.

sábado, 31 de outubro de 2026

Uma Epopeia Surpreendente no EuroBasket 2025: a Turquia e sua Medalha de Prata


Em 2025 foi escrito um novo capítulo na história do basquete turco, e com uma projeção internacional nunca antes obtida no basquete masculino internacional pelo país. Quando as luzes se apagaram na Arena Riga, na noite de 14 de setembro de 2025, o placar mostrava Alemanha 88 x 83 Turquia. Pela segunda vez em sua história, a Turquia subia ao pódio do EuroBasket como finalista, repetindo o feito de 2001 em Istambul, só que daquela vez com o diferencial de que era a anfitriã. Diferente de duas décadas antes, quando o calor da torcida em casa impulsionou a equipe, em 2025 a medalha de prata foi conquistada em solo estrangeiro, contra prognósticos sombrios, pois ninguém apostava num bom resultado daquela equipe, e com um jovem pivô como coração pulsante, que reescreveu a história com atuações magníficas.


Pouquíssimos especialistas previam a Turquia tão longe no torneio. Nas prévias, aparecia como azarão, nunca entre os favoritos. Sérvia, Eslovênia, Grécia e a campeã mundial Alemanha eram vistos como mais fortes. Mas o domínio de Alperen Sengun, as explosões de Cedi Osman, a orquestração de Shane Larkin, e a coesão criada pelo técnico Ergin Ataman, reescreveram o enredo final, e o que se viu foi uma sequência de vitórias que misturou drama, resiliência e talento. Pelo caminho, a Turquia superou a anfitriã Letônia, resistiu a uma Suécia ousada, derrubou uma Polônia inspirada e, de forma inesquecível, aniquilou a Grécia na semifinal. Cada triunfo foi uma afirmação, cada atuação mais um passo na reconstrução do lugar da Turquia no mapa do basquete europeu.

Em plena Riga, na Letônia, a campanha turca partiu com uma contundente vitória por 20 pontos de diferença, 93-73, sobre a anfitriã Letônia. Esta estreia, em 27 de agosto, poderia ter sido traiçoeira: os letões eram anfitriões, empurrados por uma arena lotada em Riga. mas a Turquia silenciou a torcida cedo, abrindo dois dígitos de vantagem. Cedi Osman brilhou com 20 pontos em 7/11 arremessos (4 bolas de três), enquanto Shane Larkin controlou o ritmo com 12 pontos e 8 assistências. Alperen Sengun, ainda aquecendo motores, somou 16 pontos e 9 rebotes. Foram os três destaques na primeira vitória.

No segundo confronto, mais uma vitória com autoridade: 92-78 sobre a República Tcheca, uma vantagem de 14 pontos. Sengun quase alcançou um triplo-duplo: 18 pontos, 10 rebotes e 6 assistências. Do banco, Furkan Korkmaz entrou e marcou com 15 pontos, e Osman contribuiu com 14. O tcheco Vit Krejci anotou 17 pontos. A Turquia, com 52% de aproveitamento nos arremessos, venceu com tranquilidade e fechou a fase de grupos invicta e no topo da chave.

Para fechar a 1ª Fase, vitórias fáceis por 95 a 54 sobre Portugal e por 84 x 64 na Estônia. Já classificada, a Turquia entrou para enfrentar a uma favorita Sérvia, e não se intimidou. Sengun fez 28 pontos e pegou 13 rebotes, com 37 de eficiência, liderando a uma vitória por 95 x 90. O Grupo A terminou então com Turquia, Sérvia, Letônia e Portugal classificados, nesta ordem. No Grupo B, Alemanha, Lituânia, Finlândia e Suécia avançaram, com Montenegro e Grã-Bretanha eliminados, no Grupo C Grécia, Itália, Bósnia e Geórgia passaram, com Espanha e Chipre eliminados, e no Grupo D França, Polônia, Eslovênia e Israel foram adiante, com Bélgica e Islândia caindo.


