longo prazo, conforme exigido até o final da Geração de Ouro. Vamos ser honestos: a Geração Dourada não foi produto de um plano. Precisamente, foi mais um milagre argentino, cuja semente de origem foi o único processo que poderia ser considerado um plano, de altíssimo impacto, como a Liga Nacional, que por sua vez foi favorecida por diferentes marés (Lei Bosman, etc) que convergiram em uma equipe mágica. A tempestade perfeita. Mas não era um plano. Saiu assim. Ou melhor, eram planos dos seus treinadores em cada processo (Vecchio, Lamas, Magnano, Hernández), e não da liderança. E um dia acabou.

A situação é extremamente complexa. Não é dramático. A Argentina tem muitos pontos positivos para tentar voltar a ser competitiva a nível internacional. Continua a revelar talento, continua a ter jogadores com carácter especial para jogar, continua a ter excelentes treinadores. Mas não tem uma direção clara. Para sair dessa situação de origem multifatorial, quem entende diz que a primeira coisa é ter um bom diagnóstico e depois saber lidar com isso. Caso contrário, as coisas provavelmente acontecerão quase por acaso. E, como sabemos, na maioria das vezes perdemos no acaso.




Veja também:








quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Jogadores Latino-Americanos em Final da Euroliga até 2022


A lista de jogadores nascidos na América Latina a terem jogado Finais da Euroliga é bastante extensa. Esta presença pode ser dividida em fases.

A primeira fase, de 2001 a 2005, marcada pela presença marcante da Geração Dourada da Argentina: Manu Ginóbili (2 vezes), Luis Scola (2 vezes), Fabricio Oberto, Pepe Sánchez, Carlos Delfino e Pablo Prigioni jogaram final, assim como outros argentinos que não tiveram o mesmo destaque que estes seis na história da Seleção Argentina, como Marcelo Nicola, Patrício Prato e Roberto Gabini. Neste período, portanto, foram 9 argentinos que jogaram uma Final de Euroliga. Também houve a presença de dois brasileiros: Anderson Varejão e Tiago Splitter. Foram, portanto, 11 jogadores da América Latina a marcarem presença entre 2001 e 2005.

A segunda fase, de 2006 a 2014, teve presença bem menor de latino-americanos, e também mais discretas, com menos protagonismo. Foram 5 jogadores de 4 países diferentes: 2 do Brasil (Alex Garcia e Rafael Hettsheimeir), 1 da Venezuela (Óscar Torres), 1 do Uruguai (Esteban Batista) e 1 da República Dominicana (Sammy Mejía). Sendo que destes cinco, dois sequer chegaram a entrar em quadra. Assim, de 2009 a 2014, nenhum latino-americano sequer entrou a entrar em quadra numa partida de Final de Euroliga.

De 2015 a 2022 as participações voltaram a ser com protagonismo, e novamente com destaque para os argentinos. Foram 5 jogadores, com Gustavo Ayón, do México, jogando 2 vezes, assim como o argentino Facundo Campazzo. Outros três nomes da Argentina se destacaram: Andrés Nocioni, Leandro Bolmaro e Gabriel Deck.

No total entre 2001 e 2022 foram, portanto, 21 jogadores da América Latina que disputaram uma Final de Euroliga: 13 da Argentina, 4 do Brasil, 1 do México, 1 da Venezuela, 1 do Uruguai e 1 da República Dominicana.


Participações dos Latino-Americanos:


2000/01

Manu Ginóbili (ARG) no Campeão Virtus Bologna no Jogo 5
GINÓBILI: 33 minutos, 16 pontos, 6 assistências, 4 rebotes, 0 tocos e 2 recuperações de bola

Fabricio Oberto (ARG) e Luis Scola (ARG) no Vice-campeão Saski Baskonia no Jogo 5
OBERTO: 34 minutos, 15 pontos, 0 assistências, 4 rebotes, 1 toco e 0 recuperações de bola
SCOLA: 15 minutos, 7 pontos, 1 assistência, 4 rebotes, 1 toco e 1 recuperações de bola

Manu Ginóbili, no Virtus Bologna, da Itália


2001/02

Pepe Sánchez (ARG) no Campeão Panathinaikos
SÁNCHEZ: 4 minutos, 0 pontos, 0 assistências, 0 rebotes, 0 tocos e 0 recuperações de bola

