Os Estados Unidos da América são absolutamente dominantes na história do basquetebol, tanto masculino como feminino. Por isso, vitórias sobre os EUA têm um peso diferenciado neste esporte. Para entender a história dos confrontos da Seleção Brasileira de Basquete Masculino sobre a Seleção dos Estados Unidos, é preciso se fragmentar o histórico por confronto, pois os norte-americanos sempre deram pesos diferenciados para as diferentes competições do calendário internacional.
Histórico de 75 Anos de encontros Brasil contra Estados Unidos:
Jogos Olímpicos
1952: EUA 57 x 53 Brasil (Helsingue, Finlândia)
1956: EUA 113 x 51 Brasil (Melbourne, Austrália)
1960: EUA 90 x 63 Brasil (Roma, Itália)
1964: EUA 86 x 53 Brasil (Tóquio, Japão)
1968: EUA 75 x 63 Brasil (Cidade do México, México)
1972: EUA 61 x 54 Brasil (Munique, Alemanha)
1988: EUA 102 x 87 Brasil (Seul, Coréia do Sul)
1992: EUA 127 x 83 EUA (Barcelona, Espanha)
1996: EUA 98 x 75 Brasil (Atlanta, EUA)
2024: EUA 122 x 87 Brasil (Paris, França)
Acumulado histórico: EUA 10-0 BRASIL
O basquete dos Estados Unidos sempre deu mais importância para as Olimpíadas dentre todas as competições internacionais de basquete, tanto que das 21 edições disputadas entre 1936 e 2024, os Estados Unidos ficaram com a Medalha de Ouro em 17 oportunidades no basquete masculino. Só não ganharam medalha uma vez, na edição que boicotaram e não disputaram, em 1980 na União Soviética. O lugar mais alto do pódio só deixou de ser norte-americano nas edições de 1972 vencida pela União Soviética, em 1980 quando não disputaram e o ouro foi da Iugoslávia, em 1988 conquistada pela União Soviética, e em 2004, vencida pela Argentina.
Em Olimpíadas, o basquete dos Estados Unidos não deu chances ao Brasil. Foram 10 duelos e 10 vitórias norte-americanas. Foram 4 pontos de vantagem em 1952 (a vitória mais apertada), impressionantes 62 em 1956, 27 em 1960, 33 em 1964, 12 em 1968, 7 em 1972, 15 em 1988, 44 em 1992, quando os EUA jogaram com o "Dream Team", 23 em 1996, e 35 em 2024. A ampla maioria das vezes, portanto, tendo sido vitórias contundentes. Só em 2 oportunidades nestes 10 confrontos, a diferença foi inferior a 10 pontos.
Campeonato Mundial
1950: EUA 45 x 42 Brasil (Buenos Aires, Argentina)
1954: EUA 62 x 41 Brasil (Rio de Janeiro, Brasil)
1959: Brasil 81 x 67 EUA (Santiago, Chile)
1963: Brasil 85 x 81 EUA (Rio de Janeiro, Brasil)
1967: Brasil 80 x 71 EUA (Montevidéu, Uruguai)
1970: Brasil 69 x 65 EUA (Ljubljana, Iugoslávia)
1974: EUA 103 x 83 Brasil (San Juan, Porto Rico)
1978: Brasil 92 x 90 EUA (Manila, Filipinas)
1986: EUA 96 x 80 Brasil (Madrid, Espanha)
1994: EUA 111 x 68 Brasil (Toronto, Canadá)
1998: EUA 83 x 59 Brasil (Atenas, Grécia)
2010: EUA 70 x 68 Brasil (Istanbul, Turquia)
2019: EUA 89 x 73 Brasil (Shenzhen, China)
Acumulado histórico: EUA 8-5 BRASIL
O basquete dos Estados Unidos nunca deu a mesma importância para as competições da FIBA (Federação Internacional de Basquete) que dava às do COI (Comitê Olímpico Internacional). Sempre enviou equipes sem a força máxima apresentada nas Olimpíadas. Isto está refletido nos resultados. Nas 19 edições disputadas entre 1950 e 2023, os Estados Unidos foram campeões em apenas 5 delas, tendo o título em 14 oportunidades sido conquistado por outros países.