Nas oitavas de final, um susto diante dos suecos, com uma vitória por 85-79. A Suécia, de tradição modesta, fez jogo duro. Ludde Hakanson marcou 22 pontos e os suecos encostaram a três pontos no fim. Mas Sengun, novamente decisivo, garantiu a sobrevivência com 24 pontos, 16 rebotes e 4 assistências, incluindo uma cravada após rebote ofensivo a 90 segundos do fim. Larkin (13 pontos e 7 assistências) e Korkmaz (duas bolas de três cruciais) também se destacaram. Uma vitória no fim apertada, mas fundamental para manter vivo o sonho.

Nas quartas de final, a primeira atuação considerada verdadeiramente de gala e marcante, na qual houve um triplo-duplo histórico! Em 9 de setembro a Turquia venceu por 91 x 77 à Polônia, que havia avançado após derrubar à Bósnia e Herzegovina. Tradicionalmente, as quartas costumavam ser o muro da Turquia, mas não foram desta vez. Contra a Polônia, Alperen Sengun assinou um triplo-duplo raríssimo no EuroBasket: 19 pontos, 12 rebotes, 10 assistências. Foi mais do que estatística: foi arte. Dominando do garrafão, ele serviu a Osman (17 pontos) e Larkin (14 pontos e 9 assistências) em cortes e chutes abertos. A Polônia, com Mateusz Ponitka tendo sido o destaque (18 pontos e 7 rebotes) não resistiu ao fluxo turco. A Turquia estava de volta a uma semifinal após 24 anos!


Na semifinal, duelo e massacre sobre a poderosa Grécia, de Giannis Antetokounmpo. Em 12 de setembro a Turquia venceu por 94 x 68. Uma vitória monstruosa! Diante da Grécia e de sua tradição de múltiplos títulos, a Turquia, faminta, atropelou! Ercan Osman teve a noite da vida: 28 pontos em 10/14 arremessos (6/8 de três). Ao seu lado, Sengun empilhou 21 pontos, 11 rebotes e 5 assistências. Entre os gregos, Giannis marcou 19 pontos, mas errou 10 dos 16 arremessos que tentou. No intervalo, a diferença era de 15. No último quarto, beirou os 30. O placar final (94–68) foi um recado à Europa: a Turquia não estava apenas sonhando, estava dominando.



Na Final, foram cinco pontos da glória! Em 14 de setembro: Alemanha 88 x 83 Turquia. Na grande decisão, o adversário era o campeão mundial de então. A Alemanha tinha o armador Dennis Schroder, que obteve 22 pontos e 9 assistências, e Isaac Bonga, com 18 pontos e 8 rebotes. Foram os grandes diferenciais no título alemão. A Turquia não se intimidou: Sengun brilhou com 27 pontos, 13 rebotes e 6 assistências, mesmo limitado por faltas; Cedi Osman marcou 19 pontos (5 bolas de três), e Larkin completou com 11 pontos e 7 assistências. Ao intervalo, a Turquia vencia por 45 a 42.

Mas o terceiro quarto foi alemão. Os turcos ainda reagiram no quarto final. A 1 minuto e 30 segundos do fim, o placar mostrava 80–80. Porém, um triplo de Bonga e dois lances livres de Schroder selaram o destino: Alemanha 88–83 Turquia. Derrota honrosa, e medalha de prata reluzente.


Desde 2001, quando perdeu a final para a Iugoslávia em Istambul, a Turquia não sabia o que era disputar o partida pela medalha de ouro. Entre altos e baixos, nunca passou das quartas. Voltar à final, fora de casa, contra gigantes, e isto foi um feito imenso! Derrotou rivais de peso: a tradicional Letônia, campeã da EuroBasket inaugural em 1935, uma Grécia bicampeã da EuroBasket e que tinha a Giannis em plena forma! Cada triunfo adicionava camadas de grandeza! A prata de 2025 é mais que uma medalha: é um marco. Marca a consolidação de um novo líder, valida o trabalho de Ataman e recoloca a Turquia entre as elites continentais. Da vibração em Riga ao silêncio emocionado no apito final, a seleção turca ofereceu à sua torcida algo raro: uma jornada esportiva que rompeu expectativas, transformou azarões em candidatos, e fez a prata brilhar quase tanto quanto o ouro. O EuroBasket 2025 não foi apenas um torneio para a Turquia. Foi uma declaração.