Manu Ginóbili (ARG) no Vice-campeão Virtus Bologna
GINÓBILI: 33 minutos, 27 pontos, 2 assistências, 5 rebotes, 3 tocos e 3 recuperações de bola


2002/03

Anderson Varejão no Campeão Barcelona
VAREJÃO: 5 minutos, 1 ponto, 0 assistências, 1 rebote, 0 tocos e 0 recuperações de bola

Marcelo Nicola (ARG) no Vice-campeão Benetton Treviso
NICOLA: 23 minutos, 5 pontos, 1 assistência, 2 rebotes, 0 tocos e 0 recuperações de bola


2003/04

Carlos Delfino (ARG) e Patrício Prato (ARG) no Vice-campeão Fortitudo Bologna
DELFINO: 27,5 minutos, 6 pontos, 1 assistência, 4 rebotes, 2 tocos e 1 recuperação de bola
PRATO: 45 segundos, 2 pontos, 0 assistências, 0 rebotes, 0 tocos e 0 recuperações de bola


2004/05

Luis Scola (ARG), Pablo Prigioni (ARG), Roberto Gabini (ARG) e Tiago Splitter (BRA) no Vice-campeão Saski Baskonia 
SCOLA: 37 minutos, 21 pontos, 4 assistências, 9 rebotes, 4 tocos e 1 recuperação de bola
SPLITTER: 25 minutos, 6 pontos, 0 assistências, 4 rebotes, 3 tocos e 1 recuperação de bola
PRIGIONI: 9 minutos, 0 pontos, 1 assistência, 0 rebotes, 1 toco e 0 recuperações de bola
GABINI: 15 segundos, 0 pontos, 0 assistências, 0 rebotes, 0 tocos e 0 recuperações de bola

Scola, no Tau Ceramica Saski Baskonia, da Espanha


2005/06
Não houve nenhum jogador latino-americano


2006/07

Óscar Torres (VEN) no Vice-campeão CSKA Moscou
TORRES: 24 minutos, 9 pontos, 1 assistência, 4 rebotes, 0 tocos e 2 recuperações de bola


2007/08

Estaban Batista (URU) e Alex Garcia (BRA) no Vice-campeão Maccabi Tel Aviv
GARCIA: 23 minutos, 2 pontos, 2 assistências, 5 rebotes, 3 tocos e 3 recuperações de bola
BATISTA: 14 minutos, 14 pontos, 1 assistência, 7 rebotes, 1 toco e 1 recuperação de bola


2008/09, 2009/10 e 2010/11
Não houve nenhum jogador latino-americano


2011/12

Sammy Mejía (DOM) no Vice-campeão CSKA Moscou foi relacionado, mas não entrou em quadra
MEJÍA: 0 minutos, 0 pontos, 0 assistências, 0 rebotes, 0 tocos e 0 recuperações de bola


2012/13

Rafael Hettsheimeir (BRA) no Vice-campeão Real Madrid foi relacionado, mas não entrou em quadra
HETTSHEIMEIR: 0 minutos, 0 pontos, 0 assistências, 0 rebotes, 0 tocos e 0 recuperações de bola


2013/14
Não houve nenhum jogador latino-americano


2014/15

Gustavo Ayón (MEX), Facundo Campazzo (ARG) e Andrés Nocioni (ARG) no Campeão Real Madrid
NOCIONI: 22,5 minutos, 12 pontos, 2 assistências, 7 rebotes, 2 tocos e 1 recuperação de bola
AYÓN: 15 minutos, 2 pontos, 1 assistência, 5 rebotes, 3 tocos e 0 recuperações de bola
CAMPAZZO: 0 minutos, 0 pontos, 0 assistências, 0 rebotes, 0 tocos e 0 recuperações de bola

Nocioni, pelo Real Madrid


2015/16 e 2016/17
Não houve nenhum jogador latino-americano


2017/18

Gustavo Ayón (MEX) e Facundo Campazzo (ARG) no Campeão Real Madrid
AYÓN: 14 minutos, 4 pontos, 1 assistência, 2 rebotes, 1 toco e 0 recuperações de bola
CAMPAZZO: 9 minutos, 0 pontos, 0 assistências, 1 rebote, 1 toco e 0 recuperações de bola