Esta diferença de peso está refletida também no confronto contra o Brasil. Em 13 encontros, os norte-americanos venceram 8 vezes e foram 5 vitórias brasileiras. O Brasil venceu 4 vezes seguidas entre as edições de 1959 e 1970, período no qual a Seleção Brasileira foi duas vezes campeã mundial, em 1959 e 1963, e foi vice-campeã em 1970. Em 1978 o Brasil voltou a vencer.
Nestas edições, a Seleção dos EUA foi representada: em 1959, 1963 e 1967 pela equipe da Akron Goodyear Wingfoots, de Ohio, em nome da União Atlética Amadora (Amateur Athletic Union - AAU), em 1970 usou uma Seleção Universitária de jogadores da NCAA (assim como utilizava em todas as edições dos Jogos Olímpicos até 1988, dado que só a partir de 1992 passou-se a utilizar atletas profissionais da NBA), e em 1978 utilizou um selecionado de jogadores da organização Atletas em Ação (Athletes in Action), ligada à Associação Cristã de Moços (ACM na sigla em português, e YMCA na sigla em inglês).
Na era de utilização de jogadores da NBA, a maior atuação brasileira foi no Mundial de 2010 na Turquia, quando a Seleção Brasileira endureceu o jogo e foi derrotada por apenas 2 pontos de diferença, numa partida decidida nos segundos finais.
Por todo este contexto, apesar de já acumular 5 vitórias sobre os Estados Unidos até então, a vitória nos Jogos Pan-Americanos de 1987 em Indianápolis teve um peso diferenciado.
Jogos Pan-Americanos
1951: EUA 74 x 42 Brasil (Buenos Aires, Argentina)
1955: EUA 78 x 49 Brasil (Cidade do México, México)
1959: EUA 93 x 79 Brasil (Chicago, Estados Unidos)
1963: EUA 78 x 66 Brasil (São Paulo, Brasil)
1971: EUA 81 x 79 Brasil (Bogotá, Colômbia)
1975: EUA 87 x 62 Brasil (Cidade do México, México)
1979: EUA 82 x 78 Brasil (San Juan, Porto Rico)
1979: EUA 106 x 88 Brasil (San Juan, Porto Rico)
1983: EUA 72 x 69 Brasil (Caracas, Venezuela)
1983: EUA 87 x 79 Brasil (Caracas, Venezuela)
1987: Brasil 120 x 115 EUA (Indianápolis, EUA)
1995: Brasil 101 x 98 EUA (Mar del Plata, Argentina)
1995: EUA 89 x 85 EUA (Mar del Plata, Argentina)
1999: EUA 73 x 71 Brasil (Winnipeg, Canadá)
1999: Brasil 95 x 78 EUA (Winnipeg, Canadá)
2003: Brasil 92 x 80 EUA (Santo Domingo, República Dominicana)
Acumulado histórico: EUA 12-4 BRASIL
A participação do basquete dos Estados Unidos em Jogos Pan-Americanos nunca teve a mesma importância que era dada às Olimpíadas. Ainda assim, nos 10 primeiros confrontos históricos contra o Brasil por esta competição, os norte-americanos venceram todas as dez vezes. Todas as participações dos EUA em Pan-Americanos no basquete foram com equipes universitárias, nunca tendo sido utilizados jogadores da NBA, mesmo após 1992.
Em 1987, a edição dos Jogos Pan-Americanos era em Indianápolis. Diante de sua gente, como anfitrião, os Estados Unidos levou um time de basquete forte, uma equipe de universitários que contava com nomes que vieram a ter uma carreira renomada na NBA, como foram os casos de David Robinson, membro do Hall da Fama, 2 vezes campeão da NBA com o San Antonio Spurs, MVP em 1995, com 10 participações no All-Star Game, e considerado um dos melhores pivôs de todos os tempos, além de Mitch Richmond, também Hall da Fama, campeão da NBA em 2002 com o Los Angeles Lakers) e 6 vezes escolhido para o All-Star Game, Danny Manning, que jogou 15 temporadas de NBA, tendo 2 vezes sido escolhido para All-Star Game, e que também tinha a Dan Majerle (3 vezes All-Star Game) e Derrick Coleman (calouro do ano em 1990/91). Um baita time!