Com 23 anos, Sengun se consagrou não só como talento da NBA, mas como líder de geração. Sua média no torneio passou de 20 pontos, 11 rebotes e 5 assistências, números que o colocam entre os grandes pivôs da história da Europa. Se houve um rosto que simbolizou a campanha turca, foi o de Alperen Sengun. O jovem pivô assumiu uma dimensão histórica: dominou no garrafão, mas também atuou como organizador ofensivo, distribuindo passes de costas para a cesta e ditando o ritmo da equipe como se fosse um armador de dois metros. Com um triplo-duplo nas quartas de final contra a Polônia e atuações decisivas contra Suécia, Grécia e Alemanha, mais do que estatísticas, Sengun ofereceu liderança emocional: foi ele quem segurou a pressão nos momentos mais tensos e deu confiança a companheiros menos experientes. A EuroBasket 2025 consolidou-o como o novo ícone do basquete turco, comparável, em impacto, ao que Hidayet Turkoglu representou em 2001, mas com uma versatilidade ainda maior.

Alperen Sengun

Na escolha dos dois Quintetos Ideais da Eurobasket 2025 entraram dois jogadores turcos. A seleção do torneio (All Star Five) foi escolhida com: Dennis Schroder (Alemanha), Luka Doncic (Eslovênia), Franz Wagner (Alemanha), Giannis Antetokounmpo (Grécia) e Alperen Sengun (Turquia). A segunda equipe (All Star Second Team) foi eleita tendo a: Jordan Loyd (Polônia), Cedi Osman (Turquia), Deni Avdija (Israel), Lauri Markkanen (Finlândia) e Nikola Jokic (Sérvia).

Cedi Osman

Um prêmio também ao trabalho de excelência feito na Liga Turca de Basquete Masculino (BSL – Basketbol Super Ligi). Fundada em 1966, ao longo das décadas passou de um campeonato nacional modesto a uma competição de alto nível, capaz de atrair talentos internacionais e preparar jogadores turcos para o cenário europeu e mundial. Nos primeiros anos, o basquete turco se concentrou principalmente em equipes tradicionais de Ancara, Istambul e Esmirna, como Efes Pilsen, Fenerbahce e Galatasaray, com infraestrutura limitada e competições internas de menor intensidade. A partir da década de 1990, a liga experimentou uma profissionalização acelerada: clubes investiram em centros de treinamento, melhoria de arenas e gestão esportiva moderna. Paralelamente, a importação de jogadores estrangeiros se tornou um catalisador de crescimento. Estrangeiros de alto nível, muitos vindos da NBA e das maiores ligas europeias, elevaram o padrão técnico e tático, criando uma referência para atletas locais e aumentando a competitividade interna da liga. O intercâmbio constante contribuiu para a maturação de jovens turcos, que passaram a absorver conceitos avançados de jogo, intensidade física e mentalidade de vitória.

O impacto da liga nacional se refletiu nas competências internacionais. Clubes turcos, principalmente Efes Pilsen e Fenerbahce, alcançaram a elite da Euroliga, competindo regularmente nas fases finais. O ponto culminante veio com o Fenerbahce de 2017/18, e com o Efes Pilsen em 2021 e 2022, campeões da Euroliga. Esses resultados consolidaram a reputação da Turquia como uma das potências emergentes do basquete europeu. E com uma presença de estrangeiros que foi decisiva, pois além de reforçar o elenco, eles levaram experiências em alto nível que foram internalizadas pelos atletas turcos, melhorando desempenho individual e coletivo. A BSL passou a ser reconhecida como uma liga de referência na Europa, combinando desenvolvimento local e aporte internacional. Essa competitividade interna e exposição europeia foram fatores fundamentais para a formação de jogadores como Şengun, Osman e os outros talentos que conduziram a seleção turca à surpreendente prata no EuroBasket 2025. A trajetória da liga demonstra como investimento, estrutura e intercâmbio internacional podem transformar uma federação em potência continental!