2018/19
Não houve nenhum jogador latino-americano


2020/21

Leandro Bolmaro (ARG) no Vice-campeão Barcelona
BOLMARO: 25 minutos, 7 pontos, 3 assistências, 5 rebotes, 2 tocos e 0 recuperações de bola


2021/22

Gabriel Deck (ARG) no Vice-campeão Real Madrid
DECK: 40 minutos, 23 pontos, 4 assistências, 10 rebotes, 2 tocos e 1 recuperação de bola

Gabriel Deck, pelo Real Madrid



domingo, 1 de dezembro de 2019

História do Basquete da República Dominicana

History of the Dominican Republic's national basketball - História del Baloncesto Dominicano - RD Básquet - História do Basquete da República Dominicana


O CentroBasket de 1977 foi disputado entre 2 e 9 de setembro na Cidade do Panamá. Todos esperavam que a medalha de ouro fosse estar no peito ou de Porto Rico ou do Panamá ou do México. Na sua primeira participação no principal torneio de basquete da América Central, apenas oito anos antes, em 1969, a Seleção da República Dominicana jogou oito partidas e perdeu as oito. Nas edições anteriores, haviam sido dois títulos de México (1965 e 1975) e Panamá (1967 e 1969), um de Porto Rico (1973) e um de Cuba (1971). Em 1975, a República Dominicana havia sido pela primeira vez sede da competição, e ficou com o 4º lugar. Era extremamente improvável que pudesse ser a campeã em 1977. Ninguém imaginava antes da competição, nem seus próprios jogadores.

O MVP do torneio, Hugo Cabrera, no aniversário de 40 anos do título assim definiu aquela conquista: "Para mim o Centrobasket'77 sempre será a maior conquista do basquete dominicano. Foi aí que começou tudo". Cabrera, El Inmenso, foi o primeiro grande ícone do basquete dominicano, tendo sido o primeiro atleta do país a treinar na NBA, tendo estado nas Pré-temporadas de 1976 com o Milwaukee Bucks e de 1978 com o New York Knicks.

No CentroBasket de 1977, na estreia na 1ª fase, com 30 pontos de Cabrera, 21 de Vinicio Muñoz e 19 de Iván Mieses, a República Dominicana venceu El Salvador por 99 x 77. No segundo dia, derrota implacável para o Panamá por 93 x 111, brilhando o panamenho Rolando Frazier com 35 pontos, sem que Cabrera (29 pontos) e Héctor Báez (26 pontos) pudessem impedir a derrota. No terceiro dia, nova derrota, caindo para Porto Rico (81 x 101), por quem se destacaram Rubén Rodríguez (16 pontos), Neftalí Rivera (14 pontos) e Mario Morales (14 pontos), todos anotando menos do que os dominicanos Báez (31 pontos) e Cabrera (22 pontos). Na 4ª rodada, um resultado importante, com a Dominicana vencendo ao México por 95 x 82, com destaque para as atuações de Mieses (23 pontos), Cabrera (17), Eduardo Gómez (15), Baéz (14) e Múñoz (13). Com esta vitória, a vaga no Quadrangular Final estava praticamente assegurada. Nas duas últimas rodadas, duas vitórias fáceis, por 76 x 54 sobre Honduras (Muñoz e Báez com 16 pontos cada) e por 103 x 78 sobre as Antilhas Holandesas (Victor Chacón marcou 19 pontos e foi o cestinha).


No Quadrangular Final, uma impensada vitória sobre Porto Rico por 94 x 86 logo na abertura foi a primeira decisão, com Cabrera marcando 23 pontos e Gómez 20 pontos. A vitória foi obtida revertendo uma desvantagem de 12 pontos ao final do 1º tempo. O filme de certa forma se repetiu na segunda decisão, contra os donos da casa, num ginásio absolutamente lotado. Ao fim do primeiro tempo uma desvantagem da Dominicana de 12 pontos (32 x 46), revertida para uma vitória heróica e de infartar sobre o Panamá por 92 x 91, na qual brilharam Cabrera e Prats, que marcaram 20 pontos cada. O título estava matematicamente assegurado, e o último jogo contra o México se tornou um amistoso de luxo, com os mexicanos vencendo por 120 x 88. A República Dominicana era a campeã da América Central!