Por isso, a vitória de virada do Brasil por 120 a 115 tem um peso histórico tão diferenciado como lhe é dada. Foi a primeira vez na história que um time de basquete dos Estados Unidos levou mais de 100 pontos de uma equipe estrangeira, e foi a sua primeira derrota em território nacional. Um feito gigante da Seleção Brasileira!
Posteriormente, o Brasil voltou a obter vitórias, em tempos nos quais os EUA já utilizavam jogadores profissionais da NBA em partidas de Olimpíadas e Mundial, sobre selecionados universitários da NCAA que participaram das edições de 1995, 1999 e 2003. Dentre estas outras vitórias, a mais significativa foi a de 1999. Valia a medalha de ouro na final, era a última medalha em jogo, Brasil e Argentina estavam com a mesma quantidade de medalhas de ouro no quadro geral de medalhas da competição, com os argentinos a frente por terem conquistado mais medalhas de prata. Naquele domingo, prevendo uma derrota brasileira na última medalha em disputa, os jornais esportivos argentinos exaltavam que a Argentina terminava os Jogos de 1999 a frente do Brasil. A Seleção Brasileira venceu aos norte-americanos por 95-78, passando aos argentinos no quadro geral da competição, reescrevendo a história que os jornais esportivos da Argentina tinham tentado antecipar. Naquela equipe dos Estados Unidos que perdeu para o Brasil em 1999, dois nomes vieram a obter algum sucesso nos anos posteriores na NBA, como foram os casos de Vin Baker e Michael Redd.
Copa América
1989: EUA 96 x 93 Brasil (Cidade do México, México)
1993: Brasil 101 x 91 EUA (Cidade do México, México)
1997: EUA 93 x 89 Brasil (Montevidéu, Uruguai)
1999: EUA 90 x 73 Brasil (San Juan, Porto Rico)
2001: Brasil 116 x 78 EUA (Neuquén, Argentina)
2003: EUA 110 x 76 Brasil (San Juan, Porto Rico)
2005: EUA 96 x 94 Brasil (Santo Domingo, República Dominicana)
2005: Brasil 93 x 75 EUA (Santo Domingo, República Dominicana)
2007: EUA 113 x 76 Brasil (Las Vegas, EUA)
2025: EUA 90 x 78 Brasil (Managua, Nicarágua)
2025: Brasil 92 x 77 EUA (Managua, Nicarágua)
Acumulado histórico: EUA 7-4 BRASIL
A Americup, antes chamada Tournament of the Americas, e que no Brasil sempre foi chamada de Copa América, sempre recebeu uma importância muito menos da USA Basketball, associação que cuida da Seleção Nacional dos Estados Unidos. Diante destas equipes, o Brasil conseguiu vitórias em 1993, 2001, 2005 e 2025, tendo esta última sido a mais importante delas, válida pela semi-final, e na qual a Seleção Brasileira obteve uma virada espetacular depois de estar 20 pontos em desvantagem, no fim venceu por 92 a 77.
Eliminatórias para o Mundial
2022: EUA 94 x 79 Brasil (Washingon, EUA)
2023: Brasil 83 x 76 EUA (Santa Cruz do Sul, Brasil)
Acumulado histórico: EUA 1-1 BRASIL
Dentre todas estas competições internacionais, a mais baixa na escala de importância e escolha de jogadores para serem os representantes dos Estados Unidos certamente são as Eliminatórias para o Mundial. Foram dois duelos no ciclo 2022/2023, com uma vitória para cada lado.
Acumulado Histórico Total 1950-2025: EUA 38-14 BRASIL
Destas 14 vitórias brasileiras, em escala de impacto, pode-se dizer que a maior de todas foi a do Pan-Americano de 1987, pelo contexto por trás da conquista desta Medalha de Ouro. Há que se destacar as vitórias brasileiras nas edições dos Mundiais de 1959, 1963, 1967 e 1970, todas de grande importância histórica num período no qual o Brasil estava entre as 4 maiores forças do basquete mundial. Há que se fazer menção honrosa à vitória na final do Pan-Americano de 1999. E há que se colocar entre estas maiores a vitória na semi-final da Copa América de 2025.
Veja também:
- Vitória Histórica da Seleção Brasileira na Copa América de 2025
- Virada sobre os EUA e título na Universíade 2025

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