O quinteto titular era formado por Eduardo Gómez, Iván Mieses, Vinicio Muñoz, Héctor Báez e Hugo Cabrera. O técnico era Humberto Rodríguez. Entre os mais usados do banco estavam Frank Prats e Víctor Chacón. O elenco ainda tinha Pepe Rozón, Alejandro Tejeda, Manolo Prince e os garotos Cándido Antonio "Chicho" Sibilio, então com 19 anos, e Evaristo Pérez, então com 18 anos. Sete dos doze integrantes deste elenco jogavam ou pelo San Lázaro (Hugo Cabrera, Héctor Báez, Pepe Rozón e Manolito Prince) ou pelo Deportivo Naco (Eduardo Gómez, Frank Prats e Alejandro Tejeda). Os outros cinco atuavam: Iván Mieses no clube Eugenio Perdomo, Vinicio Muñoz no clube Mauricio Báez, Evaristo Pérez no clube San Carlos, Víctor Chacón no clube Los Astros, e Chicho Sibilio, ainda muito jovem, já era jogador do Barcelona, da Espanha.

Este grupo disputou pela primeira vez um Campeonato Mundial, em 1978, nas Filipinas. Não foi além da 1ª Fase, tendo jogado três jogos e sofrido três derrotas: 65 x 104 para os Estados Unidos, 72 x 74 para a Austrália, e 81 x 82 para a Tchecoslováquia. Dois dos três jogos, portanto, tendo sido muito apertados, decididos nos segundos finais.


Os principais nomes desta geração:

Héctor Vinicio Muñoz
Carreira: 1974-1976 Club Eugenio Perdomo; 1977 Club Mauricio Báez; 1977-1981 San Carlos; 1982-1985 Arroyo Hondo; 1986 Flamengo (Brasil); 1987 Vasco da Gama (Brasil); 1988-1989 Arroyo Hondo; 1989-1990 Vasco da Gama (Brasil); 1990-1993 Arroyo Hondo; 1994 San Lázaro; 1995 Villa Duarte; 1996-1999 San Lázaro; e 2000 Los Mina


Hugo Cabrera
Carreira: 1970 San Lázaro; 1971-1972 Brandein High School (EUA); 1972-1976 East Texas State University (NCAA, EUA); 1976-1977 San Lázaro; 1978-1979 Allentown Scranton (Liga CBA, EUA); 1979-1980 Wilkes-Barre Barons (Liga CBA, EUA); 1980 San Lázaro; 1981 Flamengo (Brasil); 1981 Minas (Brasil); 1982 Vasco da Gama (Brasil); 1983 Deportivo Naco; 1984 Vasco da Gama (Brasil); 1985 Deportivo Naco; 1985 Queluz (Portugal); 1986 Vasco da Gama (Brasil); 1986-1989 San Lázaro; 1990 Los Mina; 1991 Capitanes de Arecibo (Porto Rico); 1992 Los Mina; e 1993 Criollos de Caguas (Porto Rico)


Héctor Báez
Carreira: 1974-1979 San Lázaro; 1980 Capitanes de Arecibo (Porto Rico); 1981-1982 San Carlos; 1983-1986 Criollos de Caguas (Porto Rico); 1986-1987 San Carlos; 1987-1990 Criollos de Caguas (Porto Rico); 1990 Gallitos de Isabela (Porto Rico); 1991 Maratonistas de Coamo (Porto Rico); e 1991-1992 San Lázaro


Evaristo Pérez
Carreira: 1977-1980 San Carlos; 1980 Atléticos de San Germán (Porto Rico); 1980-1981 San Carlos; 1981-82 Michigan State Spartans (NCAA, EUA); 1982-1983 San Carlos; 1983-1984 Vasco da Gama (Brasil); 1984-1985 Porto (Portugal); 1985-1986 Corinthians (Brasil); 1987 Vasco da Gama (Brasil); 1987-1988 San Carlos; 1988 Espanyol (Espanha); 1988-1989 San Carlos; 1989 Monte Líbano (Brasil); 1989-1990 Vasco da Gama (Brasil); 1990-1991 San Carlos; 1992 Gallitos de Isabela (Porto Rico); e 1993-1995 San Carlos


Iván Mieses
Carreira: 1975-1978 Club Eugenio Perdomo; 1979-1982 Arroyo Hondo; 1983-1984 San Lázaro; 1985-1987 Arroyo Hondo


Chicho Sibilio
Carreira: 1976-1989 Barcelona (Espanha), e 1989-1993 Saski Baskonia (Espanha)

Sibilio se tornou uma lenda no basquete espanhol, chegou ao Barcelona com apenas 18 anos e por lá jogou por 13 anos. Em 1980, Sibilio, que na República Dominicana iniciou como pivô, mas na Espanha passou a jogar como ala, naturalizou-se, passando a defender a Seleção da Espanha, pela qual fez sua estreia nos Jogos Olímpicos de 1980, sendo o primeiro atleta negro a defender a camiseta do Selecionado Espanhol. Tornou-se um dos jogadores mais queridos da agremiação "blaugrana", que defendeu até 1989, marcando uma geração histórica no clube ao lado de San Epifanio e Solozábal. Foi 5 vezes campeão da Liga Espanhola, 8 vezes campeão da Copa do Rei e 2 vezes campeão da Recopa Européia. Com a Seleção da República Dominicana foi campeão do CentroBasket 1977 e com a Seleção da Espanha foi Medalha de Prata do EuroBasket 1983.



Esta geração da República Dominicana dos Anos 1970-1980 teve uma forte ligação com o basquete brasileiro. Além do que está descrito acima nas carreiras de Vinicio Muñoz, Hugo Cabrera e Evaristo Pérez, também passou pelo basquete brasileiro o pivô Víctor Chacón, que defendeu a camisa do Flamengo de 1986 a 1990. Um outro grande nome do basquete da RD nos Anos 1980, e que viria a ser pai do principal nome do basquete do país nos Anos 2010, também passou pelo basquete brasileiro: Alfredo "Tito" Horford, pai de Al Horford.

Tito Horford
Carreira: 1985-1986 LSU Tigers (NCAA, EUA); 1986-1988 Miami Hurricanes (NCAA, EUA); 1988-1990 Milwaukee Bucks (NBA); 1990-1991 Monaco (França); 1992 Firenze (Itália); 1993 Washington Bullets (NBA); 1993-1994 Sioux Falls Skyforce (D-League, EUA); 1994-1995 Los Prados; 1995-1996 Sirio (Brasil); 1997 Siena (Itália); 1997 Suzano (Brasil); 1998-1999 Los Prados; 2000-2001 Garzas de Plata (México); 2001 Villa Duarte; 2001 Club Mauricio Baez; 2001-2002 Los Prados; e 2003-2004 San Carlos

Al Horford, o filho, e Tito Horford, o pai

Depois do título de Campeão do CentroBasket 1977, o basquete dominicano levou duas décadas para voltar ao pódio, tendo obtido a medalha de prata em 1995 (derrota para Cuba na final, em plena República Dominicana), e as medalhas de bronze em 1997 e 1999 no CentroBasket. O grande nome desta geração foi o pivô José "El Grillo" Vargas, mais um nome a construir fortes laços com o basquete brasileiro, com toda sua explosão física dentro do garrafão. Com Vargas, a Dominicana voltou a figurar entre os melhores da América Central e do Caribe. O time de 1995, que perdeu a final para Cuba, era treinado pelo espanhol José Manuel "Moncho" Monsalve, que viria a ser o técnico da Seleção Brasileira 13 anos depois. Seu tripé principal era formado por José "Maíta" Mercedes, pelo veterano Vinício Muñoz (que neste torneio se despediu da Seleção da RD), e pelo pivô José Vargas. A campanha na 1ª fase: 81 x 56 Costa Rica; 92 x 70 Barbados; 82 x 70 Panamá; 86 x 98 Cuba; 86 x 76 Bahamas. Na semi-final: 85 x 68 Porto Rico. Na final, esteve o tempo todo atrás de Cuba no marcador, para quem já havia perdido na 1ª fase, buscou uma reação incrível no final, chegou a estar três pontos a frente com menos de 1 minuto no cronômetro, incendiando o ginásio, mas os cubanos reagiram. Faltando 13 segundos, com 85 x 86 no placar, Luis Felipe López - jogador que chegou à NBA: 1998–2000 no Vancouver Grizzlies, 2000–01 no Washington Wizards e 2001–02 no Minnesota Timberwolves - escorregou dentro do garrafão úmido e não fez a cesta que colocaria o time a frente, forçando a Dominicana a cometer uma falta. Placar definitivo: Cuba 87 x 85 Rep. Dominicana.

Jose Vargas
Carreira: 1984-1988 LSU Tigers (NCAA, EUA); 1988-1989 Virtus Roma (Itália); 1989-1990 Gorizia (Itália); 1990-1991 Saint-Quentin (França); 1991-1993 Maccabi Tel Aviv (Israel); 1993 Criollos de Caguas (Porto Rico); 1993-1994 Cholet (França); 1995 Los Mina; 1995-1996 Aresium (Itália); 1996 Gigantes de Carolina (Porto Rico); 1996-1998 Franca (Brasil); 1998-2001 Vasco da Gama (Brasil); 2001 Bravos de Portuguesa (Venezuela); 2001 Potros de Villa Francisca; 2001-2002 Trotamundos de Carabobo (Venezuela); 2002 San Lázaro; 2002 Cañeros de La Romana; 2002 Uberlândia (Brasil); 2002-2003 Deportivo Ancud (Chile); 2003-2004 Libertad Sunchales (Argentina); 2004-2005 Universo Brasília (Brasil); e 2005-2006 Franca (Brasil)


Uma outra equipe histórica se formou no biênio 2003-2004, equipe que foi vice-campeã do CentroBasket 2003, Medalha de Prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo em 2003 (primeiro pódio fora dos limites da América Central), e voltou a ser a Campeã do CentroBasket 2004. O time dominicano já vinha da conquista da Medalha de Ouro nos Jogos Centro-Americanos de 2002, quando bateu Porto Rico na final por 103 x 87. No CentroBasket 2003, perdeu a final para Porto Rico (83 x 93). No Pan 2003, em casa, venceu México (72 x 67) e Canadá (90 x 88), perdeu para o Brasil (77 x 93), mas avançou para a semi-final, na qual bateu Porto Rico por 79 x 65. Mas na final, voltou a ser derrotado pelo Brasil, desta vez por 62 x 89, ficando com a Medalha de Prata (partida que marcou a despedida de Jose Vargas da seleção). No CentroBasket 2004, novamente em casa, no Palacio de los Deportes, em Santo Domingo, o time dominicano superou Guatemala (75 x 71), Barbados (82 x 55) e México (70 x 68) na 1ª fase, bateu ao Panamá (81 x 77) na semi-final, e foi decidir o título contra Porto Rico. O título foi conquistado de forma dramática: dois lances livres de Jack Martínez com 9,7 segundos restando no cronômetro colocaram 75 x 74 para a RD no placar, selando o segundo título dominicano no torneio. Martínez foi o destaque daquela noite de 11 de julho de 2004 com 19 pontos e 13 rebotes. Amaury Filión (13 pontos), Otto Vantroy (12 pontos) e Marlon Martínez (10 pontos) também se destacaram. O time do técnico Héctor Baéz, ex-jogador e ídolo dominicano, tinha como quinteto titular a: Otto Vantroy, Andy Turner Williams, Amaury Filión, Marlon Martínez e Jack Michael Martínez. Do banco entravam ainda Luis Flores e Franklyn Western.

O basquete dominicano passou então a viver uma fase de briga no topo do cenário da América Central e do Caribe. No CentroBasket de 2008 uma medalha de bronze, na edição seguinte, dois anos depois, um degrau acima no pódio, ficando com a Medalha de Prata ao perder a final por 80 x 89 para Porto Rico, um time que tinha o ala-pivô Charlie Villanueva, jogador que vestiu as camisas de Toronto Raptors, Milwaukee Bucks, Detroit Pistons e Dallas Mavericks na NBA, mas que atuou pouco com o selecionado nacional. Na escalada, na edição seguinte, em 2012, nova subida de um degrau a mais, com a conquista do terceiro título do CentroBasket. Antes porém, em 2011, um 4º lugar no Jogos Pan-Americanos, fazendo sua segunda maior campanha nesta competição até então, e um histórico 3º lugar na Copa América de 2011, campanha com vitórias por 90 x 60 em Cuba, 92 x 89 na Venezuela e 79 x 74 sobre o Brasil, perdendo por 72 x 73 para o Canadá, mas ficando com o 1º lugar do grupo na 1ª fase. Na 2ª fase, vitórias por 92 x 68 no Panamá e 84 x 76 no Uruguai, e derrotas por 62 x 79 para Porto Rico e 58 x 85 para a Argentina. Com a 4ª melhor campanha, foi à semi-final, quando acabou derrotado pelo Brasil (76 x 83). Disputou o 3º lugar contra Porto Rico, e conseguiu uma vitória histórica. Em 11 de setembro de 2001, a RD venceu por 103 x 89 e ficou com a Medalha de Bronze da principal competição da FIBA Américas, que valia como Pré-Olímpico. Como só duas vagas estavam em jogo, a Dominicana não se classificou às Olimpíadas, mas alcançou um nível até então inalcançado por seu basquete. Al Horford foi o destaque da campanha, na decisão de 3º lugar anotou 23 pontos, 12 rebotes e 7 assistências, enquanto Jack Martínez teve 21 pontos e 9 rebotes, Francisco Garcia marcou 18 pontos e Ronald Ramón marcou 17.

No CentroBasket 2012, uma nova Medalha de Ouro, a terceira da história, após as conquistas em 1977 e 2004. Uma conquista com um gosto especial, já que foi dentro da casa do principal rival, Porto Rico, conquistada no Coliseu Jose Miguel Agrelot, em San Juan, capital dos "boricuas". Sabor ainda mais especial porque foi um título invicto. O técnico do time era o norte-americano John Calipari, um treinador com larga experiência na NCAA e que foi técnico do New Jersey Nets, da NBA, de 1996 a 1999. O time dominicano era formado por Juan Coronado, Francisco García, Eulis Báez, Al Horford e Jack Martínez. No banco havia um garoto de apenas 16 anos chamado Karl-Anthony Towns, que viria a ser escolhido o Calouro do Ano da NBA na temporada 2015-16 vestindo a camiseta do Minnesota Timberwolves. A campanha teve imponentes vitórias na 1ª fase sobre México (85 x 67), Jamaica (80 x 64), Costa Rica (69 x 51) e Ilhas Virgens (78 x 73). Na semi-final, vitória por 79 x 62 sobre o Panamá, com destaque para os 23 pontos de Francisco Garcia. Final contra o maior rival em plena capital de Porto Rico. Jack Martinez foi decisivo, com 23 pontos e 11 rebotes, Coronado também brilhou, com 17 pontos e 9 rebotes, García e Báez marcaram 11 pontos cada um, enquanto a estrela do time, Horford, converteu 9 pontos. No fim, o placar apontava uma vitória indiscutível: República Dominicana 80 x 72 Porto Rico.

Esta geração ainda obteve um 4º lugar na Copa América 2013, uma Medalha de Bronze no CentroBasket 2014, a Medalha de Ouro nos Jogos Centro-Americanos de 2014, um 4º lugar no Jogos Pan-Americanos de 2015 e um novo Bronze no CentroBasket 2016. Uma geração que levou o basquete dominicano para um degrau acima a nível não só da América Central como das Américas.

Este grupo disputou pela 2ª vez na história do basquete da RD um Campeonato Mundial, em 2014 na Espanha. No primeiro jogo perdeu por 62 x 72 para a Ucrânia. Depois obteve a primeira vitória do país num Mundial de Basquete, batendo à Nova Zelândia por 76 x 63, numa partida em que Francisco Garcia fez 29 pontos e Eulis Báez pegou 9 rebotes. Depois venceu à Finlândia por 74 x 68, jogo no qual o destaque foi o pivô Eloy Vargas, com 18 pontos e 13 rebotes. A seguir perdeu para os Estados Unidos (71 x 106) e para a Turquia (65 x 71). Com 2 vitórias e 3 derrotas avançou em 3º lugar num grupo que 4 seleções iam às Oitavas de Final, na qual acabou derrotada por 61 x 71 para a Eslovênia.


Os principais nomes desta geração:

Jack Martínez
Carreira: 2001 San Lázaro; 2001-2002 Llanquihue (Chile); 2002 Bourg-en-Bresse (França); 2003 Racing Paris (França); 2004 Llanquihue (Chile); 2005 Madre Vieja; 2005 Domingo Paulino; 2005 Atlético San Germán (Porto Rico); 2005-2006 Roseto (Itália); 2006-2007 Scafati (Itália); 2007 Teramo (Itália); 2007 Constituyentes de San Cristóbal; 2008 Cocodrilos de Caracas (Venezuela); 2008 Guaynabo (Porto Rico); 2008 Grises de Humacao (Porto Rico); 2008-2009 Halcones Rojos (México); 2009 Espartanos de Margarita (Venezuela); 2010 Cocodrilos de Caracas (Venezuela); 2010 Halcones Xalapa (México); 2010 La Villa; 2010-2011 Cocodrilos de Caracas (Venezuela); 2011 San Martin de Corrientes (Argentina); 2012 Cocodrilos de Caracas (Venezuela); 2013 Guaros de Lara (Venezuela); 2013 Capitanes de Arecibo (Porto Rico); 2013 Trotamundos de Carabobo (Venezuela); 2014 Leones de Santo Domingo; 2015 Trotamundos de Carabobo (Venezuela); 2016 Metros de Santiago; 2016 Caciques de Humacao (Porto Rico); 2017-2018 San Lázaro; e 2018 Bameso


Al Horford
Carreira: 2004-2007 Florida Gators (NCAA, EUA); 2007-2016 Atlanta Hawks (NBA); 2016-2019 Boston Celtics (NBA)

Al Horford foi o primeiro jogador da RD a participar de All-Star Game da NBA. No basquete universitário dos EUA foi 2 vezes campeão da NCAA com o Florida Gators.


Francisco García
Carreira: 2002-2005 Louisville Cardinals (NCAA, EUA); 2005-2013 Sacramento Kings (NBA); 2013-2015 Hoston Rockets (NBA); 2016 Vaqueros de Bayamón (Porto Rico); 2017-2018 Indios de San Francisco de Macorís


Eulis Báez
Carreira: 2002-2003 Florida International (NCAA, EUA); 2003-2004 Southeastern Blackhawks (EUA); 2004-2005 Western Illinois Leathernecks (NCAA, EUA); 2005-2008 Akasvayu Vic (Espanha); 2008 Indios de San Francisco de Macorís; 2008-2009 León (Espanha); 2009-2011 Valladolid (Espanha); 2011 Leones de Santo Domingo; 2011-2012 Joventut de Badalona (Espanha); 2012-2019 Gran Canaria (Espanha); 2019-2020 Manresa (Espanha)


Ronald Ramon
Carreira: 2004-2008 Pittsburgh University (NCAA, EUA); 2008-2009 Lanus (Argentina); 2009-2010 Tabaré (Uruguai); 2010 Toros de Aragua (Venezuela); 2010-2015 Winner Limeira (Brasil); 2015-2018 Flamengo (Brasil); 2018-2019 Capitanes de Arecibo (Porto Rico); 2019-2020 Trotamundos de Carabobo (Venezuela)


O basquete da República Dominicana disputou o Campeonato Mundial em 2019 pela 3ª vez na história do basquete do país. Em 1978 despediu-se com 3 derrotas, e em 2014 teve 4 derrotas e 2 vitórias (sobre Nova Zelândia e Finlândia). No Mundial de 2019, na China, caiu na 1ª Fase num grupo difícil, com França, Alemanha e Jordânia, no qual só dois avançavam à 2ª Fase. Na estreia ganhou da Jordânia por 80 x 76, e no segundo jogo fez história, vencendo à Alemanha por 80 x 78, tendo o cestinha sido Victor Liz com 17 pontos. No último jogo, derrota para a França (56 x 90). O grupo na 2ª Fase era ainda mais difícil, com França, Lituânia e Austrália,e só dois avançando às Quartas de Final. Perdeu para australianos (76 x 82) e lituanos (55 x 74). Ao final, uma campanha com 2 vitórias e 3 derrotas. O time treinado pelo argentino Néstor "Che" Garcia tinha Gelvis Solano, Victor Liz, Eulis Báz, Ronald Roberts e Eloy Vargas, e no banco a rotação ainda contava com Rigoberto Mendoza, Ronald Ramon, Luis Montero e Sadiel Rojas.